Quarta-feira, 02 de Julho de 2014


" Nas aldeias do norte d'esta nossa terra pittoresca de linguagem, algumas vezes perguntava eu quantos anos tinha tal velhinho, e não entendia esta resposta: « já passa de dous carros ». Vim depois a saber que lá se contam os anos a quarenta por cada carro, por analogia com o carro de pão de quarenta alqueires. "
Camilo Castello Branco, « Novellas do Minho »

Ainda hoje é assim; pude comprová-lo há tempos, quando à minha pergunta o António respondeu: faço um carro. Teve de me explicar por miúdos o que era isso de " fazer um carro "


publicado por Cristina Ribeiro às 08:35
Duarte Meira:
"
Que grata surpresa, de saber ainda viva a saborosa expressão!

Era um estudo bem oportuno a fazer: - um inquérito de campo a ver quantas daquelas expressões populares de Camilo, Aquilino ou de Tomaz de Figueiredo ainda persistem na boca ou na memória do povo; ou quantas não há que, velhas ou novas, nem eles nem os dicionários (como o "Dicionário falado", do nosso grande Tomaz) chegaram a registar.
Seria também um teste precioso para aferir da vitalidade da Língua e, portanto, da sociedade e do povo que a fala...

Um estudo bem preciso, se os nossos académicos filólogos se decidissem a deixar os seus laboratórios de "linguística computacional" e viessem para o terreno...

(Já agora aproveito para, em troca, dar à Cristina uma expressão que colhi em certa obra de Aquilino e que nem mesmo o erudito que se deu ao trabalho de fazer um vocabulário sobre a obra dele registou. Sabe a Cristina, ou algum dos leitores, dizer-me o que é um "cara-unhaca" de sujeito? Será um regionalismo beirão, que não se conhece no seu pátrio Minho, ou a Cristina já o terá ouvido por lá ?

E, já agora, outra, de Camilo, para a qual nunca encontrei uma explicação precisa: a expressão exclamativa "Cruzes e santo breve da marca!", que ele utiliza algures. Julgo que faz referência a determinado sítio da cidade do Porto, onde haveria uma ermida ou oratório de algum santo, e que teria a ver - a Marca - com referenciais para a navegação que demandava a traiçoeira barra da Foz. Talvez algum dos nossos amigos portuneses deste ES o saiba. ) "

Cristina Ribeiro a 2 de Julho de 2014 às 08:44


É que nem conheço nenhuma das duas, Duarte. Vou tentar, mas se nem o Duarte as encontrou... Que interessante seria esse estudo que refere!
Cá na aldeia, a cada passo se ouve suculentas expressões, normalmente ouvidas a pessoas mais idosas, mas que, por vezes - como neste caso, já que o António fazia 40 anos -, passam para os filhos menos dados ao " bué " e coisas similares :)

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