Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

Retomo a leitura das « Crónicas » de António José Saraiva,

Cristina Ribeiro, 16.10.09

 

 interrompida há tempos, e detenho-me no trecho: " Nunca se viu uma crise económica gerar uma crise moral ou espiritual. O contrário é que é verdadeiro. É sempre a falta de " tónus" moral, a falta de espírito de iniciativa, a falta de confiança em si próprio, a falta de entusiasmo que geram o fracasso(...). Na nossa história, aliás, temos o exemplo disto. Nunca a situação económica de Portugal foi tão catastrófica como na época de D. João I. O País estava em guerra de sobrevivência: os fidalgos que possuíam parte da riqueza tinham emigrado em grande número para Castela; o comércio estava interrompido pela guerra. Todavia, nessa época manifestou-se um Fernão Lopes, construiu-se o mosteiro da Batalha, ganhavam-se duas das batalhas mais importantes da nossa história, Aljubarrota e Ceuta, existiu a Corte mais culta que houve em Portugal. Se a teoria da " crise económica que gera a crise moral" fosse verdadeira, Portugal não seria independente desde o século XIV". E interrogo-me: nesta nossa época, em que estamos a passar uma crise económica, seremos nós capazes de emular os nossos avós, "passando ainda além da Taprobana", teremos nós o valor suficiente, seremos merecedores do seu testemunho, ou a crise moral , que já vai grassando, levará a melhor?

 

14 de Agosto de 1385- Aljubarrota

Cristina Ribeiro, 14.10.09

    

                          O CONDESTÁVEL

 

 

Não acabaria bem a noite, se não dissesse que achei de uma ingratidão sem nome o termos, os portugueses de hoje, esquecido a grandeza de D, Nuno Álvares Pereira: passar um pano sobre os feitos dos "nossos egrégios avós", que só são mencionados no Hino "para inglês ver" é a despromoção de um povo, que deve começar por buscar o orgulho no presente nas glórias do passado.

 

 

Agosto de 2008

Naquele fim-de-semana alargado

Cristina Ribeiro, 13.10.09

 

propúnhamo-nos visitar parte da região onde, sob o comando de Artur Wellesley, futuro Conde do Vimeiro, Marquês de Torres Vedras e Duque de Wellington, haviam sido erigidas as muitas fortificações das chamadas Linhas de Torres, com o propósito de defender a Capital das tropas francesas, com que Napoleão ambicionava manietar Portugal, e assim dar um passo decisivo na conquista da Europa, . Não contava com a aguerrida resistência das tropas luso-inglesas... A partir do Vimeiro visitámos o pouco que resta daquela que parece ter sido um prodígio de engenharia militar, tendo-nos sido dito que o que ali víamos era fruto da profunda restauração a que se procedera a partir de 1960.

 

Agosto de 2008

«O Tempo Tão Suspirado»

Cristina Ribeiro, 12.10.09

 

Organizou a Sociedade Martins Sarmento uma exposição sobre a comemoração dos duzentos anos da aclamação do então ainda Príncipe Regente D. João, futuro D. João VI, pelos vimaranenses, realçando o seu espírito combativo na hora de unir forças contra o invasor .

No catálogo da exposição, e sob a gravura que alude à retirada do Príncipe D. João para o Brasil, leio: "A transferência da Corte de Portugal para o Brasil, em caso de perigo para a soberania nacional, fazia parte de um plano de contingência delineado em meados do século XVII, e que, por mais de uma vez , esteve em vias de ser colocado em prática. Com os avanços de Napoleão na Europa, volta à ordem do dia, já no ano de 1801" . E quando, em 1807, este, "com o apoio de Espanha, avança para a invasão de Portugal já estava tomada a decisão da partida .No dia 29 de Novembro, com os franceses às portas da cidade, zarpava de Lisboa a esquadra(...) Foi assim que "no dia seguinte (...)Junot viu gorado o seu primeiro objectivo: prender e depor a Rainha e o Príncipe Regente" Nascia assim "a expressão ficar a ver navios"

 

Julho de 2008

Assim via, em 1921, « O Século Ilustrado » o povo a ser asfixiado

Cristina Ribeiro, 11.10.09

 

 pelo "Polvo Gigante" Não há homens providenciais? Acho que há. Mas também há homens que não sabem sair do lugar onde muito fizeram, no tempo apropriado. Para mim, Salazar reúne essas duas qualidades. Quando a Primeira República tinha já deixado o País num estado reconhecidamente lastimoso, ele foi muitíssimo oportuno, no labor de o levantar do atoleiro em que se encontrava, e, por isso, temos muito a agradecer-lhe. Mas uma grande virtude nos Grandes Homens há-de ser, forçosamente, a de ter a coragem, e o saber, de sair de cena na altura certa; essa vejo-a eu no final dos vinte primeiros anos em que esteve à frente dos destinos do País que se propôs levar adiante, o que fez com êxito...; e depois entregar o testemunho a quem dele fora espoliado, contribuindo, com o seu saber, para o desenvolvimento do país

 

Junho de 2008

«Sede sempre um homem de bem»,

Cristina Ribeiro, 11.10.09

 

disse, comovido, Fontes Pereira de Melo a João Franco, quando este respondeu : «Não, não retiro; são as ordens que trouxe dos meus eleitores, quando as fui receber a Guimarães»... O político fora eleito, em 1884, deputado por este círculo , e apresentara no Parlamento um projecto advogando uma maior autonomia do concelho, no que foi apoiado por Fontes, mas como tal pretensão tivesse sido mal recebida pela Oposição, este, a fim de acalmar os ânimos, sugeriu-lhe a sua retirada. Lucidez, firmeza, iniciativa, sem ceder a pressões.

 

Junho de 2008

As "coisas" estão como há cento e dezoito anos.

Cristina Ribeiro, 11.10.09

 

Num artigo datado de 1890, na «Revista de Portugal», Eça de Queirós escrevia: - "As lamentáveis desordens parlamentares, as violentíssimas e desmandadas polémicas, as mútuas e terríveis recriminações com que, obcecados pela paixão, os partidos se feriam uns aos outros na sua honra, deixaram no País que assistia espantado a uma tal lavagem pública de roupa suja, o sentimento desalentado que ele exprimia por esta fórmula- tão bons uns como os outros!" E ainda dizem que a mesma água nunca passa outra vez por debaixo da mesma ponte.

 

 

Junho de 2008