Sexta-feira, 20 de Setembro de 2013

" Hoje, quando teríamos de reconcentrar a seiva da velha raça, como as árvores que se restauram no Inverno, eis-nos pulverizando em vis discórdias as forças sobreviventes, esgotando-as em lutas fratricidas, desnacionalizando-nos em contacto com doutrinas dissolventes, apossadas de um delírio suicida, atraiçoando as virtudes tradicionais.
Chegou a hora intransferível de voltarmos a ser portugueses, despojando-nos das várias denominações sectárias que nos esfarrapam, pois só na unidade da acção e patriotismo encontraremos as forças resistentes e estimulantes da salvação. "

 

 

    Escrevia assim, em 1925, Carlos Malheiro Dias na « Exaltação à Mocidade », mas, como acontece com tantos escritos contemporâneos, ou anteriores, estas palavras poderiam bem ser proferidas em dias de hoje, flagrante que é a similitude entre os tempos então vividos, com os mesmos males a afligirem a sociedade portuguesa, e os que hoje, desgraçadamente, vivemos.

Nada aprendemos.


publicado por Cristina Ribeiro às 20:22
Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

Fialho de Almeida ( que viria a " reconciliar-se com o regime tradicional, depois de um encontro com o ministro de D. Carlos " ) : - " Superior, inteligente, culto, bravo e generoso...enjoado da torpitude dos partidos, e tendo da ideia de pátria um culto inverosívelmente alto e absorvente "

 

Homem Cristo : -" Tinha defeitos, mas, no meio dos seus defeitos, foi o político mais inteligente do seu tempo "

 

João Chagas, a propósito das cartas a João Franco : - " Aliviam a memória de D.Carlos de um grande peso "

 

 

 

 

 

Foi este " homem forte de vontade, enérgico e decidido nas atitudes, largo nas ideias e profundo no saber " ( « D.Carlos »- Casimiro Gomes da Silva ), que um bando de conspiradores que tinham escapado à prisão a 28 de Janeiro do mesmo ano assassinaram faz amanhã 103 anos.

 

" À noite, nas  Necessidades, o Conselho de Estado reunido persuade o novo Rei, infante D. Manuel, a afastar João Franco e a formar ministério novo. Faz-se a vontade ao inimigo, abatem-se bandeiras perante o crime. « Os regimens sucubem e desaparecem, menos pela força do ataque que pela frouxidão da defesa » - dirá o próprio João Franco. Resume, muito exactamente, um jornal, meses depois: - ' O Rei morreu na tarde de 1 de Fevereiro, no Terreiro do Paço. A Monarquia morreu nessa noite, no Paço das Necessidades ', precisamente quando a Realeza se erguia unida a um governo sério e forte. Eliminado da cena e lançado para o exílio o único homem de pulso, não há em torno de D.Manuel senão os velhos homens dos partidos, sempre envolvidos em querelas de vaidades, sempre obcecados pelo fito de conquistar o mando para si e para os seus amigos  " ( João Ameal )

 

Os partidos que aquele chamara de " rotativos ", aproveitam-se assim da inexperiência bem intencionada do Infante adolescente para voltarem ao mesmo regabofe, depois dos esforços do rei e do seu 1º Ministro para fazerem de Portugal um país decente.



publicado por Cristina Ribeiro às 19:28
Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

 

 

Continuando a leitura de « D. Carlos », de Casimiro Gomes da Silva, ontem iniciada, tiro da estante o livro homónimo de Rui Ramos, para reler algumas coisas que nele me prenderam a atenção ( sempre as associações...).

A frase " Os reis de hoje são, por vezes apenas, pouco mais do que celebridades, figuras que geram mais noticiários para as colunas de sociedade e revistas cor-de-rosa do que para as páginas de análise política. D. Carlos não foi um rei desses. ", lembra-me o escarcéu que se fez quando  o Príncipe Carlos, da Grã-Bretanha, entendeu ser seu dever intervir na vida pública do seu país. Qual o espanto de o futuro Chefe de Estado sentir como sua essa obrigação?

Se um dia aos portugueses for reconhecido o direito de escolher entre Monarquia e República, e, depois de desfeitos todos os mitos e mentiras que esta alimentou, se optar por aquela, só entenderei a mudança de regime se ao Chefe da Nação forem reconhecidos plenos poderes de governação ( o que modernamente sucede nomeadamente no Mónaco e em Liechtenstein, com o agrado popular ).



publicado por Cristina Ribeiro às 18:45
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