Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

 

 

" Da moderna Sande o melhor edifício público é o da escola, no sítio das
Gaias, offerecido ao governo por D. Maria Alexandrina Vieira Marques e
custeado depois pela junta de parochia ". José Augusto Vieira, in « O Minho Pitoresco »
Tantas gerações de alunos por lá passaram, tantas antes de lá ter andado, e depois ainda.... Em ruínas. É assim que o nosso poder local trata o património cultural e a tradição.

     Para memória futura apenas esta aguarela, feita por pintor amigo, estava a Escola ainda de pé. Porque se agora a tenho bem fixada na memória, as salas, os corredores, as escadas, o granito das paredes, sei que essa memória poderá um dia falhar.



publicado por Cristina Ribeiro às 23:34
Sábado, 13 de Novembro de 2010

 

 Uma entre muitas palavras- tantas!- que despertam as memórias de infância, acantoadas não sei onde, mas sempre prontinhas a saltar cá para fora, às vezes porque foram evocadas, às vezes porque vieram atrás de outras.

 

Esta lembra-me o " SrArmindo ", um  vizinho solteiro, que morava numa casa muito, muito especial: a lembrar a toca do coelho que vimos nos livros com animais encantados, debaixo da terra, num sítio que já fora poço, e aonde se ia descendo umas escadas toscas de madeira, era muito apetecida por todos nós, e a nossa mãe já sabia onde nos encontrar sempre que desaparecíamos....

 

 " Cantar os Reis", ouvi, e logo me veio à memória aquela noite, escura, mas não sei se sem estrelas, em que fomos com o SrArmindo cantá-los aos vizinhos; longe, isolados que estávamos- só o tínhamos a ele por perto.

Lembro-me dos mexidos, da aletria e das rabanadas que enchiam as mesas, à espera dos cantores; mas é uma memória muito desfocada...

Saíamos de casa muito  agasalhados, porque a noite era fria, e com vozes mais ou menos afinadas cantávamos " Viva lá o Patrão desta Casa ".


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publicado por Cristina Ribeiro às 15:57
Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

 

 

 

Uma garrafa com a forma de frade rechonchudo, no hábito castanho, cheia de água-pé. Castanhas, saídas do borralho, que queimavam as mãos.

Dia de S. Martinho. Continua a haver castanhas, mas o fradinho, esse,há muito que desapareceu.


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publicado por Cristina Ribeiro às 20:15
Terça-feira, 29 de Junho de 2010

 

Há dias, quando me viram olhar o telemóvel a fim de saber as horas, perguntaram-me: - mas tu não tens relógio?

-Há muito tempo, respondi; e dei comigo a sorrir, a pensar no meu primeiro relógio: foi o presente que me deu o meu pai, quando fiz, com resultados satisfatórios, o primeiro  exame no secundário.

Era um Yema, tal como esse aí, mas, obviamente, num modelo anterior. De correia azul, caixa cor de prata, e fundo azul, era o meu orgulho. Chegava ao fim das aulas, em Junho, e tirava-o, porque me me fazia sentir calor no pulso, e só o ia buscar à gaveta, onde o guardara, em Outubro, quando voltava o tempo mais fresco. Memórias que fazem sorrir, na verdade...


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publicado por Cristina Ribeiro às 20:28
Terça-feira, 25 de Maio de 2010

 

 

(Colheita- Ceifeiras   Silva Porto )

 

um quadro. Sempre me fascinara aquele quadro, pelas cores, que mais tarde associei ao Alentejo, em tempo de colheita do centeio, mas também pelo que nele via: um carro de bois, cheio daquele cereal, certamente acabado de ser ceifado pelo homem que puxava o carro, e pela mulher que ia sentada no alto do mesmo. Fascinavam-me as cores dos fatos do casal, coloridos.

Tudo isto se passava debaixo de um céu onde o sol começava a pôr-se, o que tornava tudo ainda mais dourado. Nunca tratei de saber quem fora o pintor - era ainda demasiado pequena para fazer tais perguntas, mas quando mais tarde, muito mais tarde, conheci a pintura de Silva Porto, convenci-me de que se se não tinha sidoo ele o autor, fora alguém que nele se inspirara. Com êxito, pensei.


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:19
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010

 

 

num antigo convento, construído no século XVI, no início da « Rua de Elite », que sempre foi a Rua de Santa Maria, por iniciativa de um cónego da Colegiada de Guimarães, em honra de Santa Clara, essa companheira na Caridade do Santo de Assis?

Nesse edifício, onde funcionara já o Liceu, e onde agora está instalada a Câmara Municipal.

 

Por essa altura, a  paz, que agora associo aos claustros, só podia sentir-se quando estávamos nas salas de aula, porque nos momentos de recreio, o silêncio, que lhes é próprio, esse dava lugar à algaraviada dos bandos de rapazes e raparigas, de dez e onze anos, que éramos então

 

 

 

Alguns anos mais tarde haveria de lá voltar, quando, a estudar já no Liceu, e em horário pós-aulas, com a Professora de História, e alguns colegas, estudava documentos guardados no Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, na altura ainda a funcionar na Capela do Convento.


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publicado por Cristina Ribeiro às 19:26
Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Tinha eu 10 /11 anos quando sofri uma humilhação que nem consigo adjectivar, no salão onde fazíamos ginástica. Já vestidas as alunas,à espera do toque de saída, e a professora, sentada na secretária, reparou que a minha bata estava mais curta do que a saia. Aos berros,literalmente, começou a dizer que a minha mãe devia ser uma daquelas mulheres de soalheiro, que " passavam a vida a dar ao serrote ", em vez de baixar a baínha da minha bata; com um nó na garganta, e, talvez umas lágrimas nos olhos, eu pensava " trabalhasses tu como a minha mãe, desde madrugada à meia-noite ! ; ela nem tempo tem para ver o comprimento da minha bata "; isto numa altura da vida em que as crianças crescem tão rapidamente, que, quando menos esperamos, a roupa deixa de nos servir. E, suprema maldade, disse a uma minha colega para me deitar toda a bainha abaixo. E eu sem coragem para dizer nada ( quantas vezes me penitenciei pelo facto - mas tive medo! )

Voltei a lembrar-me deste episódio ontem, quando aquelas duas alunas se dirigiram à professora naqueles termos, em que agora a humilhada era a professora.

 

 

*Quero frisar que essa professora de ginástica era a excepção; as alunas não o serão...



publicado por Cristina Ribeiro às 00:10
Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

 

Os tempos eram outros - quando cá em casa havia capoeira para criar frangos, pocilga para os porcos, e uma casinha, quase de bonecas, com telhado por onde se espraiavam os ramos de videiras, que servia de coelheira: aí, atrás da rede, seguíamos o crescimento daqueles animaizinhos, envoltos em nuvens de pêlo, que quase nos impediam de ver os seus olhos pretos.

Era esse telhado, relativamente baixo, e para onde subíamos escalando um pequeno muro, um dos locais preferidos para brincarmos, as irmãs e duas primas,às casinhas, mas também para lermos os livros do Noddy que requisitávamos na biblioteca ambulante da Gulbenkian.

Na época em que os cachos de uvas estavam ali mesmo ao nosso alcance, as saudosas e doces uvas americanas, não foram poucas as vezes que nos queixámos de dores na barriga. Ao ver os lábios roxos, era certo o ralhete materno; mas , mesmo assim, o máximo que podia acontecer era estarmos um ou dois dias sem as comermos, para depois tudo voltar ao normal.


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:54

 

Agora que já tinha duas irmãs grandinhas, nunca mais  pensei em jogar ao pião.Tínhamos de improvisar: ver sardinhas nas folhas da laranjeira, café na terra, arroz no areão, e pratos nos cacos de telhas partidas, mas a diversão estava garantida, com uma de nós a fazer de cozinheira, à vez, senão havia zanga pela certa.

Por vezes havia convidadas para o jantar, invariavelmente umas primas vizinhas, e lá vinha a cozinheira dizer que o arroz não chegava.

Por essa altura vendia-se na feira local umas bonecas pequeninas, de plástico, que custavam vinte e cinco tostôes - quando arranjámos dinheiro para comprar uma, passámos a ter uma filha, mas uma filha que era das três. Lembro de irmos à costureira, que nos fazia os vestidos, pedir sobras de tecido para vestirmos a nossa filha: coitada, nenhuma de nós tinha jeito para a costura, e parecia um espantalho...

Brincadeiras que me fazem sorrir quando as recordo. E como gosto de as recordar!



publicado por Cristina Ribeiro às 23:46
Terça-feira, 20 de Abril de 2010

 

                                                                                         

 

no tempo em que frequentei a Escola Primária. Noites agitadas, muito provavelmente, porque, impreterivelmente, na manhã desse dia começavam as aulas.

Não retenho o primeiro dia das outras classes, mas tenho muito nítida a minha ida à escola na 1ª Classe: acompanhava-me o segundo irmão ( o mais velho estaria já a preparar, talvez, o regresso às aulas, mas no Liceu ) e lembro de a D. Maria ter dito ao meu irmão, que passara também ele pela Escola de S. Martinho de Sande, e já era, pois, seu conhecido, que eu era mais bonita do que ele: a forma que encontrou para que me sentisse bem.



publicado por Cristina Ribeiro às 21:00
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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