Sábado, 17 de Outubro de 2009

 

"Quando começou a divulgar os resultados das prospecções arqueológicas sobre as ruínas de um velho povoado, que nas suas memórias de infância persistia como uma cidade de mouros, Francisco Martins Sarmento afirmou-se como um vulto de primeira linha na cultura europeia de finais do século XIX. A sua obra atraiu a atenção da Europa culta do seu tempo para a Citânia de Briteiros e ajudou a projectar internacionalmente a sua terra: Guimarães. Para mostrarem o seu reconhecimento, os seus conterrâneos projectaram erguer-lhe um monumento. Sarmento recusou. Perante a persistência dos promotores da iniciativa, o arqueólogo acabaria por aceitar a homenagem, impondo uma condição: que, em vez do monumento, fosse criado um instituto, que, assumindo-se como um organismo vivo, prosseguisse uma missão de elevação cultural da população. Na manhã de 20 de Novembro de 1881, realizou-se numa sala da extinta Assembleia Vimaranense, uma reunião (...) em que foi decidida a criação de uma associação, com o nome do arqueólogo, a qual promoveria o desenvolvimento da instrução primária, secundária e profissional. Os fundadores explicaram assim o seu projecto: «Poderia erigir-se um monumento em granito ou mármore, abrindo-lhe na base inscrições comemorativas , mas (...) o monumento pode esboroar-se e desaparecer no fragor das tempestades ,ou no vandalismo das guerras; a instituição, se cria raízes, se preenche uma necessidade real, se representa um progresso na educação social, vive além das convulsões, adquire condições de perpetuidade, vive na memória dos que lerem as páginas da sua história» (...)Mas a actividade dos pioneiros da SMS foi para além da promoção da instrução: desde cedo desenvolveram outras dimensões da produção e difusão da cultura, criando um Museu Arqueológico, que logo se tornou um modelo, abrindo as portas da Biblioteca Pública, lançando uma revista científica, a «Revista de Guimarães». (...) A Sociedade detém um admirável acervo patrimonial de interesse cultural relevante, de natureza histórica, arqueológica, bibliográfica, documental, artística, etnográfica e científica, com elevado significado para a compreensão, permanência e construção da identidade nacional e local. (...) Ao longo do tempo, com a persistência da sua acção de defesa e valorização da História de Guimarães, a Sociedade Martins Sarmento contribuiu para a formação nesta terra de uma consciência patrimonial que ajuda a explicar o cuidado e o carinho que aqui têm sido colocados na preservação do legado que recebemos dos nossos antepassados."

 

 

Outubro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 20:03

 

Agradeço, penhorada, a gentileza do Presidente da Sociedade Martins Sarmento, António Amaro das Neves, o ter-me permitido " surripiar" este texto da sua lavra, concretamente do seu blogue pessoal Memórias de Araduca, a fim de adornar este nosso «Estado» com a referência que se impõe, a este grande vimaranense. " Francisco Martins Sarmento nasceu em 9 de Março de 1833, no seio de uma família abastada de Guimarães, com raízes em S. Salvador de Briteiros, onde fica a sua casa solarenga, em que se costumavam contar histórias dos "mouros" da Citânia, uma povoação cujas ruínas se podiam ver no Monte de S. Romão, ali bem perto. Por não ter que se preocupar com questões financeiras, estava-lhe destinado um futuro semelhante a boa parte dos jovens endinheirados do seu tempo: mergulhar na ociosidade e esbanjar a fortuna que recebeu em mãos. Mas este Sarmento, mais do que de bens de fortuna pessoal, era dotado de um espírito inquieto que o empurrava para a aventura do conhecimento.Era um filósofo que buscava permanentemente a erudição. Começou por se fazer poeta, chegando a publicar um livro, mas acabaria por renegar a poesia. Os seus estudos encaminharam-no então para a História. A partir dos finais da década de 1860 começa a cultivar a arte da fotografia. Seria a paixão por estas duas disciplinas que iria fazer dele arqueólogo. Em meados da década de 1870, começou a estudar metodicamente a Citânia de Briteiros, procurando desvendar os segredos que aquelas velhas ruínas ocultavam. Para tal, recorria ao registo fotográfico. Através de dois álbuns fotográficos que enviou a instituições e cientistas do seu tempo, Sarmento atraiu as atenções do mundo para a sua Citânia. Para a compreender, Martins Sarmento começou por caminhar por terrenos ainda desbravados, e a recolher informes sobre as velharias e tradições (encobertas) (...). A sua experiência de caçador de perdizes e coelhos armava-o com a resistência suficiente para aguentar longas caminhadas exploratórias. De novo caçador, mas agora de ruínas e notícias arqueológicas, ao longo de duas décadas(...) Inicialmente, o âmbito das suas pesquisas limitou-se aos territórios circunvizinhos; com o decorrer do tempo, e os avanços dos estudos, foi alargando o campo de trabalho, mas as suas principais referências foram sempre a Citânia de Briteiros e o Castro de Sabroso (situado num monte próximo). As notas dessas excursões (...) estão registadas em cerca de mil páginas distribuídas por nove cadernos, sob o título de « Antiqua». Compõem uma espécie de diário, que deveria servir de base aos livros que tencionava escrever. Entre finais de 1881 e o início de 1882, Sarmento entendeu que as notícias de carácter etnográfico que ia obtendo justificavam um tratamento autónomo, separando-as das de natureza arqueológica. Registou então, numa das folhas de Antiqua: "As tradições e superstições serão de ora em diante recolhidas em livro especial". Desta forma, iniciou um novo volume de apontamentos, intitulado «Contos e Tradições Populares». (...)Estes manuscritos que, desde sempre, têm sido preciosas fontes de informação para arqueólogos e etnógrafos, encontram-se entre os maiores tesouros que se guardam no Arquivo da Sociedade Martins Sarmento. Recentemente, libertados da caligrafia obscura do seu autor,foram publicados em dois volumes, um com os apontamentos de natureza arqueológica, outro com os apontamentos etnográficos."

 

Outubro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 11:24
Domingo, 11 de Outubro de 2009

 

é o título da Tese de Mestrado de uma Professora de História da Universidade do Minho, Maria de Conceição Falcão. Feita para ligar o convento fundado por Mumadona à parte alta da cidade, onde fora construído o Castelo, é, tudo o indica, a mais antiga rua do burgo. Muito bem conservada, nela encontramos, ao lado de habitações de características populares, que bem guardaram a traça medieva, casas de nobres, algumas delas ligadas à Casa Real, de que é exemplo grande a «Casa do Arco».

 

 

 

Junho de 2008

 



publicado por Cristina Ribeiro às 15:27

 

disse, comovido, Fontes Pereira de Melo a João Franco, quando este respondeu : «Não, não retiro; são as ordens que trouxe dos meus eleitores, quando as fui receber a Guimarães»... O político fora eleito, em 1884, deputado por este círculo , e apresentara no Parlamento um projecto advogando uma maior autonomia do concelho, no que foi apoiado por Fontes, mas como tal pretensão tivesse sido mal recebida pela Oposição, este, a fim de acalmar os ânimos, sugeriu-lhe a sua retirada. Lucidez, firmeza, iniciativa, sem ceder a pressões.

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 13:10

 

um "cheirinho" do belíssimo claustro do Museu Alberto Sampaio". "Nunca se perde tempo com aquilo que amamos. Que importa que nos pareça curto? Curto há-de ser sempre, porque a nossa imaginação jamais se satisfaz com a realidade." Alberto Sampaio.

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 02:17

 

 terminei-a da melhor das maneiras: numa cidade profusamente iluminada, e no coração do Centro Histórico, fui rever o de Alberto Sampaio, um museu festivo já de si, mas mais radioso do que nunca. Uma longa conversa com a Directora, e uma percepção mais completa dos tesouros aí preservados, confirmaram as palavras elogiosas há tempos ouvidas ao Professor José Hermano Saraiva.

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 01:56

 

 

Como refere Fernão Lopes, depois da Batalha de Aljubarrota, D, João I veio a Guimarães agradecer à Senhora da Oliveira a vitória então alcançada, tendo-lhe oferecido uma grande quantidade de prata, com que, posteriormente, fins do século XIV, Inícios do século XV, foi feito o "Tríptico da Natividade" A peça de vestuário doado á mesma Santa, é o "Loudel" que o rei envergou na batalha.

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 01:46

 

 Hei-de morrer simples estudante vendo sempre, a cada passo, no assunto mais simples novos horizontes ignorados. A questão, para mim, é aproveitar o pouco que tenho aprendido: talvez esse possa servir a alguém: e se servir compensar-me do tempo gasto" Dizia este ilustre vimaranense, mas o certo é que foi um grande historiador e pensador "...acima de tudo um homem que amava a sua terra e que a ela se dedicou, estudando o seu passado, participando no presente, preparando o seu futuro!" (catálogo sobre a exposição bibliográfica a ele dedicada - a Alberto Sampaio.

 

 



publicado por Cristina Ribeiro às 01:36
Sábado, 10 de Outubro de 2009

 

"A Cantarinha maior significa a abundância perene que se deseja ao futuro casal, semeada de esperanças rutilantes... A Cantarinha menor, despida de enfeites, significa a vida real, as incertezas do amanhã. Quando um rapaz escolhia aquela que deveria ser a sua companheira, e se dispunha a fazer o pedido oficial aos pais da " futura", oferecia à namorada uma Cantarinha das Prendas. Se esta era aceite, ficavam, a partir desse momento, comprometidos. A Cantarinha seria, então, para guardar as " prendas" que o noivo e os pais da noiva ofereciam, em ouro, como cordões, tranceletes, corações, cruzes, borboletas, arrecadas..." («Oficina» da olaria, Guimarães)

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 19:46

 

 

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 19:37
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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