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O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

A avó fazia anos.

Cristina Ribeiro, 29.11.09

 

Quatro gerações, e ela continuava a ser o centro do pequeno mundo que tinham feito dentro de muros, mas sempre com a porta escancarada para quem nele quisesse entrar, e que viesse por bem: e, também aí, a avó era única, exímia a ler o carácter de cada qual - um leve assentimento com os olhos, e o recém chegado passava a ser dos seus: a vida que a ensinara a reconhecer quem lhe chegava a casa.

E como estava cheia. Gente que subia escadas, outros as desciam, numa azáfama pouco habitual, para quem se habituara à calma voz de comando da matriarca. Nesse dia, porém, delegara todos os afazeres caseiros, e retirara-se para o jardim, logo rodeada pelos netos mais pequenos, e pelos bisnetos, que agora reclamavam mais uma das histórias por ela vividas na sua já longa vida. Alegrias e tristezas, por igual, mas o dia era de festa e a famosa selectividade da memória não o deixaria macular. E vendo uma cena assim, com os filhos tão atentos às palavras da aniversariante, os adultos olhavam-se comovidos - lembraram as vezes em que eram eles a pedir outra história.

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