Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

 

A chuva caía que Deus a dava, formando uma cortina de água que lhe embaciava tudo à frente do nariz um metro. Ainda há pouquinho vira-se forçada a abrigar-se debaixo de um telheiro, tamanha a carga d'água... De quando em quando, um clarão rasgava o céu, escuro como breu, logo seguido de um estrondo que a fazia levar as mãos aos ouvidos, e encolher-se dentro do xaile. Sempre tivera medo da trovoada, e já por várias vezes forçara a memória a tentar lembrar a oração que, tantas vezes ouvira, em criança,à mãe, num apelo a Santa Bárbara, mas em vão. Enquanto nisto pensava, apreensiva com os estragos que pudessem ter havido no telhado da casa, onde morava com o pai, a chuva como que se fez mais fraca. Era altura de dar uma corrida e galgar a já não muita distância que a separava desse abrigo, apesar dos pesares...; mas havia de se lembrar de pedir ao vizinho para que, assim que o tempo o permitisse, desse uma olhada nas velhas telhas.

 

Janeiro de 2009


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publicado por Cristina Ribeiro às 22:56
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