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O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

E a tempestade que não amainava.

Cristina Ribeiro, 12.11.09

 

A chuva caía que Deus a dava, formando uma cortina de água que lhe embaciava tudo à frente do nariz um metro. Ainda há pouquinho vira-se forçada a abrigar-se debaixo de um telheiro, tamanha a carga d'água... De quando em quando, um clarão rasgava o céu, escuro como breu, logo seguido de um estrondo que a fazia levar as mãos aos ouvidos, e encolher-se dentro do xaile. Sempre tivera medo da trovoada, e já por várias vezes forçara a memória a tentar lembrar a oração que, tantas vezes ouvira, em criança,à mãe, num apelo a Santa Bárbara, mas em vão. Enquanto nisto pensava, apreensiva com os estragos que pudessem ter havido no telhado da casa, onde morava com o pai, a chuva como que se fez mais fraca. Era altura de dar uma corrida e galgar a já não muita distância que a separava desse abrigo, apesar dos pesares...; mas havia de se lembrar de pedir ao vizinho para que, assim que o tempo o permitisse, desse uma olhada nas velhas telhas.

 

Janeiro de 2009