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O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

Nas noites de Outono, e depois dos trabalhos de lavoura,

Cristina Ribeiro, 11.10.09

 

 até que a luz do sol o permitiu, as mulheres da vizinhança reuniam-se, à volta da lareira se já fazia frio, e, na dobadoira, transformavam as maçarocas de linho em meadas, primeiro, e novelos, depois. A fim de tornarem mais leve esta tarefa, afinavam as vozes e cantavam

 

Doba, doba, dobadoira,

Não m'enrices a meada,

Quero dobar o novelo,

Tenho a minha mão cansada.

 

O novelo já é grande,

Já me não cabe na mão.

Doba, doba, dobadoira,

Dentro do meu coração

 

 ( Junho de 2018 )

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