Quarta-feira, 18 de Junho de 2014
" ... António Corrêa de Oliveira, é, porém, especificamente português. As figuras que apresenta e levanta, os horizontes que desvenda, a própria atmosfera ao mesmo tempo fervorosa, heróica e melancólica evocada nos poemas, pertencem, de raiz, a Portugal. ( ... ) ... entusiasta pela nossa gente, os nossos costumes, as nossas paisagens "
João Ameal

Caminhos do vale em monte,
Caminhos do monte em serra:
Como eu vos sei, passo a passo,
Caminhos da minha terra!

Como eu vos amo e conheço,
Caminhos dos pinheirais, 
Onde hão-de vir os meus filhos,
Por onde andaram meus pais.

Altos caminhos da serra,
Quem vos abriu e riscou?
- Ou foi sombra de águia, aos voos
Ou foi Jesus que passou... -

Caminhei... De pequenino,
Fui de ladeira em subida; 
Agora, vou a descer-vos, 
Caminhos da minha vida!

Que triste e bom, ao voltar,
Ao descer lá dos altos cimos,
Ir encontrando as pegadas
Dos passos com que subimos...

Não há caminho em nossa alma,
Não há caminho no chão,
Sem eco, sem sombra, ou saudade
Dos tempos que já lá vão.

Todas as veias do corpo
Ao coração vão parar:
- Caminhos, veias da terra
Ao derredor do meu lar! -

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publicado por Cristina Ribeiro às 22:09
 
" O domingo era também o dia do barbeiro. Fui lá depois do almoço, no primeiro domingo em que assisti à Missa. Já tinha feito a barba de manhã, mas a ida ao barbeiro era, para além de tudo, um acontecimento social importante. É verdade! Até barbeiro tínhamos na nossa pouco sofisticada aldeola, para além de muitas outras coisas igualmente necessárias, como mais tarde viria a saber. Não era um barbeiro a tempo inteiro, porque era agricultor e caçador como todos os outros homens. "

 

                                        Trata-se de um pequeníssimo excerto de um relato de viagens. Uma viagem pelo Douro, levada a cabo por um inglês, em 1939. Antigo funcionário do British Museum, John Gibbons tornou-se um pouco conhecido escritor, a quem o editor sugeriu esse relato. Escolheu Portugal porque o baixo custo de vida era mais consentâneo com a sua modéstia, e o Douro por ter aí nascido, e aí possuir uma pequena casa, um seu amigo, que vivia por então em Londres, para onde emigrara muito jovem ainda.

Um livro cativante, onde se espraia a vida no dia-a-dia das gentes dessa região, escrito depois de uma estadia de quatro meses na povoação de Coleja, na freguesia de Seixo de Ansiães, concelho de Carrazeda de Ansiães. Livro que lhe valeu um prémio, dado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, " para a melhor crítica em língua estrangeira sobre o nosso país ".  

                          Foi sem saber ainda da sua existência que, começos deste ano, visitei Coleja. O que vi não o encontro espelhado, totalmente, no « Não Criei Musgo », mas, aqui e ali, dou conta de que " nem tudo o vento levou ", lá, no pequeno povo bem encravado na serra, onde o progresso encontra ainda alguns baraços.


publicado por Cristina Ribeiro às 17:39

 

" Esperemos que a RDP ainda guarde as charlas radiofónicas do Tomaz, que deram origem depois à edição impressa do Diconário Falado. Que bom que era podermos ouvi-lo! ", escrevia há tempos um caríssimo amigo na caixa de comentários do blogue. Como me lembrei desta esperança quando há pouco liguei a televisão - só politicozinhos, desses que fazem a politicazinha que inça o nosso quotidiano. Programa de verdadeiro serviço público, como deveria ostentar a televisão estatal? Pois continua a sonhar!...


publicado por Cristina Ribeiro às 17:34
 
Atesta Castilho nas « Escavações Poéticas » ser Francisco Gomes, homem do povo, " saído jamais dos seus montes, um dos mais chapados clássicos ".
Por seu lado, é nos Arcos de Valdevez e na Aldeia de Cima, as suas terras " sentimentais ", que o escritor nortenho, um eterno curioso e amante da nossa Língua, busca, e sempre encontra, matéria para alimento dos sempre presentes caderninhos de capa preta, onde alistava os vocábulos e expressões que o povo acalentava à revelia das academias.
Romanisca ( faceira, gaiteira ) ou regateiras-de-Abril ( chuvadas inesperadas, de pedraço muitas das ocasiões ),são exemplo de vocábulos e expressões que desesperava não achar nos dicionários. Nem no seu fiel Morais.
Da boca da senhora Lucília, ou da Maria Rodrigues, as escutava, quantas vezes ao serão, frente à lareira. Sempre com o pensamento no Dicionário Falado que um dia escreveria. Esse Dicionário a que volto mais uma vez.


publicado por Cristina Ribeiro às 17:14
 

                                                    Casa de Aquilino Ribeiro - Carregal, Sernancelhe.

 

Gaste assim as suas economias, não as malbarate em fofas novelas gafadas de galicismos ", escreveu Camilo castelo Branco no livro « Cancioneiro Alegre »

 

Quando leio a boa prosa do escritor beirão, são muitas as vezes que recorro ao dicionário, tantos, mas saborosos, são os regionalismos.

Pouco que fosse, nos anos setenta do século passado havia algum trabalho na divulgação da nossa boa literatura. No caso de Aquilino, logo nos primeiros anos do Ensino Secundário ri com as proezas da Salta-Pocinhas, n« O Romance da Raposa » e do almocreve prodígio no jogo do pau, n« O Malhadinhas ».

Hoje estou certa de que foi esta primeira incursão na escrita riquíssima do homem do Carregal que me abriu o apetite para depois ler outros livros seus. 

 
 


publicado por Cristina Ribeiro às 16:27
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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