Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

que nos põem um sorriso nos lábios. O sol escoava-se já por entre as árvores, espalhando em redor uma luz  entre o laranja e o vermelho. Olho para o lado, onde uma figueira de grandes proporções, carregada de figos, me chama a atenção, e é-me dado ver um quadro que qualquer pintor gostaria de fixar com as tintas da sua paleta: prestes, talvez, a recolher as ovelhas, que comiam a última refeição do dia, um pastor dormitava debaixo da árvore. No seu regaço, pousava o focinho de um cão, também ele de olhos semicerrados.

Furiosa comigo mesma: lembrei-me de que não trazia a máquina fotográfica.


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publicado por Cristina Ribeiro às 18:09
Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

do clima Algarvio, entre amigos, apetecia-me mesmo era, « Pela Noite Dentro », ouvir, bem alto, uma ópera bem cantada; « La Boheme », talvez.

Pensando bem, só uma algumas árias; « Che Gelida Manina », sem dúvida. Mas o meu velho portátil não deixa. Fazer o quê? Voltar para a varanda, sentir a pequena brisa que entretanto se levantou, sentar-me no meio do silêncio, que só permite o  som de uma rela com insónia, e viajar até ao Scala, onde, por  certo, terei à espera um Rudolfo que se empenha em aquecer a mão gelada de uma Mimi, frágil, frágil ( mão fria, coração quente, diz-se ).

Vai ser uma experiência única, embora corra o risco de gelar também, esquecida do frio da madrugada.


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publicado por Cristina Ribeiro às 18:04
Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

Sendo uma grande verdade que  o Estado se transformou " numa máquina ao serviço do poder ", não é menos certo que essa transformação começou a dar os primeiros passos em épocas anteriores - assistimos, isso sim, à continuação desse trabalho transformador.

E  isso da " prepotência de uma maioria absoluta que não soube aproveitar as excelentes condições que teve para governar " soa-me a " déjà vu ".

O historial da prática governativa anterior, do mesmo modo, leva a ter um pé atrás.



publicado por Cristina Ribeiro às 16:58
Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

" Uma pessoa conhece-se pela consciência como um veleiro pelas velas, e a de Herculano era vasta e de muito vento. O seu temperamento, tipicamente português. Oliveira Martins, que sabia de homens, chamou-lhe um « D.João de Castro do século XIX », e era; (... ) além de um homem de carácter.

Ora aí está o que Herculano foi toda a vida: um homem de vergonha. Essa verdadeira profissão o aparentou com os portugueses mais fortemente belos, e por isso mais duros de roer, que Portugal tem tido, como Sá de Miranda, que se retirou para a Tapada, como Herculano para Vale de Lobos; e digo principalmente Joaquim Mouzinho de Albuquerque, que, se não precisou de lições de ninguém para ser bravo, parece ter aprendido com Herculano o asseio e o estilo do Livro das Campanhas e da carta a D. Luís Filipe. ( ... ) o homem sério que encheu quarenta anos da vida portuguesa de algumas lágrimas bem choradas."

 

Vitorino Nemésio in « Herculano »



publicado por Cristina Ribeiro às 16:42
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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