Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

 

 

noites como aquela, pensava, e ia dizendo, ainda que não estivesse lá ninguém, afora o gato, para a ouvir, ao passo que afastava o banco da lareira -  cuidado com as fogueiras, Ti'Ana!,  dissera o Dr. João dias antes, quando passava à porta de casa dela, a caminho do posto médico.

Já o pai dizia não haver Maio que não rompesse uma croça.

Por isso não era de espantar aquele bater nas vidraças, da chuva que caía a bátegas. Sentia - isso sim! - era pena do bichano, que àquela hora gostava de dar a sua voltinha lá pelo monte, nunca se demorando muito, pois devia sentir a falta que lhe fazia tê-lo ao pé; sempre tinha com quem parolar, e como o via atento às suas falas, benzesse-o Deus!

Ali estava ele, todo enroladinho, num ronronar que para ela era aconchegante, a única criatura que não a abandonara ainda. E com ele ali, até as noites passavam mais depressa, ela que sempre tivera medo do escuro.

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:45

 

 

Terminava naquele dia a exposição, organizada pelo museu Van Gogh, de Amesterdão, « Rembrandt / Caravaggio », em que se realçava a convergência da técnica pictórica entre os  dois grandes pintores do Barroco , que nunca se tinham encontrado: nem no tempo, nem sequer no espaço, holandês o primeiro, italiano o segundo. E não queríamos perder a mostra, que se previa, talvez, acontecimento único.

 

 

Mas a Margarida, a sobrinha, estava cansada. Acabáramos de chegar de Delft, aonde foramos logo de manhã, e aí andáramos durante todo o dia, debaixo de um sol escaldante. Queria descansar.

Propusemos-lhe então ir eu e a mãe, à vez, visitar a exposição, enquanto a outra ficava com ela sentada no grande relvado. Que estava bem.

Eu seria a primeira a ir para a enorme fila do museu, tão grande que o museu  achara por bem alargar o horário.

Não tinham passado ainda  dois minutos, quando vi a Margarida, com a mãe, juntar-se-me na espera.

Que pensara melhor, e, depois de nos ter ouvido acentuar a  importância da exposição, tivera medo de depois arrepender-se se não fosse.


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publicado por Cristina Ribeiro às 22:37

 

 

 

 

( Lenço dos Namorados- Vila Verde )

 

 

em que o dia cede passagem à noite, mas em que no céu a lua já ocupara o seu lugar, e curava de não deixar as gentes nas trevas da escuridão, para acabar de bordar a perninha do M, entrelaçado com o A. E o lenço estaria pronto...

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 22:01

 

 

 

Uma garrafa com a forma de frade rechonchudo, no hábito castanho, cheia de água-pé. Castanhas, saídas do borralho, que queimavam as mãos.

Dia de S. Martinho. Continua a haver castanhas, mas o fradinho, esse,há muito que desapareceu.


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publicado por Cristina Ribeiro às 20:15
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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