Segunda-feira, 01 de Novembro de 2010

 

 

 

Nunca esta música - tão linda que é! - se integrou tão bem com as imagens.

A comoção renova-se a cada visionamento.



publicado por Cristina Ribeiro às 20:10

 

 

Continuando a leitura de « D. Carlos », de Casimiro Gomes da Silva, ontem iniciada, tiro da estante o livro homónimo de Rui Ramos, para reler algumas coisas que nele me prenderam a atenção ( sempre as associações...).

A frase " Os reis de hoje são, por vezes apenas, pouco mais do que celebridades, figuras que geram mais noticiários para as colunas de sociedade e revistas cor-de-rosa do que para as páginas de análise política. D. Carlos não foi um rei desses. ", lembra-me o escarcéu que se fez quando  o Príncipe Carlos, da Grã-Bretanha, entendeu ser seu dever intervir na vida pública do seu país. Qual o espanto de o futuro Chefe de Estado sentir como sua essa obrigação?

Se um dia aos portugueses for reconhecido o direito de escolher entre Monarquia e República, e, depois de desfeitos todos os mitos e mentiras que esta alimentou, se optar por aquela, só entenderei a mudança de regime se ao Chefe da Nação forem reconhecidos plenos poderes de governação ( o que modernamente sucede nomeadamente no Mónaco e em Liechtenstein, com o agrado popular ).



publicado por Cristina Ribeiro às 18:45

 

 
 

 

Há dois ou três anos, uma irmã foi à Jordânia, e o relato que então fez do que viu, e sentiu, naquele país, é agora corroborado pelo relato que, após uma visita, faz Jaime Nogueira Pinto, em que nos dá conta de um país árabe " especial ", civilizado, bem diferente dos países árabes que o rodeiam, onde a Educação é, realmente, uma prioridade ( e aposto que sem que ninguém alardeasse tratar-se de uma " paixão " ).

E tudo isso repousa na obra política da dinastia hachemita, de Hussein ben Ali e dos seus filhos Abdullah e Feisal (do Lawrence da Arábia), continuada pelo falecido rei Hussein, rei carismático, soldado, desportista, cosmopolita, com a sua série de rainhas


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publicado por Cristina Ribeiro às 18:31

Num dia cheio de sol, vejo os campos muito verdes.

Aqueles que os patos bravos não conspurcaram ainda, e, tendo memória de como tudo isto era há trinta anos, é inevitável dizer- o que fizeram deste País, desde então ! -, acusação que reforço quando leio as notícias nos jornais on line.

Por essa altura - começos dos anos 70 - já se começava a ver melhorias, sustentadas, no panorama geral: todos os dias via filhos de lavradores passarem à minha porta,  a fim de apanhar a camioneta que os levaria a Guimarães, onde frequentavam o ensino secundário. Não se ouvia falar de corrupção entre os políticos...

Agora grassa por todo o país uma imoralidade gritante: os tais que " são mais iguais " do que os outros  a acumularem reformas sobre reformas milionárias, enquanto entre os " menos iguais " cresce, de dia para dia, a miséria.

Quando se começava a sair do " buraco ", e se vislumbrava já a liberdade, eis que voltámos para trás. Faltará muito para igualar o lamaçal da 1ª República?

O que fizeram deste 'País!



publicado por Cristina Ribeiro às 18:17

que nos põem um sorriso nos lábios. O sol escoava-se já por entre as árvores, espalhando em redor uma luz  entre o laranja e o vermelho. Olho para o lado, onde uma figueira de grandes proporções, carregada de figos, me chama a atenção, e é-me dado ver um quadro que qualquer pintor gostaria de fixar com as tintas da sua paleta: prestes, talvez, a recolher as ovelhas, que comiam a última refeição do dia, um pastor dormitava debaixo da árvore. No seu regaço, pousava o focinho de um cão, também ele de olhos semicerrados.

Furiosa comigo mesma: lembrei-me de que não trazia a máquina fotográfica.


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publicado por Cristina Ribeiro às 18:09

do clima Algarvio, entre amigos, apetecia-me mesmo era, « Pela Noite Dentro », ouvir, bem alto, uma ópera bem cantada; « La Boheme », talvez.

Pensando bem, só uma algumas árias; « Che Gelida Manina », sem dúvida. Mas o meu velho portátil não deixa. Fazer o quê? Voltar para a varanda, sentir a pequena brisa que entretanto se levantou, sentar-me no meio do silêncio, que só permite o  som de uma rela com insónia, e viajar até ao Scala, onde, por  certo, terei à espera um Rudolfo que se empenha em aquecer a mão gelada de uma Mimi, frágil, frágil ( mão fria, coração quente, diz-se ).

Vai ser uma experiência única, embora corra o risco de gelar também, esquecida do frio da madrugada.


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publicado por Cristina Ribeiro às 18:04

Sendo uma grande verdade que  o Estado se transformou " numa máquina ao serviço do poder ", não é menos certo que essa transformação começou a dar os primeiros passos em épocas anteriores - assistimos, isso sim, à continuação desse trabalho transformador.

E  isso da " prepotência de uma maioria absoluta que não soube aproveitar as excelentes condições que teve para governar " soa-me a " déjà vu ".

O historial da prática governativa anterior, do mesmo modo, leva a ter um pé atrás.



publicado por Cristina Ribeiro às 16:58

" Uma pessoa conhece-se pela consciência como um veleiro pelas velas, e a de Herculano era vasta e de muito vento. O seu temperamento, tipicamente português. Oliveira Martins, que sabia de homens, chamou-lhe um « D.João de Castro do século XIX », e era; (... ) além de um homem de carácter.

Ora aí está o que Herculano foi toda a vida: um homem de vergonha. Essa verdadeira profissão o aparentou com os portugueses mais fortemente belos, e por isso mais duros de roer, que Portugal tem tido, como Sá de Miranda, que se retirou para a Tapada, como Herculano para Vale de Lobos; e digo principalmente Joaquim Mouzinho de Albuquerque, que, se não precisou de lições de ninguém para ser bravo, parece ter aprendido com Herculano o asseio e o estilo do Livro das Campanhas e da carta a D. Luís Filipe. ( ... ) o homem sério que encheu quarenta anos da vida portuguesa de algumas lágrimas bem choradas."

 

Vitorino Nemésio in « Herculano »



publicado por Cristina Ribeiro às 16:42
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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