Quinta-feira, 10 de Junho de 2010
é tão diversificada, que não caimos nunca na monotonia de ver a natureza a repetir-se.
                       Antes de pararmos na « Ponta do Sossego », é o Parque Natural da Ribeira dos Caldeirões, na freguesia da Achada, que nos prende a atenção, a começar pelo moinho de água, em granito, que tanto faz lembrar aqueles que, não há muito tempo, existiram aqui no Minho.
                                                                                  A grande cascata
 
que leva água ao ribeiro, pronto o leito para a receber,

 

 

para depois correr entre as pedras, qual remoinho, é mais uma das muitas coisas que nos fazem pensar " valeu a pena! "


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publicado por Cristina Ribeiro às 02:40
Terça-feira, 08 de Junho de 2010

                                                                                           

 

 

deu-se conta, muito tempo depois da mãe a ter avisado que a vida é para viver, e mesmo quando se escorrega, e se cai ao comprido, teria de se ter a força para se levantar e voltar a palmilhar o caminho que se abria à sua frente.

Tinha razão, mas não podia deixar de se interrogar porque é que, sendo a memória um dom divino, de tão extraordinária que era, não poderia a sua afamada selectividade ser mais completa ainda: esquecer, para todo o sempre, algumas dessas escorregadelas, das que deixam marcas indeléveis.


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publicado por Cristina Ribeiro às 19:28
Sábado, 05 de Junho de 2010

 

 

 

da « Ponta do Sossego », ao olharmos a Natureza a assim despertar para a Primavera,  também nós acalmamos, e enchemos as almas de calmaria, como calmo estava o mar ali ao lado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 00:55
Sexta-feira, 04 de Junho de 2010

 

 

Quando, há 57 anos, nasceu o meu irmão mais velho, a madrinha, que fora também a da minha mãe, disse-lhe para não se preocupar, que ela mesma compraria o vestido do futuro neófito.

Sabendo tratar-se de pessoa económicamente remediada, a mãe não se preocupou: o primeiro filho por certo teria um vestido-de-ver-a-Deus com a dignidade que uma mãe sonha para essa cerimónia, que o iria tornar cristão, como ela mesma,  os seus pais, e marido.

Na véspera do acontecimento, à noite, apareceu a dita senhora com o vestido; quando o viu, a minha mãe foi a correr refugiar-se no quarto a chorar - nunca lhe passara pela cabeça que o vestido pudesse ser tão feio!

Mas já nada podia fazer: o baptismo estava marcado para a manhã seguinte. Apenas uma ideia a consolou - quando tivesse o segundo filho não deixaria que ninguém comprasse o vestido: ela, e só ela, o faria.

         O que aconteceu logo no ano seguinte. Contou-nos que os dois, ela e o meu pai tiveram de fazer um grande esforço económico para comprar um vestido a gosto, mas disso não abdicavam.

O vestido que depois serviu para todos os sete filhos que se seguiram, para os muitos netos, e há-de vestir os bisnetos, atendendo ao bom estado de conservação. Só se reformará desse trabalho no dia em que, por escapar à vigilância de todos nós, pois que já o consideramos património familiar, alguma traça mais atrevida nele encontre repasto.



publicado por Cristina Ribeiro às 20:47
Quarta-feira, 02 de Junho de 2010

 

 

que vi onde " a terra acaba e o mar começa ", lá do outro lado do Atlântico.

E pensei que tinha sido de muito longe, do outro lado, que só podia imaginar, que as caravelas capitaneadas por Gonçalo Velho Cabral em 1432, a mando do Infante, tinham partido, com a suspeita já da existência de novos lugares, segredada por Diogo de Silves. Suspeita  confirmada quando, depois de tempos e tempos passados à deriva, o homem da gávea gritou " Terra à vista ": terra bendita, terra que se viria a confirmar o paraíso talvez sonhado por quem primeiro a avistou, corria o ano de 1427.

 

 

 

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 20:15
Terça-feira, 01 de Junho de 2010

 

 

 

" dar de comer a quem tem fome ", e jurava a si mesma não se deter perante nada ( e se me aparece pela frente uma daquelas borboletas de asas muito coloridas? Já as não vejo há tanto tempo... ),mas depois...

Depois meteria por aquele caminho, que muito percorrera, em busca das florinhas lilases que nasciam aos molhos nos muros, ainda a mãe era viva, e não sentia, como agora, o peso das responsabilidades, a que, tantas vezes,sentia soçobrar.

E, só então, se permitiria sonhar; já com a sensação do dever cumprido, essa sensação de que o pai não deixava escapar uma ocasião de falar.


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publicado por Cristina Ribeiro às 19:06
Terça-feira, 01 de Junho de 2010

 

 

 era certo que, depois daqueles dias todos de tormenta, o sol aí estava, para grande alegria do pai, sempre preocupado com as sementeiras, e com a poda que estava atrasada já.

Mas, se no exterior tudo amainara, o mesmo não podia dizer do que lhe consumia as entranhas: um desassossego, que as palavras do padre tinham tornado num tumulto do coração, quando falara em " lábios de mentira ".

Se ao menos a mãe estivesse viva...

              Mas a vida chamava por ela. O estômago do pai não tinha de pagar por estas suas divagações: afinal ele lá estava no campo, desde que o sol aparecera, a medo ainda.

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 18:38
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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