Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

 

Os tempos eram outros - quando cá em casa havia capoeira para criar frangos, pocilga para os porcos, e uma casinha, quase de bonecas, com telhado por onde se espraiavam os ramos de videiras, que servia de coelheira: aí, atrás da rede, seguíamos o crescimento daqueles animaizinhos, envoltos em nuvens de pêlo, que quase nos impediam de ver os seus olhos pretos.

Era esse telhado, relativamente baixo, e para onde subíamos escalando um pequeno muro, um dos locais preferidos para brincarmos, as irmãs e duas primas,às casinhas, mas também para lermos os livros do Noddy que requisitávamos na biblioteca ambulante da Gulbenkian.

Na época em que os cachos de uvas estavam ali mesmo ao nosso alcance, as saudosas e doces uvas americanas, não foram poucas as vezes que nos queixámos de dores na barriga. Ao ver os lábios roxos, era certo o ralhete materno; mas , mesmo assim, o máximo que podia acontecer era estarmos um ou dois dias sem as comermos, para depois tudo voltar ao normal.


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:54

 

Agora que já tinha duas irmãs grandinhas, nunca mais  pensei em jogar ao pião.Tínhamos de improvisar: ver sardinhas nas folhas da laranjeira, café na terra, arroz no areão, e pratos nos cacos de telhas partidas, mas a diversão estava garantida, com uma de nós a fazer de cozinheira, à vez, senão havia zanga pela certa.

Por vezes havia convidadas para o jantar, invariavelmente umas primas vizinhas, e lá vinha a cozinheira dizer que o arroz não chegava.

Por essa altura vendia-se na feira local umas bonecas pequeninas, de plástico, que custavam vinte e cinco tostôes - quando arranjámos dinheiro para comprar uma, passámos a ter uma filha, mas uma filha que era das três. Lembro de irmos à costureira, que nos fazia os vestidos, pedir sobras de tecido para vestirmos a nossa filha: coitada, nenhuma de nós tinha jeito para a costura, e parecia um espantalho...

Brincadeiras que me fazem sorrir quando as recordo. E como gosto de as recordar!



publicado por Cristina Ribeiro às 23:46

Não há partidos impolutos neste país, respondi a um comentarista.

Quando entrou em Portugal este sistema partidário, o meu pai disse que iria votar no " mal menor "; na altura achei que estava a exagerar, e quando chegou a minha vez de votar, votei nesse mesmo partido - o CDS - com convicção.

O tempo encarregou-se de esfriar essa convicção, que passou a ter altos e baixos - queria que o partido se definisse, contra ventos e marés; contra a ideologia dominante.

Há dias disse que me orgulhava de nele ter votado, por ter ido contra este PEC, manifestamente mau, onde se mantém a veia megalómana do engenheiro, à custa de sacrifícios impostos aos contribuintes. Hoje digo que tenho vergonha de ter votado no partido que viabilizou aquela coisa a que o Presidente da A.R. chamou o problema 300 do país. Sabemos que são muitos, mas que tal começar por um deles, seja o 300 ou o 400?

Gosto de repetir a frase de Marguerite Yourcenar «O Tempo Esse Grande Escultor », mas, além disso, ele é um grande desmistificador.



publicado por Cristina Ribeiro às 23:44

 

" E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles (os índios) se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado: e então tornaram-se a assentar como nós... e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção." - Carta de Caminha a El-Rei, 1º de maio de 1500

Um excerto da carta em que Pêro Vaz de Caminha informa D. Manuel que a armada sob o comando de Pedro Álvares Cabral chegara, a 22 de Abril, a terras que logo baptizaram de Vera Cruz. Nele se refere a primeira missa ali realizada . Foi no dia de Páscoa, que calhou a 26 do mesmo mês, faz hoje anos.

 

Dez anos antes, em 2000, a Páscoa foi no dia 23 de Abril. Fomos passá-la a Sousel. No dia anterior ficáramos em Ourém; o Sporting estava a um passo de ganhar o campeonato, e o jogo de Sábado com o Marítimo ( ? ) era decisivo Foi uma explosão de alegria quando ouvimos da vitória sportinguista.

Na manhã seguinte prosseguimos caminho ( iríamos passar lá a Segunda-feira, que por cá é dia feriado ), e, uma vez chegados à Pousada fomos

presenteados com uma reprodução daquela carta, que o EXPRESSO ( ? ).distribuira juntamente com o jornal

 

 

 

 

 

Coisas do nosso dia-a-dia, em que coisas tão prosaicas, como um campeonato de futebol, são associadas a outras que marcaram indelevelmente a história de um país...



publicado por Cristina Ribeiro às 23:20
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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