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O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

O Tempo Esse Grande Escultor

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...

Aquele céu cinzento, com as nuvens a correrem

Cristina Ribeiro, 06.04.10

 

para lugar incerto, mas velozes, era prenúncio de carga d'água, pensava a mulher vestida de negro, enquanto aconchegava a si o xaile. Toda a tarde soprara um vento que penetrava no corpo desprotegido. E parecia-lhe que se avizinhava uma trovoada daquelas a que só Santa Bárbara podia acudir.

Apressou o passo, que já sentia as primeiras gotas de chuva. Bem depressa essas gotas deram lugar a uma chuvada forte, e a mulher cobriu a cabeça com o xaile. No caminho, de terra, começavam já a formar-se poças com a chuva, que agora caía com mais força ainda

Sentiu enregelarem-se-lhe os ossos .

Já via a casa, com os dois cães muito agitados, como quem pressente que a natureza está zangada. Lembrou-se então do ramo de oliveira que guardara no último Domingo de Ramos.Em alturas assim, a mãe sempre a ele recorrera. E com o ramo na mão rezou à Santa.

Lá fora, os animais ganiam.