Terça-feira, 06 de Abril de 2010

 

para lugar incerto, mas velozes, era prenúncio de carga d'água, pensava a mulher vestida de negro, enquanto aconchegava a si o xaile. Toda a tarde soprara um vento que penetrava no corpo desprotegido. E parecia-lhe que se avizinhava uma trovoada daquelas a que só Santa Bárbara podia acudir.

Apressou o passo, que já sentia as primeiras gotas de chuva. Bem depressa essas gotas deram lugar a uma chuvada forte, e a mulher cobriu a cabeça com o xaile. No caminho, de terra, começavam já a formar-se poças com a chuva, que agora caía com mais força ainda

Sentiu enregelarem-se-lhe os ossos .

Já via a casa, com os dois cães muito agitados, como quem pressente que a natureza está zangada. Lembrou-se então do ramo de oliveira que guardara no último Domingo de Ramos.Em alturas assim, a mãe sempre a ele recorrera. E com o ramo na mão rezou à Santa.

Lá fora, os animais ganiam.


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:56
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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