Domingo, 04 de Abril de 2010

 

 

 

Como já não acontecia há muitos anos ( desde que começámos a passar a Páscoa em vários outros pontos do país, onde esta tradição estava ausente ), acordei, num dia cheio de sol, com as badaladas dos sinos da minha aldeia, e com o foguetório que anunciava a saída das cruzes.

Mas nem sempre foram estes os sinos que marcaram o meu Domingo de Páscoa.

Tendo nascido numa vila, era daí o compasso que nos visitava logo de manhã, tão cedo, que era grande a azáfama para reunir todos os irmãos na melhor sala da casa, onde esperávamos tão ilustre visitante, assim que ouvíamos as campainhas a anunciar a sua chegada. A mesa já posta com o melhor serviço de chá, coberta de doces da época. Sumo de laranja para alguns membros da comitiva, que iam passar o resto do dia a beber cálices de vinho do porto, nas várias casas que visitavam, e cujos donos tomavam como descortesia se o não fizessem; o pão-de-ló caseiro estava presente em todas as mesas. O padre - íntimo lá de casa, velho amigo de tertúlias nocturnas com o meu pai - sensatamente optava pelo chá. Mal o portador da cruz a pousava num dos sofás - a estadia prolongava-se por 20 minutos a meia-hora-, a mãe perfumava-a com um perfume fresco e delicado, tarefa que foi delegando, com o correr dos anos, à filha mais nova da altura.

Era hora do compasso ir visitar outra casa...

 

Por volta do Meio-Dia chegava o compasso da aldeia: é que se a casa principal se encontra em terras da vila, parte do terreno, onde se situa, por ex. a Casa do Forno, pertence a Sande, a terra natal dos pais,  aonde íamos à escola, à igreja, e onde moravam os nossos amigos.

Àquela hora já todos estavam fartos de doces, pelo que a sopa de favas que os esperava lá em casa era como maná caído do céu!

 

 

Era então chegada a hora da fotografia que todos os anos o fotógrafo local nos tirava, todos juntos no jardim. Todos de roupa nova, que era dia de festa: lembro em particular as fitas de seda, aos quadrados ou às riscas, que a mãe havia comprado para fazer os laços que prendiam as tranças das raparigas.


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publicado por Cristina Ribeiro às 12:03
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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