Segunda-feira, 22 de Março de 2010

 

ver, primeiro na National Gallery, depois no Victoria and Albert Museum, os quadros de John Constable teve em mim um impacto do encontro com o muito belo até aí desconhecido. Nele senti, talvez, ainda uma maior identificação com a natureza, onde o céu sempre ocupou um lugar de primazia. Nascido no condado de Suffolk, e, tal como o pintor londrino, muito facilmente reconhecido como seguidor da escola romântica, mas, em quem se vislumbram, também, já, laivos impressionistas, iria ser, do mesmo modo, na capital inglesa onde, ao fim de muitos embates com a Academia, acabaria por se revelar publicamente. Foi lá , também, que o fui descobrir.



publicado por Cristina Ribeiro às 12:19

 

mas ir a Londres significava, forçosamente, ir à National Gallery, e  também à Tate Gallery, e aí olhar os seus quadros, nas dimensões pensadas pelo pintor, apreciar as cores com que pintou a luz e as sombras, ele que sendo antes do mais um pintor romântico, é apontado como percursor do impressionismo. Nele admirei desde sempre as paisagens, a forma como se identificou com a natureza, e, claro, a presença do rio ou do mar nos seus quadros.



publicado por Cristina Ribeiro às 12:13

 

no fim do caminho quase escondido por silvas, uma pequena ermida, de arquitectura chã. Mas formosa, no inesperado da clareira que se estendia à nossa frente. Entrámos. Lá dentro apenas um monge, de hábito castanho, sentado no banco em frente de um altar despojado, fazia ouvir uma voz límpida, nos sons do canto gregoriano. Silenciosamente, sentámo-nos no último banco.

Quando acaba vira-se, e vê-nos. Vem ter connosco e fala-nos com um modo afável. Quando lhe perguntámos o porquê de um átrio tão grande, relativamente, numa capela tão pequena, diz-nos que era aí que pernoitavam os numerosos peregrinos que se dirigiam a Santiago de Compostela.


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publicado por Cristina Ribeiro às 12:06

 

mas, sem dúvida, a personagem preferida era Miss Marple, aquela " velha abelhuda " encantadora, que conhecia sempre um " caso " passado na aldeia, ao qual ia buscar a chave para desvendar cada crime novo, que deixava a polícia às voltas, feita barata tonta. Desenvolvera, durante a adolescência, uma paixão pelos livros de Agatha Christie, e como cedo ela passou às minhas irmãs, não foi muito difícil, entre todas, comprar a sua obra, editada pela « Vampiro Gigante ».

E agora ali estava eu, em Harrogate, no North Yorkshire, a cidadezinha termal onde a escritora centrara o mistério do seu próprio desaparecimento. A caminho de York, ia pernoitar num hotel Eduardiano," very cozy ", com as paredes cobertas de hera, o Saint George, e como sabia muitíssimo pouco sobre esse desaparecimento, perguntei à recepcionista se me podia dizer alguma coisa mais. Que não podia acrescentar muito, a não ser identificar o hotel onde se tinha escondido - chamava-se agora Old Swan ( não sabia se fora sempre esse o seu nome ), e disse-me qual o caminho a fazer para lá chegar. Quando o vi, acho que devo ter tido uma desilusão: um hotel normalíssimo, sem nada que fizesse lembrar os cenários descritos nos livros; o meu era muito mais charmoso.


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publicado por Cristina Ribeiro às 12:00

 

Terminava naquele dia a exposição, organizada pelo museu Van Gogh, de Amesterdão, « Rembrandt / Caravaggio », em que se realçava a convergência da técnica pictórica entre os dois grandes pintores do Barroco , que nunca se tinham encontrado: nem no espaço, nem no tempo no, holandês o primeiro, italiano o segundo. E não queríamos perder a mostra, que se previa, talvez, acontecimento único. Mas a Margarida, a sobrinha, estava cansada. Acabáramos de chegar de Delft, aonde foramos logo de manhã, e aí andáramos durante todo o dia, debaixo de um sol escaldante. Queria descansar. Propusemos-lhe então ir eu e a mãe, à vez, visitar a exposição, enquanto a outra ficava com ela sentada no grande relvado. Que estava bem. Eu seria a primeira a ir para a enorme fila do museu, tão grande que o museu achara por bem alargar o horário. Não tinham passado ainda dois minutos, quando vi a Margarida, com a mãe, juntar-se-me na espera. Que pensara melhor, e, depois de nos ter ouvido acentuar a importância da exposição, tivera medo de depois arrepender-se se não fosse.


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publicado por Cristina Ribeiro às 11:51

 

 

 Na Sexta-feira, ia eu carregada com vários sacos, quando um daqueles velhos lavradores de quem tenho falado, que do campo me vira pousar os ditos com frequência, a fim de recobrar forças, largou a enxada com que preparava a terra para o plantio do batatal, como me disse depois, quando inquiri,e veio perguntar-me:-" a comadre precisa de ajuda? " Comecei por ficar perplexa com tal tratamento, vindo de alguém que não conhecia, mas logo vi da bondade do mesmo. Depois de lhe agradecer, e dizer da não necessidade de ajuda, falei-lhe no quão bonito se achava o campo, todo aos talhões, e ele divagou sobre o tempo em que toda a aldeia era assim: " um brinco! ; agora...agora a gente moça não quer trabalho, mas emprego ".

Despedi-me e vim a matutar na sabedoria deste nosso povo simples.



publicado por Cristina Ribeiro às 11:47
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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