Domingo, 07 de Março de 2010

 

" ... de que recordo apenas ser muito íngreme ", dizia ontem  da rua onde passei algum tempo da mais tenra meninice. Hoje, depois de ter falado com o filho da D. Augusta, que casou cá no Norte, e vive em Braga, sei já que era a Rua Capitão Renato Baptista.

Mas se da Rua não tenho uma lembrança muito nítida, a não ser a de uma mercearia, onde a D. Augusta me levava muitas vezes, e aí recordo o orgulho, quase maternal, com que me mostrava, perguntando se não estava desenvolvida para a idade que tinha, o mesmo não acontece com a casa: nas traseiras, um pequeno pátio com uma pequena capoeira, onde o único habitante, hóspede de luxo, era um galo - o coquinhas - que só pernoitava lá: todo o resto do tempo andava livre pela casa, onde era rei e senhor; quando estávamos à mesa empoleirava-se no ombro de um dos três elementos da família, com um à-vontade de quem sabe que é bem vindo.

Três cágados passeavam-se pachorramente pela casa.

A senhora gostava muito de animais e era incapaz de os matar: uma vez,, o meu pai presenteou-os com um cabrito pequeno, que por lá ficou, até atingir a idade adulta, altura em que o enviaram para a aldeia do senhor Moreira, nas faldas da Serra da Estrela.


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publicado por Cristina Ribeiro às 11:56
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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