Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

 

leio: « A capota esquerda do avião solta-se e começa a bater, ameaçando a hélice. Olho Brito Paes e os nossos olhares compreendem-se. É a mesma voz a gritar-nos:

- «Avante! » É o povo de Portugal quem vai connosco e quem manda »

 

Reconhece-se nestes dois pioneiros da aviação portuguesa a fibra do marinheiro que enfrentou o Mostrengo, em nome de El-Rei D. João II e do « povo que quer o mar que é teu ».

 

« Na travessia da costa norte do continente africano,que pela primeira vez ia ser tentada, Portugal teria novamente oportunidade de abrir ao mundo rotas ( agora aéreas ) ignoradas ainda »: não, a gesta pioneira não se esgotara nos Descobrimentos.



publicado por Cristina Ribeiro às 18:42

 

que bem o sinto, na varanda onde procurei um pouco desse ar, opto por ler um livro que me foi oferecido no Sábado, e que dá conta de mais uma glória portuguesa por muitos de nós desconhecida- pelo menos até esse dia nunca eu tinha nela ouvido falar. Trata-se do livro « De Portugal a Macau», da autoria de José Manuel Sarmento de Beires, oficial da aviação, que, juntamente com António Jacinto da Silva Brito Pais, e Manuel Gouveia ( mecânico que destaca como « exemplo raro de fé, de idealismo e de dedicação » ), liga, por via aérea, quase em simultâneo com a travessia do Atlântico Sul, por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, Portugal Continental a Macau



publicado por Cristina Ribeiro às 18:35

 

Não pretendendo sequer chegar aos calcanhares dos irmãos Castelo-Branco ( levados da breca! ), declaro-me uma " quietinha ", que, o máximo até onde ia era o roubo de uns ovos da capoeira materna, para fazer gemadas à socapa. Nem por isso me livrei do epíteto de Maria-rapaz, só porque, tendo como únicos parceiros de brincadeira, antes de ir para a escola, quatro irmãos, pedi à minha mãe um pião e respectiva fieira, quando era suposto brincar às casinhas. Tive de esperar a vinda de uma irmã, pois.



publicado por Cristina Ribeiro às 18:28

 

Era o Natal dos meus seis, sete anos- e penso-o assim porque havia já algum tempo que me tinham caído os dentes de leite- ; na véspera colocáramos, como sempre, cada um de nós, um sapato no fogão de lenha, e só íamos ver os presentes na manhã seguinte, assim que os pais autorizassem. Dessa vez fui a primeira a chegar, e vi que no meu sapato estava um fantoche de uma velha desdentada, enquanto no de uma irmã mais nova estava uma princesa de vestido azul e coroa- trocá-los foi uma questão de segundos. Quando a minha irmã chegou e viu o que lhe coubera em sorte, lamentou-se:

-" O Menino Jesus enganou-se; eu não sou a mais velha. "

 

E, claro está, que os meus pais nada puderam dizer.



publicado por Cristina Ribeiro às 18:17

 

na pousada da Senhora das Neves, em Almeida. Era o fim-de-semana prolongado do 1º de Dezembro, e íamos visitar alguns dos lugares onde se tinham desenrolado embates decisivos da Guerra da Restauração, como Castelo Rodrigo, onde as gentes da Beira sobressaíram na batalha da Salgadela. Visitámos outras Aldeias Históricas, entre as quais a de Castelo Mendo. Vazia nas suas ruas lindamente empedradas, onde só vimos alguns cães, que por ali vagueavam, encontrámo-la bonita, com belíssimas casas de granito, com uma bem preservada muralha do tempo de D. Sancho II, reforçada no reinado de D. Dinis, começou por deixar uma boa impressão no grupo alargado de uma vasta família,protegida contra os rigores de um Inverno que ainda não tinha chegado, mas que ali se fazia sentir já. Essa impressão idílica, porém, iria ser assombrada pouco depois, com a visão de uma rapariguinha que, debaixo de um vento gélido, pastoreava uma vaca, certamente alheada da beleza que acabara de nos deliciar. Lembro de ter pensado que, tivesse ela oportunidade, e logo voltaria as costas àquela terra que só os forasteiros podiam ver com lentes cor-de-rosa. Um retrato eloquente dessa macrocefalia de que fala o Pedro.



publicado por Cristina Ribeiro às 18:09
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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