Domingo, 06 de Dezembro de 2009

 

certamente ao alcance da sua inteligência e da sua curiosidade intelectual. Operário têxtil quando a necessidade lhe impôs começar a ganhar cedo a vida, pertencia a essa honrada e insatisfeita família de autodidactas que se formam no convívio dos livros e dos letrados. A sua vocaçãopara a intervenção social e cultural levou-o a múltiplas iniciativas, a colaborar em jornais e, sem grandes meios financeiros, a ser livreiro e editor. Com a chancela da Livraria Pax, de Braga, editou dezenas e dezenas de livros de ficção, poesia, ensaio e crítica. Ali vemos, acenando-nos da estante, autores como Azinhal Abelho, Amândio César, Rodrigo Emílio, Pinharanda Gomes, Álvaro Ribeiro...Não era a mira do lucro que movia o editor ( não são comerciais esses autores ) mas um acto de serviço a valores não apenas literários. Um dos maiores desgostos da sua vida foi o desaparecimento, contra sua vontade, da Livraria Pax, travestida por mudança de ramo em pronto-a-vestir. Não faltam hoje livrarias e editoras que parecem um pronto-a-vestir..." ( João Bigotte Chorão ) Na mesma ocasião, perguntava o amigo blogger se havia algum livro evocativo do editor bracarense. A busca foi então mais fácil, pois que logo o encontrei na biblioteca paterna, numa edição, muito reduzida, levada a cabo por sua mulher. Lembro-me bem da Livraria Pax, onde, nas palavras do escritor Bernardino Amândio, " se reuniam intelectuais, escritores, jornalistas, num salutar convívio em que José Moreira marcava a sua presença com intervenções sempre vincadas pelo brilhantismo da sua muito consolidada cultura ", porque foi lá que adquiri os primeiros livros, já com meios próprios, e aí conheci o livreiro já numa fase bem adiantada da sua doença, mas a fazer jus à máxima " as árvores também morrem de pé ".


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publicado por Cristina Ribeiro às 01:47

 

mas não senti a presença de fantasmas a clamar por vinganças, enquanto sussurravam, sem que os pudesse ouvir, que " algo está podre no reino da Dinamarca ". O ambiente Shakespeareano, vim encontrá-lo, antes, em « Elsenor », onde, numa casa igualmente grande e fria, num monólogo feito de lágrimas e poesia, um homem vai chorando a podridão do que o rodeia. A ausência da mulher amada, musa inspiradora de música que enchia o reino agora vazio.


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publicado por Cristina Ribeiro às 01:42

 

Lendo, porém, mais um capítulo de « O Escritor na Cidade », de João Bigotte Chorão, sei da sua faceta de memorialista, um género literário que me encanta. Que escreveu, entre outros livros de memórias, que, leio na Wikipédia, " são uma interessante fonte para o conhecimento da política portuguesa na última metade do século XIX ", «Sob os Ciprestes », onde evoca " a grande trindade romântica de Garrett, Castilho e Herculano », e fico a saber que o escritor « pinta com mão comovida, mas firme, o quadro em que vive e domina Herculano », ele que nesse exercício de recordar diz « Eu pinto uma época ». E assim parece ser , quando ouvimos de Bigotte Chorão, ser o poeta-memorialista « autor de uma pintura de costumes ou de género, em que as personagens e o meio ambiente surgem com toda a minúcia e nitidez, como na arte holandesa ». Mais adiante, vejo, já mais próximo de nós no tempo, Fidelino de Figueiredo reflectir o memorialismo como « a posição de espírito de quem se deleita em recordar e entesourar lembranças ». E fecho esta reflexão com aquela frase emblemática de Tomaz de Figueiredo « Ah! , mundo esmagador das recordações. Emendadas umas nas outras, aboiando como de mar sem fundo ».



publicado por Cristina Ribeiro às 01:33
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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