Quinta-feira, 03 de Dezembro de 2009

Talvez porque uma irmã vai amanhã para Londres, e morro de inveja dela, tento revisitá-la com a ajuda da memória, reconstituir aquela que foi a minha primeira visita à cidade do Big Ben. E porque já estamos no dia em que se comemora O Dia da Vitória, tão intimamente ligado ao homem de génio que foi o Primeiro Ministro britânico da altura, passo directamente ao segundo da minha estadia. Munida de mapa e de guia dirigi-me ao edifício onde então funcionava o War Cabinet, ao lado do qual se encontrava agora o Churchill Museum. Lembro ter sentido essa visita de uma forma quase eufórica: estava a ver " in loco " um sítio que sempre me fascinara, desde que comecei a interesssar-me pela II Guerra Mundial, e isso fora muito tempo antes, quando na Normandia visitei o Museu do Desembarque, em Arromanches. E foi com emoção que lembrei as palavras então por ele ditas: « Nada tenho a oferecer a não ser sangue, esforço, suor e lágrimas ».


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publicado por Cristina Ribeiro às 22:59

Andava no Liceu quando um amigo me ofereceu um livro de Virginia Woolf - «Orlando. Uma Biografia ». Como nunca ouvira falar de tal escritora, interroguei-o Quem era ela?; que pertencera a um marcante grupo literário inglês: o grupo de Bloomsbury. Lembro-me de que na altura procurei saber um pouco mais, e ficou a promessa de que, se algum dia fosse a Londres tentaria encontrar essa parte da capital inglesa, que me pareceu digna de visita, e esqueci o assunto. Na primeira vez que lá fui, as prioridades foram outras, pelo que o encontro ficava adiado, mas quando lá voltei não podia protelá-lo mais, até porque, entretanto, soubera que aí se encontrava o Museu Britânico, que toda a gente me dizia ser imperdível.

Do hotel dirigi-me directamente ao museu, pensando deixar para a parte de tarde a visita à praça, que sabia já, por fotografias, ser bonita, e arredores. Mas as contas saíram-me furadas, pois que só saí do edifício pouco antes de encerrar: tudo me fascinava... Comecei por visitar uma exposição especial dedicada à Pedra Roseta, onde logo encontrei uma senhora portuguesa com os quatro filhos, todos pequenos. Encantou-me a curiosidade deles e a acutilância das suas perguntas - via-se que se tratava de crianças habituadas a visitar museus. Seguiu-se a Sala Egípcia, as Gregas ( com os maravilhosos mármores de Elgin ) e tantas mais. Cansada, mas satisfeita. No dia seguinte, depois de uma noite de descanso dos pés maltratados, dirigi-me então ao bairro cheio de praças ajardinadas, sem falhar uma visita aos vários Departamentos Universitários ali ao lado.


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publicado por Cristina Ribeiro às 22:53

 

Estava, pois, muito claro na minha cabeça: Londres seria o destino primeiro de uma provável futura viagem - sabia-o, ou antes, desejava-o - desde pequena. E quando tal se propiciou, lá fui à agência de viagens, cheia de expectativas, mas também de receios: era a primeira vez que ia ao Estrangeiro sozinha!, razão porque tratei que alguém da agência inglesa me fosse buscar ao aeroporto. Chegada a Gatwick, logo encontrei o meu " salvador "... À medida que íamos atravessando a cidade, ia-me apontando : este é o Hyde Park, o Serpentine, ali o Marble Arch...e eu a dizer-lhe, mais uma vez, que estava a realizar um sonho de criança...; simpático, ria-se deste meu deslumbramento. Como era cedo ainda, e o Hotel, vi no mapa, não ficava longe de Charing Cross Road, fui procurar a para mim já mítica Marks & Co., onde vira Anthony Hopkins vender livros raros. Já lá não estava, mas depressa vi que , se quisesse, facilmente me podia perder entre livros, não raros, certamente, mas ainda assim muitos livros... Apreciadora de biografias, não me foi muito difícil optar por uma de Jane Austen, que comecei a ler naquele mesmo dia, continuei a ler sentada na relva dos parques londrinos, e viria acabar já em Portugal. A Jane Austen que, dois anos depois, esteve na origem desta viagem.


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publicado por Cristina Ribeiro às 22:52

 

Pego no belo e nostálgico post do Nuno sobre os coretos de Lisboa - em Carnide, onde vivi uns anos, havia um, mas nunca lá vi uma banda a tocar ( e por cá passa-se a mesma coisa: lembro-me de, em criança, todos os Domingos ir ouvir a banda, muito boa aliás, e que agora, todos os anos, só oiço quando vem cá a casa tocar as Janeiras ) -, para fazer mais uma incursão pelo que de bonito retive da capital inglesa: era Domingo, e depois de passear pelas ruas de Londres fui sentar-me frente ao lago, no Hyde Park, apreciar os movimentos elegantes dos cisnes, quando ouvi, ao longe, o som de metais. Fui ver de onde provinha, e deparei com muita gente sentada em frente ao coreto, onde uma banda tocava « Pompa e Circunstância », de Elgar. Não era a primeira música que tocava, mas sentei-me na relva a ouvir o resto do concerto, que lembro ter acabado com « God Save The Queen », com toda a gente, respeitosamente, de pé.


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publicado por Cristina Ribeiro às 22:40

 

Era o meu primeiro aniversário que ele passava longe; e ele era o meu irmão mais velho, que, no início desse ano, tinha ido estudar para Lisboa. Nesse dia recebi das mãos do senhor Hernani, o carteiro, um envelope amarelo, que ainda hoje guardo, e, dentro dele um postal com umas bailarinas vestidas de azul, retratadas num momento de descanso. No verso da imagem um nome, de que nunca ouvira falar: Degas. Fora ele que mo enviara. Anos mais tarde, numa ida a Londres, na fila para entrar na National Gallery, vi que, além da exposição permanente, tinha, a troco de umas poucas libras, a possibilidade de visitar uma mostra da obra toda do pintor - claro que não desperdicei a oportunidade, pelo que, dessa vez, muito do tempo passado no museu foi a admirar as suas pinturas, mas também as esculturas que, li no catálogo que acompanhava o bilhete, vinham de vários outros museus, para, no que seria talvez um momento raro, reunir todo o trabalho de uma vida. No fim, depois de ver a exposição a ele dedicada, pouco tempo sobejou para ver alguma coisa da exposição residente, pelo que pensei ter encontrado um bom pretexto para voltar a Londres.


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publicado por Cristina Ribeiro às 22:32
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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