Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

 

para ler umas páginas mais das « Crónicas» de António José Saraiva ( quando não estou a ler ficção, vou lendo vários livros ao mesmo tempo ) e paro no excerto em que se refere à importância de interiorizarmos o conceito de Pátria: " O mundo é feito de diferenças, de coisas diferentes e definidas. Ora nós, se queremos ser alguma coisa, temos de ser portugueses. Temos de ter a Pátria portuguesa".

 

Novembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 19:09
Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Pôs-se, então, a falar com os seus botões:  os botões de camélia que ele lhe dera,

 

 

pensando talvez que essa oferta seria uma panaceia para todos os males que lhe fizera nascer no coração. Cada um desses botões era uma promessa de ver desabrochar uma daquelas flores tão perfeitas. Farta de ver promessas desmoronarem-se, não iria deixar aquelas murcharem. Até pô-las em água, logo que chegasse a casa, iria falando com os seus botões- ouvira dizer que as plantas gostavam que se falasse com elas.

 

 

Novembro de 2008


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publicado por Cristina Ribeiro às 18:59
Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

 

 com as folhas de tília caídas- que as noites têm sido ventosas-, não para se aquecer, que frio não fazia, mas para tornar " mais limpo " o paul. Distraí-me do facto de achar encanto neste tapete castanho, para lembrar ( que seria de mim sem as minhas memórias? ) as vezes que fui, com as irmãs e primas mais velhas, apanhar folha para amaciar a cama dos porcos, evitando-lhes assim o contacto, doloroso, com o tojo, aquela planta espinhosa de flor amarela. A tornar mais rica esta evocação, juntam-se então as memórias da minha mãe: " Chegávamos a pegar-nos à bulha, porque cada uma de nós queria ajuntar a maior quantidade de folha possível ". Sabia agora da importância que estes quadrados irregulares, que o vento lançava ao chão, tiveram no passado; tanta, que podia ser motivo de peqquenas desavenças.

 

Novembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 18:53
Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

 

« ' Terra de verdura e de névoa: terra sem ossos ' - chamou Miguel de Unamuno, espanhol nosso amigo, ao Minho e à Galiza. Mas os ossos que faltam à terra húmida e fértil, sobram ao homem próvido. O Minho é a província da pobreza seivosa e dos lameiros quase humanos. Ali, a gente e a terra fundem-se numa harmonia profunda e sofrida. A vida é dura mas alegremente levada. O cabaneiro agarra-se com igual denodo à soga dos bois, ao sacho do milho regadio e à tesoura de podar. No dia de festa do santuário larga tudo pela maceta do bombo ou pelo fole da gaita céltica. De Barcelos a Viana e de Braga a Monção estrugem foguetes de arraial, os caminhos enfeitam-se da saia barrada de Afife e dos peitos constelados de cordões »

Assim começa uma nova página do diário de bordo deste « ilhéu embarcadiço », quando, na esteira do por ele apanhado desprevenido, subindo o Chiado, Garrett, se recusa a viajar no seu quarto, antes decide empreender estas « Viagens ao Pé da Porta ». Viagens que, iniciadas em 1935 , em Azeitão, só virá a concluir trinta anos depois, mais precisamente a 20 de Junho de 1966, em São Miguel de Seide, na « Meca de Camilo ».

 

Março de 2009



publicado por Cristina Ribeiro às 21:19
Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

 

« Recém chegado à Terceira, passo uns dias na Praia, para ver os parentes, e logo volto a Angra, onde me instalo uma semana, em casa de família também. Venho achar tudo intacto: a ilha perpetuamente redonda e cinzenta no horizonte ( verificação de bordo ); os montes, carnudos e cínzeos, embrulhadoa num eterno pano de névoa; e os campos, quietos, talhados aos quadradinhos nas achadas e nos vales. Mas a maior constância (...) é a das pessoas, a dos hábitos, a das coisas e casas (...) - o corpo da ilha e a sua alma estão concordes comigo: Nada aqui se alterou »

( Vitorino Nemésio in « Corsário das Ilhas » - Encontro de Angra - )

E, do mesmo modo, como gostaria de ouvir este Homem,cujos dotes comunicativos, de uma cultura tranbordante, me foram asseverados por quem teve o privilégio de assistir aos seus « Se Bem Me Lembro »; isto se a nossa Televisão a tanto se dignasse- saudades de um futuro que só pode existir no nosso imaginário.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 20:47
Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

 

 

 

 

 

é, também, o que escreve: "Este homem elegante e amadurecido que sobe o Chiado de mão metida no colete e vai parando nalguns escaparates para fingir que não tem pressa de chegar lá a cima, às Portas de Santa Catarina, o que tem são falhas de coração. Se não está velho, está gasto. É o ano da graça de 1852: façam os senhores um esforço e sejam, comigo,desse tempo. O nosso elegante, mais tarde, vai dar o nome à rua que hoje lhe custa a subir. Em vão. Será batido pelo revisteiro do século XVI que por ali andou. O elegante transeunte está com cinquenta e três anos, mas faz-se distraído de idades e nunca passa dos quarenta. No fundo mente mal; porque na alma, na verdura, no sangue, está com os vinte e três que tinha quando, casado de fresco, fugiu para Inglaterra, ou com a idade de Cristo que levou para Bruxelas como Encarregado de Negócios, para florear na conversa e dançar com uma ponta de fastio e um ardor secreto, triste." Vemos, pois, pelos seus olhos, um Almeida Garrett longe dos fulgores da juventude, ou nem tanto assim.



publicado por Cristina Ribeiro às 20:37
Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

 

 vencedor de vários prémios Gramophone, e descrito pelo New York Times como " o mais completo pianista da nova geração " só podia mesmo ser " música para os ouvidos ", mormente quando fez soar no instrumento as notas escritas por Beethoven para a Sonata op.27, «Quasi una Fantasia ». Mas esta minha primeira incursão pela Casa da Música não teve para os olhos a mesma impressão divina: antes me fez suspirar pelo velhinho Coliseu. Confortável e com boa acústica, senti-lhe,no entanto, a falta do ambiente visualmente acolhedor.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 20:12
Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

 

- Estou aqui há um bom bocado, divertindo-me ao ver aquela donzela teimando montar o cavalo, que a não suporta no lombo...

-Ah! sei de quem se trata; até parece ter apostado com alguém que o conseguiria...

- Não achais que seria uma boa acção dizer-lhe que mais vale burro que a leve do que cavalo que a derrube?

-Hmm! está-me cá a parecer que vos preparais para escrever uma das vossas famosas sátiras. Só espero que não ponhais na boca da pobre Inês aquela linguagem brejeira...



publicado por Cristina Ribeiro às 00:32
Domingo, 25 de Outubro de 2009

« Em 1940, o Alto Estado-Maior espanhol elaborou, a pedido de Franco, um plano de ataque a Portugal, com a ocupação de Lisboa e a tomada de toda a costa nacional.( ... ) Ao longo de quase 70 anos, o Plano de Campanha nº 1 (34), o grande projecto de Franco para invadir Portugal, delineado em plena II Guerra Mundial (1940), esteve "adormecido" nos arquivos da Fundação Francisco Franco (...) até porque uma das grandes orientações da política externa de António de Oliveira Salazar, durante o conflito mundial, consistia na independência nacional face à ameaça da anexação espanhola. Mas só recentemente foi possível confirmar que os temores de Salazar tinham justificação. Espanha acalentava o sonho de um império norte-africano (... ) Tudo isto seria realizado sem o conhecimento prévio de Hitler e Mussolini. (...) Contudo, após iniciados os ataques a Gibraltar e a Portugal, Espanha previa o apoio da aviação alemã, "nomeadamente com o reforço de bombardeiros e caças ( ... ) Em Dezembro de 1940, quando Franco escreveu, assessorado pelo AEM, que decidira atacar Portugal - "Decidi [...] preparar a invasão de Portugal, com o objectivo de ocupar Lisboa e o resto da costa portuguesa" -, o Tratado de Amizade e Não Agressão, firmado pelos dois países em Março de 1939, não passava de um documento sem importância para o "Caudilho" ( ... ) "inquietantes" palavras de Serrano Suñer, ministro dos Assuntos Exteriores espanhol, ao seu homólogo alemão, Joachim von Ribbentrop, datadas de Setembro de 1940: "(...) ninguém pode deixar de se dar conta, ao olhar para o mapa da Europa, que, geograficamente falando, Portugal na realidade não tinha o direito de existir. Tinha apenas uma justificação moral e política para a sua independência pelo facto dos seus quase 800 anos de existência". Ros Agudo ( historiador de História Contemporânea na Universidade de Madrid ) acredita que estas palavras, proferidas em Berlim, foram "encomendadas" a Suñer por Franco, com a intenção de averiguar "a reacção de Hitler perante a ideia de um Portugal integrado num futuro grande Estado ibérico". Mas "o Führer não quis fazer qualquer compromisso sobre este assunto"; "É possível que, sob uma Nova Ordem europeia, na eventualidade da vitória fascista e da derrota da Grã-Bretanha, Franco tivesse permitido a existência de um Portugal marioneta, fascista e inofensivo" »

Todas as manobras com vista ao " silenciamento " de Portugal, aqui.


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:28
Domingo, 25 de Outubro de 2009

a pergunta de Pedro Félix: " Sobre o Holocausto nazi são incontáveis os filmes e as séries produzidas para lá dos rios de tinta em livros e publicações diversas. Fora o que ainda está por fazer. Sobre as atrocidades do comunismo muito raros formam os filmes que vi no circuito comercial. Será por as fardas soviéticas serem mais feias ? " Realmente; o crime é igual, diferença de " quantos " para cada lado ( acho que o comunismo ganha, pois que os seus malefícios foram - e continuam a ser - muito mais duradouros )...

 

João Amorim avança uma explicação: "É o complexo do pêndulo. Acham que por salientar muito mais um lado vão esmorecer o outro ".



publicado por Cristina Ribeiro às 23:19
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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