Domingo, 25 de Outubro de 2009

« Em 1940, o Alto Estado-Maior espanhol elaborou, a pedido de Franco, um plano de ataque a Portugal, com a ocupação de Lisboa e a tomada de toda a costa nacional.( ... ) Ao longo de quase 70 anos, o Plano de Campanha nº 1 (34), o grande projecto de Franco para invadir Portugal, delineado em plena II Guerra Mundial (1940), esteve "adormecido" nos arquivos da Fundação Francisco Franco (...) até porque uma das grandes orientações da política externa de António de Oliveira Salazar, durante o conflito mundial, consistia na independência nacional face à ameaça da anexação espanhola. Mas só recentemente foi possível confirmar que os temores de Salazar tinham justificação. Espanha acalentava o sonho de um império norte-africano (... ) Tudo isto seria realizado sem o conhecimento prévio de Hitler e Mussolini. (...) Contudo, após iniciados os ataques a Gibraltar e a Portugal, Espanha previa o apoio da aviação alemã, "nomeadamente com o reforço de bombardeiros e caças ( ... ) Em Dezembro de 1940, quando Franco escreveu, assessorado pelo AEM, que decidira atacar Portugal - "Decidi [...] preparar a invasão de Portugal, com o objectivo de ocupar Lisboa e o resto da costa portuguesa" -, o Tratado de Amizade e Não Agressão, firmado pelos dois países em Março de 1939, não passava de um documento sem importância para o "Caudilho" ( ... ) "inquietantes" palavras de Serrano Suñer, ministro dos Assuntos Exteriores espanhol, ao seu homólogo alemão, Joachim von Ribbentrop, datadas de Setembro de 1940: "(...) ninguém pode deixar de se dar conta, ao olhar para o mapa da Europa, que, geograficamente falando, Portugal na realidade não tinha o direito de existir. Tinha apenas uma justificação moral e política para a sua independência pelo facto dos seus quase 800 anos de existência". Ros Agudo ( historiador de História Contemporânea na Universidade de Madrid ) acredita que estas palavras, proferidas em Berlim, foram "encomendadas" a Suñer por Franco, com a intenção de averiguar "a reacção de Hitler perante a ideia de um Portugal integrado num futuro grande Estado ibérico". Mas "o Führer não quis fazer qualquer compromisso sobre este assunto"; "É possível que, sob uma Nova Ordem europeia, na eventualidade da vitória fascista e da derrota da Grã-Bretanha, Franco tivesse permitido a existência de um Portugal marioneta, fascista e inofensivo" »

Todas as manobras com vista ao " silenciamento " de Portugal, aqui.


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:28

a pergunta de Pedro Félix: " Sobre o Holocausto nazi são incontáveis os filmes e as séries produzidas para lá dos rios de tinta em livros e publicações diversas. Fora o que ainda está por fazer. Sobre as atrocidades do comunismo muito raros formam os filmes que vi no circuito comercial. Será por as fardas soviéticas serem mais feias ? " Realmente; o crime é igual, diferença de " quantos " para cada lado ( acho que o comunismo ganha, pois que os seus malefícios foram - e continuam a ser - muito mais duradouros )...

 

João Amorim avança uma explicação: "É o complexo do pêndulo. Acham que por salientar muito mais um lado vão esmorecer o outro ".



publicado por Cristina Ribeiro às 23:19

Extremistas também. Sim, porque se há quem negue, ou " desconheça " a existência dos Gulags, há os que negam a existência do Holocausto. Realidades, e portanto coisas " que não são matérias de discussão "; os números, só, talvez.



publicado por Cristina Ribeiro às 23:14

" Não sei que questão concreta dos direitos humanos..."



publicado por Cristina Ribeiro às 23:09

 

vem à baila aquele que é o ponto de partida para tais festejos- A Noite do Pinheiro, aquela que é dedicada não só aos actuais estudantes, mas também aos antigos, entre os quais me incluo. Andava ainda no Liceu quando comecei a fazer parte da multidão de jovens e de não tão jovens, que enchia as ruas da cidade: era uma altura em que, mandava a tradição, só aos homens era permitido tocar, em uníssono, os bombos e caixas, os quais chegavam ao fim com a pele em frangalhos, de tanto a massacrarem as baquetas. Meados de Novembro começavam já a ouvir-se os toques, num treino para que, chegado o momento, nenhum tocador fugisse ao ritmo, para que ninguém destoasse. Nos primeiros anos jantávamos, o grupo de amigos, em casa de cada um, os de fora da cidade, como eu, na casa de um deles, para depois, em hora combinada, nos juntarmos para aquecermos a noite, que se quer bem fria, com uns cálices de Vinho do Porto- íamos então para a rua, esperar o cortejo de carros de bois, que transportava o Pinheiro, sempre muito grande, saído do Terreiro do Cano, junto do Campo de S. Mamede, para se dirigir ao de S. Gualter, onde era enterrado,depois de percorrer as várias ruas.Os toques dos bombos eram uma constante... Quando passei a ex-nicolina, foi a vez de me juntar aos mais velhos- alguns sexagenários já- no Jantar Nicolino, no Restaurante Jordão, que agrupava ex-alunos de várias gerações, num convívio único.... A ementa era sempre igual: rojões à nossa moda,e papas de serrabulho, acompanhadados por um vinho verde carrascão ( que no meu caso dava lugar ao vinho tinto maduro). No fim servia-se a aletria, e as castanhas assadas finalizavam o repasto. Estávamos prontos para enfrentar o gélido da noite, sem que ninguém dispersasse, e então era ver a vontade com que os mais velhos atacavam os tambores, de maçaneta em punho

 

Dezembro de 2008.



publicado por Cristina Ribeiro às 20:07

 

Foi numa sala cheia, uma sala que imagino com algo da grandiosidade do S. Carlos, e que lembra apontamentos da ópera de Budapeste, que há dias assisti à magnífica prestação do Ballet Imperial Russo, o qual integra várias Escolas de bailado desse país que nesta arte dá cartas, integrando, inclusive, elementos do Teatro Bolshoi, no bailado com a música de Tchaikovsky, « O Lago dos Cisnes » : uns " cisnes ", leves, leves, de uma delicadeza de gestos... E o facto de a sala estar cheia que nem um ovo mostra a fome destes acontecimentos que por aqui grassa.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 20:01

 

para ir ao meu único Baile Nicolino, numa noite de 7 de Dezembro, no ano em que fui finalista, mas acho que teria gostado. Foi no Ginásio Maior do Liceu, e culminou aquela semana de festejos que vivi com uma maior intensidade do que nos anos anteriores. Sabia que as coisas iam mudar, e a vida de estudante liceal iria dar lugar ao de Ex-Nicolina. Teria sempre O Pinheiro.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 19:56

 

que as Festas Nicolinas atingem um dos seus pontos altos- As Maçãzinhas. Há nesta festividade alguma similitude, ainda que longínqua, com os Torneios e Justas Medievais- munidos de compridas lanças, encimadas de fitas de várias cores, solicitadas às amigas já nos inícios de Novembro, os estudantes presenteiam as damas, que se encontram nas varandas da cidade, com pequenas maçãs; por sua vez, estas retribuem o gesto cavalheiresco com pequenos presentes, que atam à mesma lança, depois de aceitarem o corado fruto.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 11:18

 

a Igreja festeja o Santo que, nascido em fins do Séc. III, na Ásia Menor, terá sido Bispo de Mira, na Turquia, já no Séc. IV. Tendo sido o primeiro Santo a preocupar-se com a educação, é S. Nicolau o Patrono dos estudantes, mas porque foi grande protector das crianças, e afamada a sua generosidade, bem cedo o seu nome foi associado ao Natal e à distribuição de presentes.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 11:12

 

mas, depois do que na blogosfera já me foi dado saber, cheguei a duas conclusões: não poderia estar mais longe das suas ideias, pois que nunca entenderei o anti-semitismo, mas sei também que se trata de um escritor de primeira água. É esta sua faceta que me proponho buscar, numa próxima ida à livraria.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 11:08

 

E foi no dia 5 de Dezembro que, nas escadas do Liceu de Guimarães, ouvi o meu primeiro Pregão Nicolino. Um dos alunos mais velhos, a cavalo, de mascarilha, e segurando o estandarte da Academia, declamando um longo texto em verso, depois de o ter já feito pelas várias ruas da cidade, em que dá conta das reivindicações estudantis e faz uma crítica social, tudo em tom irónico quanto basta. Seguia-se o momento em que se dirigia às raparigas de Guimarães, sempre num registo bem disposto, e até elogioso. Tudo isto no maior dos silêncios, a que se seguiu uma explosão de aplausos.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 11:02

                           ( Casa de Camilo. São Miguel de Seide )

 

Sabia-o Camiliano. Quando, logo no dia a seguir a ter ouvido falar, com tanto fulgor, daquele, até então por mim desconhecido, escritor, me dirigi à livraria do costume, em busca dos seus livros,o amigo a quem sempre peço conselho, na hora de trazer para casa novas leituras, esse seguidor de Camilo, recebeu-me com um "- Oh,esse!... Tenho um filho adolescente com pretensões literárias. Se um dia me disser que quer ser escritor, dir-lhe-ei para primeiro fazer cópias dos escritos de Camilo e de Tomaz".

 

                          ( Casa de Casares, de Tomaz Figueiredo, Arcos de Valdevez )

 

 

«Tinha de escrever o romance, um provável novo Eusébio Macário, visto que de novo encarnara o sarrafaçal camiliano, lambendo botas, gastando quartilhos de cuspo em lambidelas de botas. Na tarde em que tal decidira, relido o livro castigador, até só a espessura das paredes talvez houvesse tirado que de fora lhe ouvissem as gargalhadas. Relera e ria.

Ah! Eusébios Macários reincarnados! »

( Tomaz de Figueiredo, in «Fim » )

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 10:38

de Fontes Pereira de Melo, de Maria Filomena Mónica, para notar que " Em 1859, eram adoptados os círculos uninonimais (..,) Que teria passado pela cabeça de Fontes, um centralista notório, para patrocinar uma lei que retirava poder ao Executivo? A resposta só pode ser uma: a de que se vergara à vontade do rei. De facto, desde há muito que D. Pedro V se vinha a queixar da forma como decorriam as eleições em Portugal(...); detestava a centralização do sistema. As suas ideias eram claras: « A centralização, se reduz a acção do teatro político à capital, se separa a vida das classes governantes da vida do povo e o força a viver desafiando a lei, é, na sua própria natureza um sistema constitucional incapaz de funcionar ». O bem estar do país exigia, pensava, a aprovação de uma lei eleitoral que aproximasse os eleitos dos eleitores" E anda essa palavra- povo- por demais na boca dos políticos de hoje... Contrária a uma regionalização, que , com os autarcas que temos, mais não serviria senão para fazer crescer mais ainda o negro fantasma da corrupção, a descentralização, com reforço, controlado, dos municípios, penso-a, também, essencial ao tal bom funcionamento do sistema.

 

Dezembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 01:03
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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