Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

 

 se festejar com uma importante cerimónia religiosa a vitória na batalha de Aljubarrota. (...) eram expostas as peças oferecidas por D. João I: o loudel [ que usara na batalha ], a que o povo chamava pelote, e o presépio de prata dourada [ do espólio castelhano ]. 

No ano de 1638, um padre franciscano, Frei Luís da Natividade, foi porta voz do sentir de todo o povo português" (...) quando se dirigiu ao pelote nestes termos:"  - Pelote roto, pobre, esfarrapado e alanceado, hoje é mais próprio chorar mágoas presentes do que celebrar vitórias passadas"

Um pequeno excerto do livro «D. João I e Guimarães» . Referia-se o frade ao domínio filipino, mas se fosse a repetir agora o sermão, poderia utilizar as mesmas palavras.

 



publicado por Cristina Ribeiro às 22:38

 

 

 

 

 

 

e com muitos quartos, porque era grande a prole. Descendia de uma família de moleiros e padeiros, e quando casou com o avô, carpinteiro que trabalhava então no Teatro Circo de Braga, começaram a construi-la, e aí montaram uma padaria, onde a avó iria dar continuidade ao negócio familiar. Alguns anos passados, e já com três filhos, o avô rumou ao Brasil, onde trabalhou numa fábrica de tabaco na Baía. Enquanto isso a avó, uma mulher cheia de garra, criou uma mercearia, onde, além do pão de trigo e das broas que cozia, vendia azeite, café e bacalhau. Era a Venda da avó, onde eu comi as primeiras bolachas Maria... Na altura da II Guerra, quando os alimentos eram racionados, o meu avô, que entretanto regressara, e era " um Homem bom" nunca deixou que nenhum vizinho passasse fome, mesmo quando não tinha com que pagar: como dizia a avó, " tinha os seus protegidos". A minha mãe e tios dizem o melhor possível desse avô, de quem não guardo lembrança, pois que morreu cedo. A avó viveu ainda por muitos anos, sempre a trabalhar na Venda. Nos seus últimos tempos, já eram os próprios clientes que se serviam: "Srª Aninhas vou levar um litro de azeite; assento no livro e pago no próximo mês". Sentada num banco a avó acenava com a cabeça: "Está bem". Quando, há tempos, fui em busca da minha Escola Primária, para a fotografar, passei pelo lugar onde estava a casa, mas agora estava lá outra, bem diferente; e pensei "ainda bem que o nosso amigo pintor a fixou naquela aguarela".

 

Novembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 22:34

 

esquilos e ouriços?, pergunta a Margarida. E lembrei-me da colónia de esquilos que se propagou pelo monte do Sameiro: todos os dias, quando ia à janela, defronte da qual há um pinheiro, via um animalzinho desses a descascar uma pinha, para lhe tirar os pinhões. Dizia-se que terá sido alguém que trouxe um casal, que depressa se multiplicou. Nunca consegui fotografá-los, porque assim que pressentiam a presença humana fugiam com as patas que tinham e com as que não tinham... Como já não os vejo há tempos, quando li o comentário da Margarida, perguntei cá em casa se terão desaparecido; que não, que andam noutros lugares do monte, onde ainda há pinhões.

 

Novembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 22:00

 

-  a dinastia Joanina ou de Avis. Durante o seu longo reinado de 48 anos travou-se a batalha de Aljubarrota, conquistou-se Ceuta e descobriram-se os arquipélagos da Madeira e dos Açores. Portugal abriu-se ao mundo e conheceu uma nova época. No dizer de Fernão Lopes, D. João I foi o mais excelente dos reis. Um monarca cheio de qualidades que soube ser justo e bondoso, que soube amar o seu povo e por ele ser amado, que soube cumprir as promessas feitas, e que deixou de si tão boa lembrança que ficou conhecido como " o rei de Boa Memória». Hoje, uma sobrinha trouxe-me, muito satisfeita, este livro, que a mãe lhe comprara ontem no Museu Alberto Sampaio, dizendo que já ia a meio e que estava a gostar muito. Tem sido exemplar o trabalho desenvolvido pelos colaboradores do Museu , de divulgação da nossa História, no caso concreto, pela Drª, Rosa Maria Saavedra. Já no mês de Maio, assisti, com ela, a um Teatro de Marionetas, em que era contada a vida do grande Patrono daquela Casa, o que fora precedido por mais um livro sobre a mesma temática. E não ficarão por aqui, muitas que têm sido já as iniciativas destinadas a não deixar esquecer os nossos Grandes.

 

Novembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 21:27

 

é inacreditável que numa cidade tão pequena haja tanto para ver. Tem um "casco" histórico que não se vê em cidades muito maiores, como Vigo, por exemplo. ", diz o João Pedro. Verdade. Durante aqueles anos todos, ir a Tui era para nós, que só tínhamos de atravessar a ponte sobre o Rio Minho - e quantas vezes o fizemos a pé - , coisa de todos os dias. Ao Domingo era-nos bem familiar a rede de ruas e ruelas que sobem até à Catedral. Era numa dessas ruazinhas, um tanto íngremes, que comprávamos, sempre no regresso, os paraguaios, pêssegos achatados que ainda eram desconhecidos do lado de cá. Seguindo a margem do rio, chegávamos a um conjunto de edifícios antigos, muitíssimo bem preservados, de granito amarelo,onde as galerias de arte conviviam pacíficamente com casas onde se comiam tapas deliciosas. Ali perto, um convento, penso que de monjas carmelitas, aonde, quando preparávamos a Passagem de Ano na quinta, entre amigos, anos mais tarde, apesar do frio gélido que se fazia sentir, fomos comprar ovos para confeccionar o leite creme.


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publicado por Cristina Ribeiro às 21:18
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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