Domingo, 11 de Outubro de 2009

 

Era muito elegante, de fina porcelana branca, e eu senti-me muito honrada quando, logo na Primeira Classe- foi minha professora durante toda a Primária-, fui escolhida para, todos os dias, por volta das dez horas. a levar à Deolindinha, a empregada da Escola, para que nela vertesse o chá preto que a D. Maria havia de tomar. No fim, levava-a para que fosse lavada, e, então , guardava-a, dentro de um saco de papel, no armário, onde no dia seguinte, à mesma hora, a iria buscar, para que se repetisse o ritual...

 

Junho de 2008


tags:

publicado por Cristina Ribeiro às 22:11

 

 

 

Situado pelos antigos nos Campos Elísios, dada a luxúria da envolvência natural, que fazia daquela uma região habitada pelos bem aventurados, queridos dos deuses, foi identificado pelos romanos como o rio do esquecimento, pois que o ver tanta beleza fazia com que qualquer ser humano esquecesse tudo o mais, como o fez, na História Natural, Plínio, o Moço, do que o poeta Diogo Bernardes faz eco, quando escreve «Junto ao Lima claro e fresco rio, Que Lethes se chamou antigamente»

 

Foi cantado por outros poetas, como António Feijó, também ele ali nascido :

«Nasci à beira do rio Lima, Rio saudoso, todo cristal.

Daí a angústia que me vitima,

Daí deriva todo o meu mal.

É que nas terras que tenho visto,

 Por toda a parte onde andei,

 Nunca achei nada mais imprevisto,

 Terra mais linda nunca encontrei.

 São águas claras sempre cantando,

 Verdes colinas, alvor de areia, Brancas ermidas, fontes chorando,

Na tremulina da lua cheia.»

 

 



publicado por Cristina Ribeiro às 22:01

 

Este ano ainda não se proporcionou, mas, por estas alturas, ainda no começo do Verão, não dispenso uma visita a Ponte da Barca, onde sempre passo um dia perfeito, nas margens daquele que foi a gande inspiração do nosso poeta quinhentista, que privou, entre outros, com Sá de Miranda e António Ferreira: o poeta da Ribeira-Lima, Diogo Bernardes

 

Inserindo-se numa escola mais vasta, da qual ressalta o nome de Petrarca, o autor de «Várias Rimas ao Bom Jesus», «Rimas Várias- Flores do Lima» e «O Lima», exprimiu o seu sentir poético em éclogas, sonetos, cartas e canções, de sabor bem ao seu tempo- o do Homem do Renascimento. Dele, que fora feito prisioneiro em Alcácer-Quibir, aonde acompanhara D. Sebastião, diz-se no Dicionário de Literatura:«A melancolia doce da paisagem minhota sentiu-a como poucos no seu tempo esse cantor dos rios. Poeta do Lima se lhe chama geralmente, porque, sendo natural e vivendo muito tempo na ribeira do Lima, cantou particularmente aquele rio.Mas não foi só o Lima.(...) O Tejo, o Douro, o Mondego, o Leça, o Vez...(...) O que porventura melhor distingue Bernardes é a melancolia vaga e doce, um pouco à Bernardim(...); a profunda religiosidade que o aproxima às vezes do poeta seu irmão Frei Agostinho da Cruz».

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 21:47

 o terceiro dos Santos Populares, e o que se festeja na vila que me é geograficamente próxima, e onde nasci. Dos dez/onze anos até ao fim da adolescência, não falhei uma única noitada- muito mais calma, sem martelos de plástico, nunca fui calcada como daquela vez quando fui ao São João de Braga. Nessa altura, como gostava de andar no carrossel e nos "carrinhos eléctricos"... E se é certo que o Santo não tem a fama de "casamenteiro", que é a de Santo Antóonio, nem a de "advogado do amor", de São João, patrocinou o namoro dos meus pais: foi só o tempo para o meu pai pedir à minha avó materna que deixasse "a rapariga ir divertir-se". Deixaram a festa já namorados.

 

Junho de 2008.



publicado por Cristina Ribeiro às 21:31

 

Ó S. João d'onde vindes

Pela calma, sem chapeu.

Venho de ver as fogueiras

Que me acenderam no ceu

 

Mas acendem-lh'as cá na terra egualmente! Ou ellas não servissem para queimar as alcachofras, onde as raparigas vêem a sorte dos seus amores! Santos mais milagrosos poderá haver; mais populares não, que elle é a personificação mythica da alegria, e o advogado do amor." «O Minho Pittoresco»

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 21:24

 

 

no dia 24 de Junho de 1128, com a vitória do Princípe D. Afonso na Batalha de São Mamede... Com a morte do Conde D. Henrique, vinha crescendo a importância do fidalgo galego Fernando Peres junto da Condessa viúva, D. Teresa, o que punha em perigo as pretensões autonómicas de um alargado grupo de Cavaleiros do Condado, os quais transferiam agora as suas esperanças para o ainda muito novo D. Afonso Henriques, a quem urgiam neutralizasse aquela maléfica influência, pois que, como refere um ilustre vimaranense, Padre Torquato, «a brevidade com que se ataca os males é remédio deles». Deste modo, no dia em que se honrava São João, aconteceu, em lugar incerto, mas nas imediações do Castelo, o recontro no qual, nas palavras do General Luíz Maria da Câmara Pires, se jogou "o destino de um povo, a batalha por Portugal".

 

E se é certo que só meio século depois, "de trabalhos e proezas militares", como se lê na Bula "Manifestis Probatum", de 23 de Maio de 1179, Alexandre III confirmaria o novo reino e a realeza de D. Afonso, nada de mais verdadeiro do que considerarmos aquele como o primeiro dia de Portugal.

 

24 de Junho de 2008


tags:

publicado por Cristina Ribeiro às 21:13

 

encontrámos o Convento de Santa Maria de Aguiar, que integra no seu conjunto uma Igreja muito bem preservada, evidenciando a austeridade quer da Ordem Beneditina, à qual começou por pertencer, quer da Ordem de Cister, onde se incluiu depois.

 

 

Muito perto deste convento, deparámos com um bonito edifício, com colunas de pedra, evidenciando-se o brasão com as armas da Ordem fundada por S. Bernardo de Claraval, onde se hospedavam os peregrinos que aí acorriam.

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 21:04

 

Naquele fim-de-semana esticado, por via do Feriado do 1º de Dezembro, foram várias as aldeias históricas visitadas, mas a visita a Castelo Rodrigo foi a mais proveitosa... Começámos por olhar as ruínas do palácio de Cristóvão de Moura, feito conde, e Senhor daquela terra por Filipe II, como paga da lealdade à coroa castelhana, mas que o povo, logo que soube da Restauração, na pessoa de D. João IV, destruíu quase totalmente, para, depois de percorrermos aquelas ruas solitárias que conduziam ao Castelo, mandado erigir por D. Dinis após a celebração do Tratado de Alcanizes, apreciarmos o monumento evocativo da Batalha de Salgadela, no ano de 1664, decisiva para a defesa de toda aquela região, e onde se destacou o governador militar da Beira, Pedro Jacques de Magalhães.

 

 

Perto da Igreja Matriz, admirámos o belíssimo Pelourinho manuelino, da altura em que D. Manuel I mandou reedificar as muralhas.

 

 

Mas, a partir do século XVIII, a aldeia iria perder a sua importância, a favor da vizinha Vila de Figueira.

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 20:50

 

«Não me lembro de Erva-cidreira tão boa, como a deste ano!», disse a minha mãe, quando, há dias, a foi colher, para secar, e guardar as folhas que hão-de durar até ao próximo ano, quando, também pelas orvalhadas de Junho, se fizer nova apanha. "Há-de ser feita antes do nascer do sol, senão amarga". Muito cedo lhe foi inculcada a crença nas propriedades calmantes da planta, pelo que lembro, desde sempre, a grande "chocolateira" (era assim que a chamávamos, apesar de nunca ter sido usada para fazer chocolate, e era em barro) com a infusão quente, ao borralho, que tomávamos, invariavelmente, antes de deitar, com bolachas Maria. Era o melhor dos aconchegos...

 

Junho de 2008


tags:

publicado por Cristina Ribeiro às 17:27

 

"Pelo conjunto das exuberâncias e das deficiências da sua natureza de escritor, pelas suas qualidades e pelos seus defeitos, pelo seu temperamento, pela sua educação, pela sua obra, que é a imagem da sua vida, o nome de Camilo Castelo Branco representará para sempre na história da literatura pátria o mais vivo, o mais característico, o mais glorioso documento da actividade artística peculiar da nossa raça, porque ele é, sem dúvida alguma, entre os escritores do nosso século, o mais genuinamente peninsular, o mais tipicamente português"

 

 

"Superiormente instruído, versado em todas as coisas do espírito, equilibrado por uma alta cultura, de que ainda ninguém deu fé porque ele se empenha em ocultá-la sob uma superficialidadede "clubman", por um profundo requinte de mundanismo e de bom-tom, Eça de Queiroz reúne todas as capacidades de inteligência ao incomparável poder de expressão literária e de análise psicológica, que fez dele no mundo um dos primeiros romancistas do século"

 



publicado por Cristina Ribeiro às 16:37

 

 até que a luz do sol o permitiu, as mulheres da vizinhança reuniam-se, à volta da lareira se já fazia frio, e, na dobadoira, transformavam as maçarocas de linho em meadas, primeiro, e novelos, depois. A fim de tornarem mais leve esta tarefa, afinavam as vozes e cantavam

 

Doba, doba, dobadoira,

Não m'enrices a meada,

Quero dobar o novelo,

Tenho a minha mão cansada.

 

O novelo já é grande,

Já me não cabe na mão.

Doba, doba, dobadoira,

Dentro do meu coração

 

 ( Junho de 2018 )



publicado por Cristina Ribeiro às 16:15

 

No último fim-de-semana propus-me refazer os caminhos tantas vezes palmilhados nos meus anos de Liceu, em Guimarães. Começou bem, esse fim-de-semana, com um dia cheio de sol, um convite a ir, no teleférico, até ao monte da Penha. Era aí que, com os amigos, acampava, mal surgiam os primeiros sinais de calor.

 

 

/Nessa época "ir à Penha" era sinónimo de divertimento. Levávamos música, e bem depressa se improvisava um bailarico. Procurei, mas não encontrei, uma árvore com a inscrição que nela gravaram, à vez, enquanto os outros dançavam, os rapazes, na festinha que aí fizemos no final do último ano.

 

 

Reconheci facilmente a Penha daqueles anos, que foram os mais felizes: dourados, chamam-lhe, e não desmereceram o nome.

 



publicado por Cristina Ribeiro às 16:05

 

 pelo "Polvo Gigante" Não há homens providenciais? Acho que há. Mas também há homens que não sabem sair do lugar onde muito fizeram, no tempo apropriado. Para mim, Salazar reúne essas duas qualidades. Quando a Primeira República tinha já deixado o País num estado reconhecidamente lastimoso, ele foi muitíssimo oportuno, no labor de o levantar do atoleiro em que se encontrava, e, por isso, temos muito a agradecer-lhe. Mas uma grande virtude nos Grandes Homens há-de ser, forçosamente, a de ter a coragem, e o saber, de sair de cena na altura certa; essa vejo-a eu no final dos vinte primeiros anos em que esteve à frente dos destinos do País que se propôs levar adiante, o que fez com êxito...; e depois entregar o testemunho a quem dele fora espoliado, contribuindo, com o seu saber, para o desenvolvimento do país

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 15:56

 

Era por esta altura do ano, quando o linho tinha sido já "arrincado" e ripado, que, com as amigas, fugia à minha avó, e às tarefas de casa, para se juntar ao cortejo festivo que levava as plantas de flor azul ao rio, a "enterrar". Leio n«Os Mesteres de Guimarães»: " Quando o carrego é a preceito, vai o jugo dos bois enfeitado, e a carrada tem seu ar de festa. No alto, por sobre os molhos de linho, ergue-se um ramo de oliveira, com flores, que é obra da moçarada de saias. Sim, porque as raparigas também vão á "enterra". À dianteira vai a tocada, com tamboril, ferrinhos viola e armónica" (e cavaquinho, acrescenta a minha mãe)." É de ver que havendo viola e mulheres há cantadoria e dança. Feita com as enxadas a cama ao linho, na areia lavada do rio, aí o enterram". Mas a festa continuava quinze dias depois, quando se "erguia" o linho, para que ele secasse "à torreira do sol".

 

 

( Junho de 2008 )



publicado por Cristina Ribeiro às 15:49

 

é o título da Tese de Mestrado de uma Professora de História da Universidade do Minho, Maria de Conceição Falcão. Feita para ligar o convento fundado por Mumadona à parte alta da cidade, onde fora construído o Castelo, é, tudo o indica, a mais antiga rua do burgo. Muito bem conservada, nela encontramos, ao lado de habitações de características populares, que bem guardaram a traça medieva, casas de nobres, algumas delas ligadas à Casa Real, de que é exemplo grande a «Casa do Arco».

 

 

 

Junho de 2008

 



publicado por Cristina Ribeiro às 15:27

 

o de Vasco Santana. Hoje de manhã acordei com a voz do actor, à conversa com Igrejas Caeiro. Assinalavam-se os cinquenta anos da sua morte. E ele dizia que tinha um" cão engraçado", porque ria. E eu lembrei-me de todas as vezes em que ele me fez rir. A noitada de Santo António, e a alegria que lhe andava associada, chegou até nós muito pelo que deixou na tela:o manjerico para a Dona Rosa, o tostãozinho para o Santo.

 

 

13 de Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 15:20

 

Evoca este grito a importância que teve Almeida, fortaleza que só passou a integrar definitivamente território português no século XIII, com a celebração do Tratado de Alcanizes, na defesa de toda a Beira, face às muitas incursões castelhanas, e a valentia com que os seus guardiões disso fizeram um ponto de honra.

 

 

Leio no «Aldeias Históricas» tratar-se de "uma terra pacata, de ruas tranquilas, que a partir de Março se enchem do chilreado alegre das andorinhas. As horas aqui passam devagar". Foi esta calma no passar do tempo que encontrei das vezes que lá fui, mas como essas idas aconteceram sempre no Outono e Inverno, não me foi dado ouvir aquele chilrear

 

.

 

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 15:08

 

 

10 de Junho de 2008


tags:

publicado por Cristina Ribeiro às 15:02

 

Depois de «Quincas Borba» e de «Memórias Póstumas de Brás Cubas», comecei ontem a ler este «Memorial», e já deu para, mais uma vez, confirmar o que do Autor se diz no prefácio: " é o nome central da literatura brasileira e um dos mais singulares clássicos da língua portuguesa".

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 14:56

 

sobre a obra de João de Araújo Correia, a quem João Bigotte Chorão aludira já, e fico com vontade de adquirir os livros ora editados pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. Porque fiquei com a impressão de que cultiva um estilo que me prende às palavras escritas

 

 

Junho de 2008.



publicado por Cristina Ribeiro às 14:53

 

e ao fim de uma viagem que começara bem cedo no Fundão, encontrámos, no concelho de Idanha-a-Nova, alcandorada num alto monte («Mons Sanctus»), uma aldeia de granito, onde as casas, de telhados dourados pelo pôr-do-sol de Outono, trepavam por caminhos muito íngremes. Nela as pessoas, também aqui quase todas idosas, conviviam harmoniosamente com várias espécies de animais dóceis no contacto com estranhos.

 

Foi, desde logo, grande a empatia com aquelas mulheres vestidas de preto que, sentadas no degrau das casas de granito, nos acenavam com os adufes e marafonas. Deixámos aquele lugar compreendendo o porquê de Monsanto ter sido considerada a «Aldeia mais Portuguesa de Portugal».

 

 

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 14:31

 

Como os Bourbons em França, os políticos em Portugal, depois de tanto tempo, nada esqueceram e nada aprenderam; pior, não dão sinal de querem sair deste poço sem fundo, aonde nos conduziram.

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 13:20

 

Partido Regenerador Liberal que o homem de Alcaide cunhou o termo «rotativismo». Dele diz Rocha Martins "(...) não hesitava em dizer, com a sua habitual sem cerimónia, o que entendia (no parlamento) .Era o início da liberdade política..."

 

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 13:16

 

disse, comovido, Fontes Pereira de Melo a João Franco, quando este respondeu : «Não, não retiro; são as ordens que trouxe dos meus eleitores, quando as fui receber a Guimarães»... O político fora eleito, em 1884, deputado por este círculo , e apresentara no Parlamento um projecto advogando uma maior autonomia do concelho, no que foi apoiado por Fontes, mas como tal pretensão tivesse sido mal recebida pela Oposição, este, a fim de acalmar os ânimos, sugeriu-lhe a sua retirada. Lucidez, firmeza, iniciativa, sem ceder a pressões.

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 13:10

 

amanha-se a terra, que há-de ser, leio n«Os Mesteres de Guimarães», «mimosa e regadia (...); no lus-ca-fus da minhã, mal se enxerga, já o lavrador amante do trabalho anda na carrega dos estrumes, feito o que, vem o arado» que se atou a um jugo de bois. Só então, se fará a sementeira : «arrojando para a extrema do campo seu chapéu o lavrador faz o sinal da cruz, e o primeiro punhado de linhaça é arrimado à terra».

 

 

Atirado o último, «ergue a sua idea ao céu e murmura: -Que Deus te ponha a virtude e me dê a mim saúde!»

 

 

Fins de Junho o linho deitou a flor «pequeninha e anzur, é o regalo dos olhos»; quando esta já foi desfeita pelo vento, é «sinal de que está maduro para ser arrincado».

 

 

/Começos de Julho: «O sol bebeu o orvalho do linho. São muito hórinhas de o arrincar». E canta-se «Trabalhos do linho querem sol e vinho" porque este é, como é regra nos trabalhos de lavoura, mais um momento em que do árduo se faz festa.

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:49

 ia vendo e ouvindo na televisão e foram importantes para mim, porque sempre acrescentavam alguma coisa, e tenho em mente, por exemplo, aquele Professor de Linguística, que muito me ensinou sobre a Língua Portuguesa; mas nenhuma foi tão fundamental como o Professor José Hermano Saraiva. Andava ainda nas Escola Primária, quando comecei a ficar presa ao ecrã sempre que ele surgia com o programa «O Tempo e a Alma». Data de então o gosto pela História, que tive a sorte de ver continuado quando tive um excelente primeiro Professor da disciplina-o Dr. Rui Madureira. Foi tão fácil ficar contagiada por aquele entusiasmo... Já mais tarde, para onde quer que fosse, para melhor conhecer Portugal, não saía de casa sem o livro com o mesmo nome: «O Tempo e a Alma-Um Itinerário Português».

 

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:39

 Espadelada do linho numa noite de luar, no Verão.

 

 

"Oh, que lindo luar faz Para colher a marcela,

Vamol-a colher ambinhos,

Fazemos a cama n'ela"

 

e de concertinas, que homens e mulheres vão proceder a mais esta fase do tratamento do linho, agora corado ao sol, depois de colhido e submerso em água. As sementeiras da planta já tinham acontecido na Primavera. Nesta altura o linho, já ripado, é batido com uma espadela, instrumento de madeira em forma de cutelo, para depois ser submetido a uma espécie de crivo, que o há-de " purificar", separando-o da estopa. Está pronto para ser fiado pelas mulheres nos serões de Outono e Inverno.

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:33

 

Num artigo datado de 1890, na «Revista de Portugal», Eça de Queirós escrevia: - "As lamentáveis desordens parlamentares, as violentíssimas e desmandadas polémicas, as mútuas e terríveis recriminações com que, obcecados pela paixão, os partidos se feriam uns aos outros na sua honra, deixaram no País que assistia espantado a uma tal lavagem pública de roupa suja, o sentimento desalentado que ele exprimia por esta fórmula- tão bons uns como os outros!" E ainda dizem que a mesma água nunca passa outra vez por debaixo da mesma ponte.

 

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:15

 

Com nascente na Serra do Larouco, o Cávado percorre muitas povoações, antes de desaguar no mar entre Ofir e Esposende. Alguns dos locais de passagem deste rio que brotou de entre pedras de granito, encontram-se nas Serras da Cabreira e do Gerês. É nesta que me é mais familiar, sendo "de cortar" a beleza que aí adquire, entre margens de recorte idílico. Durante o seu curso, a caminho da Foz, passa por debaixo de algumas pontes , também elas de assinalável encanto, como a que une as margens da vila de Prado, às portas de Braga.

 

 

1 de Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:11

 

"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos"

Depois de olhar a rosa e de lhe sentir o perfume, pensei que a que cativara o Principezinho deveria ser assim.

 

 

Maio de 2008


tags:

publicado por Cristina Ribeiro às 02:40

ao qual tudo dei e sacrifiquei e que todas as dores, todas as desilusões todas as amarguras me fez sofrer..."

 

 

 

 

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 02:23

 

um "cheirinho" do belíssimo claustro do Museu Alberto Sampaio". "Nunca se perde tempo com aquilo que amamos. Que importa que nos pareça curto? Curto há-de ser sempre, porque a nossa imaginação jamais se satisfaz com a realidade." Alberto Sampaio.

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 02:17

 

 terminei-a da melhor das maneiras: numa cidade profusamente iluminada, e no coração do Centro Histórico, fui rever o de Alberto Sampaio, um museu festivo já de si, mas mais radioso do que nunca. Uma longa conversa com a Directora, e uma percepção mais completa dos tesouros aí preservados, confirmaram as palavras elogiosas há tempos ouvidas ao Professor José Hermano Saraiva.

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 01:56

 

 

Como refere Fernão Lopes, depois da Batalha de Aljubarrota, D, João I veio a Guimarães agradecer à Senhora da Oliveira a vitória então alcançada, tendo-lhe oferecido uma grande quantidade de prata, com que, posteriormente, fins do século XIV, Inícios do século XV, foi feito o "Tríptico da Natividade" A peça de vestuário doado á mesma Santa, é o "Loudel" que o rei envergou na batalha.

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 01:46

 

 Hei-de morrer simples estudante vendo sempre, a cada passo, no assunto mais simples novos horizontes ignorados. A questão, para mim, é aproveitar o pouco que tenho aprendido: talvez esse possa servir a alguém: e se servir compensar-me do tempo gasto" Dizia este ilustre vimaranense, mas o certo é que foi um grande historiador e pensador "...acima de tudo um homem que amava a sua terra e que a ela se dedicou, estudando o seu passado, participando no presente, preparando o seu futuro!" (catálogo sobre a exposição bibliográfica a ele dedicada - a Alberto Sampaio.

 

 



publicado por Cristina Ribeiro às 01:36

 

 os republicanos, o povo, ainda que não monárquico, identifica-se instintiva ou sentimentalmente, com a realeza, porque se identifica com as famílias e as instituições que fizeram a nação, Não foram ou não são todos os reis sábios, heróis ou santos? Pois não, mas o grande argumento monárquico é o de que a instituição vale mais do que o monarca". João Bigotte Chorão

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 01:27

 

O livro de Agustina Bessa-Luís tem sido uma leitura adiada, e, numa tentativa de me justificar a mim mesma por lhe antecipar outras que vão surgindo, digo-me: não perde pela demora porque quando me dedicar a ela, fá-lo-ei mais relaxadamente... Mas olhando a capa, aquela pintura de Rembrandt, lembro-me da viagem que fiz a Amsterdão e arredores, há dois anos. A visita ao Reiksmuseum era obrigatória, mas , tal como a minha irmã, temia a capacidade de "resistência" de uma sobrinha, que tinha apenas seis anos. Qual quê? Deliciou-se a olhar todas aquelas pinturas, na sua maioria do Século de Ouro holandês, o XVII, e até deu mostras de um ainda incipiente espírito crítico, o que nos fez pensar que talvez estivéssemos a contribuir para que nela florescesse a apreciadora de arte.

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 01:22

 

Há dias cheguei ao local de trabalho e disse que me iria ausentar por um curto tempo. Já há muito que alimentava o desejo de rever aquela que tinha sido a minha Escola. Armada de máquina fotográfica, lá fui; é perto... Durante o caminho, que percorri diariamente dos seis aos nove anos (inclusive nos fins-de- semana, porque a casa da minha avó materna ficava mesmo ao lado) ia contente, porque as mudanças não tinham sido muitas; mas, chegada junto do edifício que fora a extensão da casa familiar, doeu-me a alma: só lá estavam ruínas. Ainda fiz algumas fotografias, mas apaguei-as de seguida. O choque foi muito grande. Só consegui guardar a tabuleta indicativa de que a minha Escola tinha sido ali...

 

 

Maio de 2008


tags:

publicado por Cristina Ribeiro às 01:17

 

3. Fialho de Almeida

 

Ele mesmo um exímio escritor, tanto na faceta de ficcionista («Contos», «A Cidade do Vício»...), como nas de cronista e polemista mordaz, o que se espelharia na sua Obra mais conhecida, «Os Gatos», onde não poupa a sociedade do seu tempo, nem a "republiqueta"então emergente, na linha, aliás das «Farpas» de Ramalho Ortigão, este pessimista disse do homem de Seide : "A mais bela luz do génio de Camilo faísca na sua obra sarcástica. Nada pode dar ideia da veemência e pujança desta prosa de Vulcano, batida na forja dos coriscos e dos raios, onde co'as asperidões e rudezas da antiga linguagem se entrelaçam os nervosismos elásticos e as graças subtis do mais refinado poeta cortesão do penúltimo século. Eu não sei de ironia que tenha mais causticidade, nem de imaginação onde se insculpam mais finas rendas(...). Na caquexia das letras actuais, quando todas as energias parecem finar-se, e todas as originalidades irem adormecendo, a pletora deste homem faz medo, como em país de anões os 'grandia ossa' da fama primitiva."

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 00:46

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Descendo as abas da serra da Falperra note ahi a situação dos quatro SANDES ( S. Clemente, S. Lourenço, S. Martinho e Santa Maria de Vila Nova) (...) à direita, no fundo de uma pittoresca bacia vegetal, S. Martinho(...) o mais importante., tanto sob o ponto de vista de população, como de recordações históricas. Era de fundação antiquíssima o seu mosteiro de benedictinos, pois existia já no século V, e foi pela família dos Sandes reedificado. Em 1596 o arcebispo de Braga, D, Agostinho de Castro doou-o aos eremitas de Santo Agostinho, do Populo, que dentro em pouco o reduziram a abbadia secular. Depois foi commenda da ordem de Christo. Da moderna Sande o melhor edifício público é o da escola, no sítio das Gaias, offerecido ao governo por D. Maria Alexandrina Vieira Marques e custeado depois pela junta de parochia. As quatro Sandes figuram na industria vimaranense como productoras em larga escala de garfos - ponham-se de recato as canellas ao passar por lá- e nessa industria as acompanha Santa Christina de Longos, cuja situação, na encosta do Sameiro, perfeitamente se descobre d'esta elevação da Citania, assim como a de Balazar, já na serra da Falperra, rodeada de arvoredo e cortada por veios d'agua" «O Minho Pittoresco» Foi assim que, em 1886, José Augusto Vieira retratou a freguesia onde, muitos anos depois,nasceram os meus pais, frequentei, tal como eles e todos os meus irmãos, aquela mesma escola, no Lugar das Gaias, e em cuja Igreja fiz a Primeira Comunhão.

 

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 00:33

 

 

A vista do Vulcão Dos Capelinhos, na freguesia do Capelo, Ilha do Faial, impressiona pela paisagem estéril, lunar mesmo, fruto das erupções vulcânicas verificadas ao longo de treze meses, entre os anos de 1957 e 1958. Quando lá estive, o local fora invadido por turistas americanos, saídos do paquete de luxo que aportara de manhã na baía da Horta. À noite já lá não estava; talvez tivesse rumado a outra ilha do arquipélago de todos os encantos.

 

 

Maio de 2008


tags:

publicado por Cristina Ribeiro às 00:10

 

Quando um sobrinho se prepara para fazer a Primeira Comunhão, vem-me à lembrança o dia em que, tinha sete anos, fiz a minha. Dele guardo dois ou três momentos, mas o que me faz sorrir hoje é aquele em que fiz uma grande "fita" porque a minha mãe se propôs rebentar, com a ajuda de uma agulha desinfectada, uma bolha que entretanto me surgira no pé: só assim poderia calçar os sapatos novos... :)

 

Maio de 2008


tags:

publicado por Cristina Ribeiro às 00:04
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
mais sobre mim
Outubro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

15


31


links
pesquisar neste blog
 
tags

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO