Quarta-feira, 02 de Julho de 2014
" Ordenou-me um dia a medicina que fosse para Vizella, e em seguida fazer uma digressão pelo Minho. Obedeci-lhe.

Dizem que é uma formosura o Minho. Pois vamos vêr o Minho.

Felizmente que para o vêr não é necessario mais do que ir com toda a commodidade n'este wagon, ponto em que eu, adorador da poesia, me separo dos poetas que declararam guerra aos caminhos de ferro por julgarem vilmente prosaico o não irmos abrasando pelas estradas quando viajâmos no verão ( ... ) "


Um mero acaso, o de ter-me chamado a atenção uma linda encadernação, fez-me parar neste volumezinho, que ameaça levar-me pela noite dentro, tão deliciosa encontrei a escrita do autor, até agora desconhecido. Trata-se de D. António da Costa.

Como o nome nada me dizia, logo se impôs uma visitinha ao Dicionário de Literatura. Li aí ter este escritor, e político, ter sido um contemporâneo de Camilo, nascido, como este, em Lisboa, um ano antes do autor das « Novelas do Minho ».


Fala-nos de um Minho Pitoresco, o mesmo que, alguns anos depois, o valenciano José Augusto Vieira viria a espelhar em dois volumosos tomos; o Minho que aqui vejo ainda eu o entrevi na minha mais tenra meninice, quando não, mais verdadeiro ainda, nas palavras de pessoas mais idosas, e do qual restam parecenças em retalhos mais afastados da civilização que veio de Paris com Jacinto.


Ficaram as saudades, que - Haja Deus! - se vão colmatando com estas leituras.


publicado por Cristina Ribeiro às 07:35
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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