Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

 

 

aparentando entre 25 e 26 anos.

Por essa altura, disse-mo depois a filha, minha mãe, tinha já três filhos. O marido, carpinteiro e garfeiro, atravessara o Oceano, buscando no outro lado, numa fábrica de tabaco, o sustento de todos, que aqui não encontrava. Cartas atravessavam o Atlântico, mas a mulher achava que podia fazer mais para mitigar as saudades que o seu homem protestava a cada volta do correio.
Um dia vestiu a roupa de Ver-a-Deus, apanhou a camioneta para a cidade e dirigiu-se a um estúdio fotográfico: dali sairia com o retrato com que queria surpreendê-lo.Nele, trazido até nós, muitos anos depois, nenhum dos dois viva já, havia muito tempo, por um neto do dono da fábrica de tabaco, um pormenor que ressalta: sobre o coração a mulher prendera um raminho de amores-perfeitos.Eles falariam por ela quando a carta, que acompanhava a fotografia, chegasse ao seu destino, naquela América que já fora portuguesa. Mais eloquentes do que qualquer palavra que nela escrevesse.


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publicado por Cristina Ribeiro às 19:46
Sábado, 29 de Maio de 2010

 

Quando estava na escola primária, aproveitava para, durante o recreio, matar a sede na casa dessa avó, que morava mesmo ao lado da Escola; sempre que lhe pedia um copo de água, ela dizia: -" não bebas água que faz mal; vai antes ao pipo...", e quando eu lhe respondia que lá em casa já me tinham alertado para os perigos de beber vinho em tão tenra idade, ela dava meia-volta e murmurava: -"modernices! "...


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publicado por Cristina Ribeiro às 02:57
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

 

                                                                                               

 

Se fosse viva, a minha avó materna teria mais do que 120 anos: tinha a idade suficiente para ter passado por todos aqueles tumultos que marcaram os primeiros anos do século XX em Portugal. Tenho tanta pena de, na minha inconsciência da quase adolescente que era nos seus últimos anos, a sair de uma infância a que já chamei dourada, apesar dos pesares, longe ainda de me fixar naquilo que, alguns anos mais tarde, iria evidenciar-se na pessoa em que me estava a tornar - o gosto supremo de remexer no passado -, não ter conversado com ela sobre as muitas histórias que viveu. Tantas, avó, tantas, certamente. Quantas saudades.


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publicado por Cristina Ribeiro às 21:30
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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