Sexta-feira, 01 de Dezembro de 2017

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" Portugal assim dizia/ Quasi sempre em dôr tamanha!/ Assim prégou aos seus filhos/ Novo Sermão da Montanha.// Honra os teus Mortos. E' deles/ Que tu vens. Deves-lhe culto/ Que são os vivos? - A Sombra/ Dos Mortos que fazem vulto// . - Povo! Povo! eu chamo... Escuta/ Repara em mim: vê e pasma/ Sombra e chagas do que fui.../ Fiseram de mim um fantasma// Onde irei? A ser escravo?/ Velho e rôto vagabundo/ Aos encontrões, ás esmolas/ Aos enxovalhos do mundo...// Povo! em ti, confio e espero/ Como foi no tempo antigo/ Has de salvar-me...Ou ao menos/ Saberás chorar comigo// "



publicado por Cristina Ribeiro às 19:19
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2015

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Eram da Holanda, esses dois casais amigos que tanto gostavam de passar o mês de Agosto numa casa que temos lá no Alto Minho. Numa dessas estadias entre nós, estávamos nos anos 80 do século passado, numa altura em que se anunciava já a adesão de Portugal à CEE, uma das senhoras disse que os portugueses ainda haviam de se arrepender de dar tal passo; que não sabíamos o que nos esperava... E ainda estávamos longe da União Europeia -do Tratado de Maastritch -, do Acordo de Schengen, do Tratado de Lisboa, o tal que só quem sabemos achou " porreiro "...



publicado por Cristina Ribeiro às 19:26
Quarta-feira, 18 de Junho de 2014
" ... António Corrêa de Oliveira, é, porém, especificamente português. As figuras que apresenta e levanta, os horizontes que desvenda, a própria atmosfera ao mesmo tempo fervorosa, heróica e melancólica evocada nos poemas, pertencem, de raiz, a Portugal. ( ... ) ... entusiasta pela nossa gente, os nossos costumes, as nossas paisagens "
João Ameal

Caminhos do vale em monte,
Caminhos do monte em serra:
Como eu vos sei, passo a passo,
Caminhos da minha terra!

Como eu vos amo e conheço,
Caminhos dos pinheirais, 
Onde hão-de vir os meus filhos,
Por onde andaram meus pais.

Altos caminhos da serra,
Quem vos abriu e riscou?
- Ou foi sombra de águia, aos voos
Ou foi Jesus que passou... -

Caminhei... De pequenino,
Fui de ladeira em subida; 
Agora, vou a descer-vos, 
Caminhos da minha vida!

Que triste e bom, ao voltar,
Ao descer lá dos altos cimos,
Ir encontrando as pegadas
Dos passos com que subimos...

Não há caminho em nossa alma,
Não há caminho no chão,
Sem eco, sem sombra, ou saudade
Dos tempos que já lá vão.

Todas as veias do corpo
Ao coração vão parar:
- Caminhos, veias da terra
Ao derredor do meu lar! -

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publicado por Cristina Ribeiro às 22:09
Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014
Há dias, quando o jornalista do Sol perguntou a D. Francisco Van Uden: " - E a sua namorada? ", respondeu:
" Ela disse que não ia esperar quatro anos. Então disse-lhe que tinha de arranjar outra pessoa porque o país estava à frente da namorada. "


publicado por Cristina Ribeiro às 22:08
Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013

é necessário que todas as forças reconstrutivas se organizem e trabalhem, para que ela atinja rapidamente a sonhada e desejada harmonia. ( ... ) Renascer é dar a um antigo corpo uma nova alma fraterna em harmonia com ele. O Passado é indestrutível; é a treva onde o homem mergulha as raízes do seu ser, para dar à  nova luz do futuro a sua flor espiritual.

A Pátria portuguesa viveu; atravessou depois alguns séculos de morte. ( ... )

É preciso chamar a nossa Raça ao sentido da sua própria vida, e poderá gritar entre os Povos: Renasci!

Ora, esta obra sagrada compete ao espírito português, a todos os portugueses que encerrem no seu ser uma parcela viva da alma da nossa Pátria. ( ... )

E então um novo Portugal, português, surgirá à luz do dia. "

 

Teixeira de Pascoaes



publicado por Cristina Ribeiro às 18:35
Terça-feira, 05 de Novembro de 2013
O pensamento e o movimento. O movimento é o pensamento.
Portugal é o nome de Portugal e não de outra coisa fora dele. O nome está revelado, o que nos parece é que a plenitude significativa está em trânsito. Ainda não sabemos qual a profundidade deste símbolo, Portugal. Pode não ter, sequer, qualquer profundidade, para além do que nos é dado daber.
Contudo, as potências actuais do espírito português estão intactas: o lirismo, o sentido do metafísico (a ideia de que há mais mundo, e mais universo, e mais futuro...) a consciência do enigma, a tensão da saudade, alma da nossa natureza, e também uma literatura singular, e ainda, no princípio e no fim, a vocação de um pensamento filosófico que não se esgota no sistema, antes se recria mediante a arte poética.
Sendo Portugal o nome de Portugal, este nome en-se apresenta-se-nos também como um mesmo para o outro, quer dizer: o nome de Portugal não se esvai em si mesmo, e não vale para si mesmo, antes vale para o outro. Português já foi adjectivo para sinonimizar cristão, e Portugal já foi nome para a Igreja, sobretudo a Oriente, em que os povos evangelizados não distinguiam entre Portugal e Igreja, mas tudo isso era recebido através de um mesmo e único nome: Portugal. A revelação, aletêia, raro se resume a um acto instantâneoe decisivo. Em geral, a revelação é como uma viagem: vamos andando e vendo, vendo e andando, por forma que a revelação só se conclui no final. Caso a viagem tenha final.
Ora, a viagem simboliza, e de que modo, o sentido português de pensar todas as coisas. Dizia o poeta: «não evoluo: viajo». Abismal diferença filosófica entre evoluir e viajar! como e evolução fosse, alfim, mutuação na fixidez e, pois, um fixismo, e viagem fosse, alfim, transformação no movimento e, pois, um dinamismo! Por isso dizemos que tudo se acha por revelar. O que nos foi dado saber acerca de Portugal ainda é, apenas, um acerca, um ad cerca, uma aproximação, mas longe ainda de nos ser possível olhar para o dentro de dentro, para o santo dos santos. Aqui, e mais uma vez, nos parece uma similitude parcial com o povo de Israel. Também ele, cativo, progride, mas sem que lhe seja dado chegar ao interior. O Messias continua tão distante como no princípio do tempo. E todavia, para Israel, «o Senhor virá».
N'Os Lusíadas, o Velho do Restelo é uma alegoria da Europa. Diz a Europa a Portugal: não saias de casa, não partas em viagem. Fica. E Portugal partiu. Mancebo da Europa, cavaleiro do Graal, aventureiro do sonho, viajeiro do infinito, sem saber para onde ia, nem se regressava, nenhuma dessas coisas fazia parte do jogo. Importante é viajar, descobrir, trazer as trevas à luz. O símbolo português é a âncora. Deveria ser o único símbolo aposto à esfera armilar na bandeira portuguesa. Toda a viagem lusíada acha símbolo na âncora, que não serve apenas para fixar o navio, mas serve para exprimir esperança.

Pinharanda Gomes, "Meditações Lusíadas", Lisboa: Fundação Lusíada, 2001. pp. 137.

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publicado por Cristina Ribeiro às 19:16
Segunda-feira, 07 de Janeiro de 2013
A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito ", Fernando Pessoa.

    Sempre que leio na televisão aberrações como " direto ", " atualidade ", " redação " (...), dou comigo a pensar, como o jornalista: esta " não é a língua portuguesa que amo e que é parte importante de mim. " Por esta razão já me chamaram fundamentalista - nesta matéria, e, já agora, noutras que tenho como afins, sou; assumidamente, sou.


publicado por Cristina Ribeiro às 21:46
Domingo, 24 de Outubro de 2010

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publicado por Cristina Ribeiro às 18:33
Terça-feira, 01 de Dezembro de 2009

o que aos portugueses de 1640 tanto custou a restaurar, outra ironia da História, e porque é obrigação de cada um de nós contribuir para o sair do estado lastimoso em que nos encontramos, reflectir sobre este post do Pedro; Questão pertinente a trazida por Joshua : " não temos Educação no terreno para produzir cidadãos activos, interventores na Pólis, maximizando os novos meios imediatos de decisão participada. O que temos e se promove é uma massa de dependentes, uma mole de passivos, ondulando espectralmente nas praças como uma seara negra ". Verdade. Mas quem conhece a sua combatividade não acredita que pense ele ser essa Educação um trabalho de Sísifo, condenado a ser abandonado no lugar reservado ao impossível. Tarefa mais própria de Hércules, tanto mais que esse ser permissivo, abúlico, aí retratado tem encontrado nos últimos tempos, que já vão longos, o terreno fértil para proliferar: tudo lhe parece andar sobre rodas, apenas porque não se consciencializou da possibilidade de não- futuro, e essa ilusão é criminosamente, alimentada por aqueles a quem ele, confiadamente, entregou esse futuro. Cabe, pois, a cada um de nós, ultrapassando as nossas fraquezas, assumir um bocado da heroicidade do grego, na tentativa de mudarmos o rumo que nos têm incutido.

 

.Adenda - ler este post de Paulo Morais no Blasfémias.


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publicado por Cristina Ribeiro às 20:42
Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

 

Nas primeiras horas da madrugada, Dom João Peculiar, primaz das Espanhas, deixava o albergue onde pernoutara, quando se cruza com um peregrino que, do mesmo modo, ali se acolhera.

- Muito folgo em ver Vossa Senhoria. Levais destino ?

- Espero encontrar-me daqui a uma hora, em Zamora, com o meu Príncipe, que já lá se encontra há dias. Não o pude acompanhar na ocasião, por me reterem em Braga coisas grandes. Vamos formalizar, na presença do Cardeal Guido de Vico, enviado do Papa, aquilo que há alguns anos o moço Afonso começou a talhar - a independência do nosso Reino.



publicado por Cristina Ribeiro às 12:50
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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