Segunda-feira, 07 de Novembro de 2016

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Que azáfama que ali vai! É tempo de podar as árvores que nos acolheram no Verão à sombra das suas folhagens. E um sentimento de tristeza: a catalpa amiga que vejo do meu quarto, onde me refugiava nesse tempo de canícula agora totalmente nua, agora despojada das folhas largas, magnânimos verdes leques ... No chão a roupagem outonal que trajou até há bem pouco tempo, amarela aqui e ali, mas verde ainda, num verde desbotado talvez... Uma certeza porém, a consolar a visão castanha, de tronco ferido: mal o Inverno comece a despedir-se elas, as folhas verdes, muito tenrinhas no começo, muito delicadas ainda, voltarão e com elas a alegria da paisagem verde...



publicado por Cristina Ribeiro às 20:21
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2015

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Perguntava a sorridente dona do restaurante da beira-da-estrada, onde paráramos, adiantada que ia a hora para calarmos o esfomeado estômago; porque isto de apreciar paisagens de encher o olho não era de modo a satisfazer o vazio que há muito sentia, ia dizendo... E pronto! lá estávamos nós frente a crepitosa lareira, enquanto lá fora o céu muito azul convivia com o frio que enchera de neve a serra que da janela nos espiava, numa brancura imaculada. Estávamos, mais uma vez, em terras de Barroso. Vilarinho de Negrões, havíamos nós lido na tabuleta à entrada da acolhedora povoação. Que sim, o manjar estava de jeito a ninguém botar defeito...



publicado por Cristina Ribeiro às 23:42
Quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013
" Não me envergonho de mudar de opinião, porque não me envergonho de pensar "
 Uma máxima que faço minha quando se trata de ajuizar sobre um assunto. Para tanto, até que me sinta capaz de o avaliar, só um caminho se me abre: estudá-lo, pensá-lo, e, desse modo, aprender; como digo muitas vezes, e nisso aproprio-me do pensamento inscrito num  blogue amigo, por o achar tão verdadeiro, " Dia em que se não aprende nada é um dia perdido ".
Não raro chego a conclusões que fazem com que muita gente me olhe de esguelha:" como é que pode pensar assim??? " leio em muitos olhos e entrelinhas. Porque, a dado passo da minha vida, comecei a querer, repetindo José Régio, " não ir por aí "; seguir pela estrada " por onde me levam meus próprios passos ".
E quando vejo que me olham de esguelha, lembro-me de Schopenhauer:
 "Toda a Verdade passa por três fases!
Primeiro, é ridicularizada.
Segundo, é violentamente atacada.
Terceiro, é aceite como evidente"


publicado por Cristina Ribeiro às 20:03
Sábado, 04 de Dezembro de 2010

 

 

que o cimo da escrivaninha do meu irmão se encheu com os livros de Eça de Queiroz  editados pela  « Livros do Brasil » .

Foi uma surpresa não só para ele, mas para os outros irmãos, que já afilavam o dente ao ver aquela colecção inteirinha à nossa espera.

                Mas esperava-me um balde de água fria: Só podes entender estes livros quando tiveres 15 anos, disse o meu pai, quando viu o olhar guloso que lhes deitei.

Deve ter sido por essa altura que comecei a visitar regularmente a escrivaninha do meu irmão



publicado por Cristina Ribeiro às 20:31
Sábado, 13 de Novembro de 2010

 

 

 

Chegada agora mesmo do Quénia, aonde fui transportada pelo filme « Algures em África », voo directamente para Viena aonde vou ouvir ( milagres da Tecnologia DVD ) o Concerto de Ano Novo;.Não tardará, espraiar-me-ei pelas margens do " Schone Blau Danau ", que fui encontrar cinzento ao passar pela cidade de Maria Teresa, e mais azul, mas por certo muito longe do encanto imortalizado pelo irmão Strauss, uns anos depois, na outrora também Absburguesa Budapeste.

 




publicado por Cristina Ribeiro às 17:03

 

 

 

 

Na mesa expõem-se os despojos de quase duas semanas de hostilidades benfazejas. Alguns aviam já as malas para, logo de manhã- " Bem cedo. Temos de evitar as filas de carros " -, rumarem a outros sítios mais ou menos longínquos.

Entretanto, bebe-se até à última gota do cálice ainda entre  nós, porque esse é um luxo que não podemos esbanjar.

As últimas gargalhadas, as últimas impressões,  " até à próxima oportunidade ".

O chá de jasmim arremata o jantar em que as palavras ditas,  e as que se adivinhavam, correram livremente, num leito sem fundo.

Aquecem-se as saudades que já se sentem.

 

Cada um de nós refugia-se no pensamento de que o reencontro será para breve.

 

E é então que me parece ouvir o eco da voz da Tia Doroteia: "Já te deitaste? Já dormes? ". Desligo o computador.



publicado por Cristina Ribeiro às 16:56

 

 

 

cada um deles traz o seu  contributo para a ceia.

No leitor, Nat King Cole vai aquecendo o ambiente, que trataremos de não deixar arrefecer, deitando achas na fogueira da amizade.

Depois virão as rabanadas e os formigos, num crescendo de doçura.

                         Tudo regado com vinho do quente Alentejo.

 

Quando, há momentos, abri a porta do frigorifico, para que uma amiga lá deixasse um bolo, disse-lhe: nunca ele esteve tão cheio, ao que ela replicou: é um bom prenuncio...

 

       Que as uvas, aqui ladeadas pelas tão da época maçãs da-porta-da-loja, vos tragam coisas boas no Novo  Ano!...



publicado por Cristina Ribeiro às 16:43
Sábado, 22 de Maio de 2010

 

 

deixado pelo António: " Pelo que apreendo do seu pensamento que tenho acompanhado ao longo dos tempos, deduzo que a Cristina não se revê em qualquer modelo actualmente existente ".

Depois de ter respondido que, obviamente não, reconhecendo o meu idealismo, o de viver numa monarquia constitucional como a que ( por tão pouco tempo! ) foi protagonizada por D. Pedro V, fiquei a pensar: não é só em termos políticos que me sinto desenraizada - vejo-me a viver num país cuja História me enche de orgulho, ainda que, vistos à luz d'hoje, alguns dos seus episódios não sejam motivo de orgulho, mas, quando olho à minha volta me entristece - muito -: antes do mais porque já tenho idade para ter visto como ele era antes; quando olho para os pedaços da minha aldeia que resistiram à avalanche destrutiva lembro que toda ela era assim, e recordo que, antes desta onda gigante de consumismo, tudo era mais simples, e éramos mais felizes. E lembro que, de certo modo, a qualidade de vida das pessoas era muito melhor: havia muitos menos automóveis nas estradas, mas havia transportes públicos, sem se ouvir a toda a hora buzinadelas, e o caminho, a estrada, era quase toda nossa.

Quase toda a gente na aldeia tinha o seu pedaço de terra, a cujo cultivo se dedicava em exclusivo, ou acumulava com o trabalho nas fábricas vizinhas, enquanto a mulher, em casa, ia trabalhando nessa mesma terra- quem não a tinha, contava muitas vezes com a solidariedade dos vizinhos, para quem, muitas vezes, trabalhava ao jornal.

É a perda deste tipo de vida que explica que já não haja, com poucas excepções, como quanddo os emigrantes vêm de férias, tantos bailaricos, tantas romarias.

Não é saudosismo, é constatar que o desenvolvimento do país poderia ter sido feito sem perda de identidade.



publicado por Cristina Ribeiro às 00:38
Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

Lá Lá fora os cães ladram, à espera de um último biscoito. A vontade para fazer seja o que for é nenhuma.

Mas o telefone toca, e do outro lado uma voz amiga, com novidades boas, com novidades más...

Mas acima de tudo oiço a voz de um amigo de quem já tinha saudades.



publicado por Cristina Ribeiro às 00:51
Terça-feira, 27 de Abril de 2010

 

 

( Casa do Alto-Nespereira, Guimarães, recuperada em 2005 )

 

viera para Guimarães, para aí ingressar no Exército, acabando porém por escolher a região para morada definitiva, ao construir nos arredores da cidade - Nespereira - a Casa do Alto.

Era, na época em que comecei, por via dos estudos secundários, a frequentar a cidade, esta Livraria Raul Brandão uma das duas principais, e, por certo, a mais apelativa, tendo em conta as grandes montras, que sempre ostentavam as capas mais atraentes, os títulos mais reluzentes. Por ela passava todos os dias, e nela demorava o olhar, mas só calhava de lá entrar quando uma amiga, a quem o pai abrira  uma conta mensal determinada, ia aí comprar os livros da  Biblioteca das Raparigas, em que o nome de Odete de Saint-Maurice se destacava: foi a altura de ler, depois que ela os tivesse lido, « Colégio de Verão », « Sou Uma Rapariga do Liceu », ou « Setembro Que Grande Mês ».

Até que um dia, essas montras tantas vezes olhadas, se encheram de papéis a anunciarem a liquidação total, e descontos tão altos que os livros seriam quase dados. Foi então aquela fartura que muitas vezes, embora nem sempre, se segue à fome.



publicado por Cristina Ribeiro às 00:41
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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