Quarta-feira, 02 de Julho de 2014


Preparou-se, pois, logo no mesmo ano de 1907, a partir da casa do visconde da Ribeira Brava, que, tal como José Maria de Alpoim, dissentira do partido progressista, e estava " já lançado no primeiro plano da lucta contra o governo ", um golpe contra João Franco , aprazado para o dia 28 de Janeiro de 1908, organizado pelos republicanos e franco-mações António José de Almeida e Luz de Almeida. Entre os conspiradores estavam os futuros regicidas Buiça e Costa, que haviam sido " escalados para o assalto ao palácio real ", mas " visto o rei ficar em Vila Viçosa ", tinham-se dirigido para o Quartel dos Lóios.
" Na Avenida é que se devia esperar o João Franco ", comentavam entre si os conspiradores, e " após a execução ", proclamariam a república no Terreiro do Paço.
Mas o chefe do governo não aparecia. Deliberaram dispersar. Não sem que a conjura fosse descoberta, por um acaso: " Um policia de serviço na Camara Municipal " vira entrar muita gente para o elevador, que não trabalhava, e lançara o alarme ", tendo a maioria sido presa. Encontraram-se muitas armas, que tinham sido fornecidas pelo visconde.
No dia seguinte, o indignado Alfredo da Costa, chamando covardes aos que tinham " deixado de cumprir o seu dever " dirigiu-se à Redacção do « Paiz », onde se acercou de Meira e Sousa, o director do jornal, e que também conspirava contra o Rei e o seu Conselheiro, a quem exclamou: " - João Franco lavrou a sua sentença de morte ao tocar em António José de Almeida - o seu ídolo -; vou matá-lo! ", ao que o jornalista contrapôs que " o presidente do conselho era apenas uma prolongação do rei, que o dirigia "" Então mata-se o rei! ", objectou.

( Fonte-<< João Franco e o seu Tempo >>, de Rocha Martins )


publicado por Cristina Ribeiro às 09:05


Quando, confessando-se impotente para ir mais longe nas necessárias reformas na Nação, devido às constantes acções de bloqueio dos partidos, que ele mesmo crismara de " rotativos ", João Franco falou ao Rei na sua intenção de se demitir da chefia do governo, D. Carlos demoveu-o desse propósito contando-lhe uma anedota: " Na guerra dos sete anos, contra a Inglaterra, a Austria e a França, Frederico, o Grande, já batalhava havia seis, quando, no momento mais rude da campanha, surpreendeu um granadeiro que se preparava para desertar; Frederico, serenamente, disse-lhe que ficasse e esperasse a batalha do dia seguinte:- « Se a perdermos, desertaremos os dois » "

O Conselheiro entendeu a mensagem. " Faziam-se as reformas. Já havia ensaiado a via parlamentar, e tudo fracassara, ruíra, perdera-se no rumor - com a dissolução do parlamento trabalhar-se-hia e depois levar-se-hia á nova Camara o resultado, seguindo-se com as reformas prontas, o paiz transformado, entrando, enfim, no que D. Carlos ambicionava, e julgava só poder resultar da tenacidade do seu presidente de conselho: a vida nova. ( ... ) A imprensa estrangeira, num acolhimento desinteressado, aplaudia. O « Morning Advertiser » explicava a lucta com os partidos por querer El-Rei implantar a moralidade administrativa.
A maçonaria movimentava-se: em França, onde Magalhães Lima tinha influencia nos meios extremistas, três portugueses reuniam-se no restaurant Brébant, a fim de prepararem as cousas para um golpe contra João Franco. "

Rocha Martins, « João Franco e o Seu Tempo »


publicado por Cristina Ribeiro às 08:55
Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

 


" De entre os numerosos testemunhos que marcaram a assimiladora expansão dos Portugueses durante os séculos XVI e XVII, pelos continentes da África, da Ásia e da América, pelas Ilhas do Atlântico e do Pacífico,não têm sido dadas merecidas notícias dos pelourinhos ultramarinos, irmãos daqueles que na Idade Média, à voz dos forais, se foram levantando nas praças de todas as cidades e vilas do Reino.

Esse poste ou coluna, monumento singelo ou obra de arte, representava a força e prestígio da autoridade, ao serviço da Lei, e em formas semelhantes foi erguido nas cidades e praças de Além-Mar.

Quando Afonso de Albuquerque, após a conquista de Ormuz, mandou construir a picota no bazar da nova cidade, ajoelhou no primeiro degrau, com o barrete na mão, e assim saudou o novo monumento: "Deus te salve para sempre e acrescente em verdade, vara da real justiça d'El-Rei nosso Senhor . "


Hipólito Raposo, « Oferenda »


publicado por Cristina Ribeiro às 11:56
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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