Segunda-feira, 28 de Agosto de 2017

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Figura proeminente da 4ª geração do Integralismo Lusitano, Barrilaro Ruas espelha neste livro muito do seu pensamento monárquico tradicionalista. Não há documento que ateste o terem-se realizado as cortes em que tal « grito da liberdade portuguesa » - " Nos liberi sumus, Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt " - terá sido proclamado, é certo, mas nenhum documento é necessário para que o saibamos como a tradução, genuína, do pensamento dos portugueses de então, contemporâneos das ditas Cortes de Lamego ( até porque outros documentos da mesma altura são suficientemente elucidativos ); pensamento que nunca, ao longo dos tempos foi deixado cair, até que ventos malfazejos começaram a soprar d'além fronteiras. Como refere este autor, ele define " a alma da Nação portuguesa " e " roubar o Rei à Nação é condenar esta a uma existência anárquica. ( ... ) A liberdade do Rei é inseparável da liberdade dos Portugueses ". Ora, por força do liberalismo triunfante em 1820, foi o Rei expoliado do papel que tradicionalmente cumpria na sociedade portuguesa ao passo que a aparente liberdade dos cidadãos " tinha no seu carácter ilimitado o princípio da própria destruição "; dá lugar a uma falsa liberdade. O tradicional municipalismo, em que os cidadãos exerciam plenamente essas liberdades, a partir dos concelhos, é substituida pela centralização da administração, tendo essa ruptura com a Tradição acontecido apenas, e por curto espaço de tempo, durante o despotismo iluminado, com o governo do, também maçom, Marquês de Pombal. Como nessa altura " o Rei perde a sua natureza "; a realeza perde a tradicional natureza de instituição histórica aberta a outras instituições.



publicado por Cristina Ribeiro às 15:32
Quarta-feira, 02 de Julho de 2014


O Rei fora assassinado, e com ele o Príncipe Real, pelos carbonários Alfredo da Costa e Manuel Buiça.
Havia que não ceder a esta manobra que visava acabar com a monarquia, e o mínimo devido à memória do « Martyrisado » era continuar a obra que, com apoio do seu presidente de governo, encetara, tendo em vista a recuperação de uma Nação, que todos os dias se esvaía um pouco mais, a caminho do inevitável abismo, que hoje revivemos; mas não: a traição dos " monárquicos " de então ainda não batera no fundo.
" À noite, nas Necessidades, o Conselho de Estado reunido persuade o novo Rei, infante D. Manuel, a afastar João Franco e a formar ministério novo. Faz-se a vontade ao inimigo, abatem-se bandeiras perante o crime. « Os regimens sucubem e desaparecem, menos pela força do ataque que pela frouxidão da defesa » - dirá o próprio João Franco. Resume, muito exactamente, um jornal, meses depois: - ' O Rei morreu na tarde de 1 de Fevereiro, no Terreiro do Paço. A Monarquia morreu nessa noite, no Paço das Necessidades ', precisamente quando a Realeza se erguia unida a um governo sério e forte. Eliminado da cena e lançado para o exílio o único homem de pulso, não há em torno de D.Manuel senão os velhos homens dos partidos, sempre envolvidos em querelas de vaidades, sempre obcecados pelo fito de conquistar o mando para si e para os seus amigos " ( João Ameal )

Os partidos que aquele chamara de " rotativos ", aproveitam-se assim da inexperiência bem intencionada do Infante adolescente para voltarem ao mesmo regabofe, depois dos esforços do rei e do seu 1º Ministro para fazerem de Portugal um país decente.


publicado por Cristina Ribeiro às 07:39
Quinta-feira, 19 de Junho de 2014
" O Rei começava a fatigar-se das manigancias dos politicos, a sentir nausea das ambiciunculas e baixeza, a descrer do estado apathico das gentes, do caracter escorregado sem lealdade - sim, sim, a desconfiar de todos (... ).
A sua phrase - isto é uma monarchia sem monarchicos - clamada n'um colapso d'angustia, ao cabo d'algum demorado exame ás forças defensivas do throno, grita a clareza cutilante com que elle sente o seu isolamento, entre o egoismo abjecto no completo alheamento da patria. ( ... ) O Rei assassinado no dia 1, se ressuscitasse, poderia ver, no dia 2, no governo os mesmos homens, a mesma graxa nas almas, mesma passividade nas ruas, mesmo palavreado nos comicios...
Pobre, pobre D. Carlos! quando se pensa que afinal era mais inteligente e teve virtudes superiores ás dos seus adversarios e seus cumplices. "
Fialho d'Almeida, « Saibam Quantos... »
 
O « Caluniado », como se lhe referiu Ramalho Ortigão, e que, na « Nação Portuguesa », António Sardinha considerou o primeiro dos Integralistas Lusitanos, quis fazer renascer a pátria, fazendo-a voltar à senda do Tradicionalismo, que a fez grande; mas venceu a ideia dos que a queriam pequena, ainda que para isso houvessem de recorrer à maior das baixezas humanas.


publicado por Cristina Ribeiro às 11:50
Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014
Há dias, quando o jornalista do Sol perguntou a D. Francisco Van Uden: " - E a sua namorada? ", respondeu:
" Ela disse que não ia esperar quatro anos. Então disse-lhe que tinha de arranjar outra pessoa porque o país estava à frente da namorada. "


publicado por Cristina Ribeiro às 22:08
Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014
Vencidos da Vida se intitularam, entre outros, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão, sendo nas « Farpas » onde mais verrinosamente acusam a sociedade de então, e, mais do que tudo, a política então feita. É esse sentimento de exasperação que os leva, mesmo, a, declarando-se não republicanos, afirmarem-se, não obstante, " muito condicionalmente monárquicos ", porque " entre monarquia constitucional parlamentar e república parlamentar constitucional não há diferença a não ser entre o princípio da eleição [ do Chefe do Estado ] e o da hereditariedade ". Manifestamente pouco. O monárquico tem o dever de querer mais!
Razão porque, implantada já a República, Ramalho diria que as " esfregas " aplicadas aos políticos da monarquia liberal podiam, do mesmíssimo modo, ser dirigidas aos políticos da República.


publicado por Cristina Ribeiro às 13:00
Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2013

" Um partido é ditadura; dois ou mais é " democracia "*; nenhum é monarquia, pois o Povo não precisa de intermediários para governar. "

 

* As aspas são minhas: tenho, temos os monárquicos tradicionalistas, os partidos como sinónimos de " governemo-nos a nós mesmos " e, obviamente, de corrupção. Democracia, o governo pelo povo, encontramo-la na Monarquia, no Municipalismo. Só.



publicado por Cristina Ribeiro às 06:34
Terça-feira, 10 de Dezembro de 2013
" Participante da natureza da Nação e da natureza do Poder Real, a Lei nem por isso se deve confundir com este ou com aquela.Quando D. João II cria a divisa inultrapassável do Poder Real -« Pela Lei e pela Grei » - exprime com rara clareza que não basta ao Rei amar o Povo; importa que esse seja um amor ordenado. ( ... )
D. Miguel foi Rei não apenas porque as Leis Fundamentais o chamaram ao Trono, mas também, acima de tudo, porque restaurou a Constituição Histórica, atacando sem mercê o Absolutismo e o Liberalismo - ambos ideológicos.
Por amor da Grei, salvou a Lei. No respeito pela Lei, salvou a Grei. "

Henrique Barrilaro Ruas, « A Liberdade e o Rei »


publicado por Cristina Ribeiro às 20:23
Segunda-feira, 02 de Dezembro de 2013

" Na minha inteligência ardem as luminosas verdades políticas do Integralismo, que são não só a verdade, mas também a salvação. Posta como axioma a necessidade de salvar a Pátria, a necessidade da Monarquia demonstra-se como um teorema ( ... )


                          Desentulhado o crapuloso caos da democracia, e seus mentirosos ideais e seus escandalosos factos; provada à luz da razão, a ignomínia de mentiras como a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade, a Soberania do Povo, o Sufrágio Eleitoral, a Bondade do Indivíduo, a Omnisciência do Parlamento, a Omnipotência do Governo sem Rei; reveladas à luz da História a corrupção, a baixeza, a alta-traição, o carácter anti-nacional...desentranhadas as tenebrosas psicologias dos políticos da democracia, as manigâncias torpes, as lutas imorais dos seus partidos, a comédia trágica do seu parlamentarismo, a asfixiante tirania da sua centralização, a incompetência dos seus governos, os seus mações, os seus plutocratas, os seus traidores, os seus demagogos... "


De todo este dantesco cenário nos avisou o esclarecido, porque ensinado pela História, a grande Mestra por tantos ignorada, José Pequito Rebelo; acaso o ouvimos? não! - para que de novo voltássemos a viver o caos...


publicado por Cristina Ribeiro às 22:05
Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

Para os que ainda duvidam de que está no ar um segundo « rotativismo » partidário, tal como o cunhou João Franco. O primeiro aconteceu durante a famigerada monarquia parlamentar, que, verdadeiramente, acabou com o assassínio de D.Carlos. Em certos aspectos da vida, a mesma água passa debaixo da mesma ponte, sim senhor! Basta não aprendermos com a História.
E, como as coisas estão, também este acabará em tragédia.
Nada aprendemos!
Temos de nos consciencializar de que os partidos são uma máquina de destruição.


publicado por Cristina Ribeiro às 14:24

Tenho na mesa de cabeceira vários livros; de literatura apenas leio um à vez ( neste momento, « No Bom Jesus do Monte » ), mas outros vou consultando, a eles recorrendo amiúde. Um destes é « Sob o Nevoeiro », do conterrâneo Mário Saraiva. Lúcido, cedo me dei conta de que em muito me identificava com o seu pensamento; na questão agora abordada, a conclusão lógica e óbvia é corroborada pela experiência que nos está dado ser vivida, há já 38 anos, a qual justifica que nela só não me revisse se fosse masoquista; só se não parasse um bocadinho, pouco é necessário, para pensar na razoabilidade do que diz.

 

Pergunta ele: " Acaso o pluripartidartimo [ tanto em Monarquia como na República ] alcançou a representatividade nacional? "

 

Pergunta que faz anteceder das seguintes considerações: " Temos no país uma longa experiência que vem dos princípios do século XIX e não podemos desprezar os factos e ensinamentos que ela encerra.

 

No desmanchar da feira do partidarismo monárquico, Oliveira Martins, um dos maiores pensadores da sua geração, denunciava com a maior propriedade que « o deputado só legitimamente representa a opinião partidária » e também que « entre os partidos e a sociedade portuguesa , entre uns bandos de espectadores e uma massa de gente laboriosa, não há pontos de contacto íntimo, nem solidariedade ». ( ... ) É notável, pela clarividência que revela, o seu estudo « As Eleições », propositadamente posto no esquecimento, porque muito informativo para o público desprevenido.

 

Com o acto revolucionário de 1910 os ingénuos idealistas republicanos [ que também os houve ] não tiveram a percepção de que o mal que arruinara a vida política em monarquia era o do partidarismo, pelo que em vez de partidos monárquicos passaram a degladiar-se partidos republicanos.

 

As coisas e as pessoas são o que são, e não como se desejam. Os partidos políticos não podem ser diferentes de si próprios, porque não podem fugir à sua circunstancialidade. A prova que nos deram, em tão longa experiência ( partidarismo monárquico, partidarismo republicano ) foi a de que, com o tempo, em vez de se corrigirem e aperfeiçoarem,mais se deterioraram, por agravamento doss seus defeitos ".

 

Acrescento: porque está na sua natureza o autopromoverem os próprios interesses, em detrimento do interesse do povo que juram representar, do interesse nacional.



publicado por Cristina Ribeiro às 14:14
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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