Sexta-feira, 08 de Dezembro de 2017

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" Vós, mulheres portuguesas, amai-o sempre, porque Camilo foi o mais carinhoso intérprete do vosso coração! Todos os graus do amor -desde que ele não é ainda senão um arfar mais fundo do vosso peito iludido ( ... ) até às violências da felicidade ou da dor -; todos os aspectos: aquele amor tímido que se esconde, e aquele amor vaidoso que se ostenta ( ... ) - todos estes modos de ser do mesmo cuidado Camilo entendeu e exaltou. Nas mãos dele andaram os vossos mais bonitos segredos de amor. Vivem na sua obra os tipos perfeitos de mulher amorosa deste amor português que alguns chamam romântico e que eu chamarei divino. Vão mudados os tempos, bem sei. O espiritualismo é contido pela análise. A alma de Platão anda arredia das almas modernas. No entanto, ainda por aí freme, em corações moços ansiar de sonhos, muita insistência de raça afectuosa, muito irredutível atavismo de sentimentalidade que rebenta e estrige em gritos de amor fatal! Essas almas compreenderão as grandes amorosas de Camilo "

Antero de Figueiredo in ' A Águia '



publicado por Cristina Ribeiro às 15:59
Domingo, 22 de Outubro de 2017

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Fascinada pela leitura de opúsculo, editado pela Sociedade Martins Sarmento aquando do centenário de Camilo Castelo Branco sobre as suas relações com Guimarães e com o patrono dessa Sociedade. E que bem escrevia o então Presidente da SMS, Joaquim Santos Simões, autor do livrinho! " O Minho -e nele Guimarães -alimenta o seu mundo real e imaginário com as suas gentes, os seus monumentos e as suas paisagens, as suas aldeias vilas e cidades..."



publicado por Cristina Ribeiro às 19:34
Domingo, 27 de Agosto de 2017

da língua portuguesa, é sempre com prazer que leio - e releio! - autores como Camilo, Tomaz de Figueiredo ou João de Araújo Correia. Desta feita são os " Pontos Finais " que me chamam de novo. Alguns capítulos já os lera, tempos atrás, mas a urgência doutro livro, não lembro já qual, obrigou-me a adiar a leitura a que hoje volto. E logo castiço vocábulo me empurra para aquele conselho do nosso grande esgrimidor do vernáculo.

Sim; neste tempo de facilitismos digitais, os velhos dicionários, Morais ou outro, ainda nos movem, com vantagem!

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publicado por Cristina Ribeiro às 18:40
Quarta-feira, 02 de Julho de 2014

Dela o primeiro livro que li, « Mariazinha em África ».
Gostei, muitos anos depois, de ler-lhe as Memórias - « Ao Fim da Memória » - e encontro agora este livro, que, parece, terá escrito já doente, todo ele preenchido por epístolas que têm por destinatários alguns daqueles que a rodearam desde pequena, como a mãe ou as tias, e outras pessoas que a marcaram ao longo de uma vida cheia, como o marido - António Ferro -, Cecília Meireles ou Carlos Drummond de Andrade...
É também o caso de Mircea Eliade, escritor grandemente amigo de Portugal, ao tempo Adido Cultural da Roménia. Da carta que lhe destina retiro este excerto, revelador de uma vida rica, preenchida, daquelas que nos fazem murmurar - assim, sim!...

" Recuo algumas décadas no tempo, até chegarmos àqueles anos distantes, tão distantes, ai de nós, que com a completa inocência da nossa relativa juventude, afirmávamos tudo, sabíamos tudo. A vida era para nós, então, uma coisa simples. ( ... ) Uma coisa é certa: nenhum de nós era tolo,éramos todos intelectualmente ambiciosos e todos sabíamos já que os valores espirituais eram os únicos que verdadeiramente tinham importância ".

Era uma época em que o romeno organizava tertúlias em sua casa, para " trocar impressões: você, Eliade, escolhia um assunto, que seria estudado e discutido na semana seguinte Os assuntos eram variados, de importância desigual, mas que nos pareciam a todos essenciais. "

Vidas que não souberam nunca o significado de « vazio ».


publicado por Cristina Ribeiro às 09:21
" Esse olhar silencioso
Em que lingua se traduz?
Fala-me, oh astro saudozo
luz do céo, pallida luz!

A encantadora simplicidade dos versos de João de Deus, o seu caracter espontaneo e apaixonado, traduzindo em formas singelas e irreprehensiveis os sentimentos da sua bella alma - eis as qualidades que fizeram do poeta um vulto litterario de primeira grandeza ( ... )
A frescura, a ingenuidade e a vehemencia do seu lyrismo recordam-nos as eclogas de Bernardim Ribeiro, o poeta apaixonado e terno ( ... ) "
Fortunato de Almeida, « Revista Contemporanea »

Mas não é só esta faceta de poeta que vou buscar ao baú do meu Pai, em forma de estantes. Nas estórias que ia contando, a que retenho mais longínqua no tempo é a de ter aprendido ele a juntar as letras pela Cartilha Maternal, ainda antes da entrada na Escola Primária, devendo tais bons ofícios à generosidade do que havia de ser o seu professor durante os quatro anos curriculares, vizinho muito próximo, que nunca esqueceu até ao fim dos Seus dias, indelével foi a marca que deixou na Sua vida, de molde a considerá-lo « o segundo pai ». Basta dizer que, franqueando-lhe a sua biblioteca, O cativou para sempre para o amor aos livros.


publicado por Cristina Ribeiro às 07:50
Quarta-feira, 18 de Junho de 2014
 

                                                    Casa de Aquilino Ribeiro - Carregal, Sernancelhe.

 

Gaste assim as suas economias, não as malbarate em fofas novelas gafadas de galicismos ", escreveu Camilo castelo Branco no livro « Cancioneiro Alegre »

 

Quando leio a boa prosa do escritor beirão, são muitas as vezes que recorro ao dicionário, tantos, mas saborosos, são os regionalismos.

Pouco que fosse, nos anos setenta do século passado havia algum trabalho na divulgação da nossa boa literatura. No caso de Aquilino, logo nos primeiros anos do Ensino Secundário ri com as proezas da Salta-Pocinhas, n« O Romance da Raposa » e do almocreve prodígio no jogo do pau, n« O Malhadinhas ».

Hoje estou certa de que foi esta primeira incursão na escrita riquíssima do homem do Carregal que me abriu o apetite para depois ler outros livros seus. 

 
 


publicado por Cristina Ribeiro às 16:27
Quarta-feira, 07 de Maio de 2014

Camilo versus Eça: um confronto que só existe na cabeça dos incondicionais de cada um dos escritores. Certo que, genericamente, gosto mais da tão castiça escrita do homem de Seide, mas tenho como obras-primas, indispensáveis, alguns dos livros de Eça: aí estão, nomeadamente,  A Ilustre Casa de Ramires ou Os Maias.

 Vem tal a propósito de texto lido na Revista Gil Vicente - um excerto do livro « No Saguão do Liberalismo », de Fernando Campos.

" É ponto assente que o romancista da Ilustre Casa de Ramires nunca foi esse desnacionalizador sistemático, apontado às turbas inconscientes por certa crítica leviana.
Acusaram-no de francês, de estrangeirado, de autor rebelde às disciplinas tradicionais da linguagem - que teria maculado por desconhecer os clássicos - e de mau português, que desdenhava a sua terra. ( ... )
Diferente é o parecer de Agostinho de Campos, crítico autorizado da obra queirosiana, o qual sustentava que ' Eça provou que era, ao contrário, portuguesíssimo, num Portugal que abdicara todo da sua velha individualidade nacional ' "
O próprio Eça defendera-se dessa acusação no artigo « O Francesismo », acrescenta Fernando Campos. Com efeito, aí o autor d'A Cidade e as Serras diz que aos homens de 1820 devia Portugal o estar curvado aos ditames que sopravam de França; que embora o assacassem de afrancesado, a verdade é que « em lugar de ser culpado da nossa desnacionalização fui uma das melancholicas obras d'ella », ele que « ainda com sapatinhos de crochet » " começara a respirar a França, e a ver só a França à sua volta."
Este livro, em que nos apresenta um Jacinto cansado do cosmopolitismo parisiense mas também, antes, na Ilustre Casa, um Gonçalo que em tudo faz lembrar Portugal, acabaria de vez com tais calúnias?



publicado por Cristina Ribeiro às 20:12
Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014


« Licante »?; « Lapador »?; « regateiras-de-Abril »?; « arroz de goldras »?; « comer focinho de porco »?.........................



Livro póstumo, este, publicado em Dezembro de 1970, mas sobre o qual João Araujo Correia havia já escrito dois anos antes, n'O Comércio Do Porto, porque, necessariamente, acompanhara a sua génese, a sua elaboração, fruto do " enamoramento pelo vocabulário regional ainda vivo nos Arcos de Valdevez [ " terra de coração " do escritor bracarense ] e, aqui no Douro, em Aldeia de Cima, donde é oriundo, por qualquer costela, e aonde vem, de tempos a tempos, visitar Fausto José ".


São termos e expressões que colhe junto do povo, e que, por mais que procure a sua origem e sentido, esbarra com o silêncio dos dicionaristas, os quais " por vezes,sabem ainda menos que um - apre, que analfabetos! - e outras, frequentes, dão raia. ..."; é ainda junto desse povo chão que ele busca, e encontra, as tão apetecidas significâncias.



publicado por Cristina Ribeiro às 15:41
Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014
Em tarde de chuva, e olhando os montes quase cobertos por densa neblina, volto, como faço amiúde, ao Diário Quase Completo de João Bigotte Chorão: sei que nele vou encontrar o aconchego que me pede o espírito em dia de tão inclemente clima. Tom confessional, que só fica bem em escritores que possuem o dom, mas também a sabedoria, de o verter em boa literatura.
E, posto que é muito curta a minha incursão por literaturas estrangeiras, penso, cotejando o que numa e noutras me foi dado ler, que é na literatura pátria, mormente na que se fez até ao fim da primeira metade do século findo, com poucas excepções, onde encontro mais e melhores motivos de deleite. Concluo, logo de seguida, que a acalentada Alma Portuguesa não tem como único intérprete o Fado. Os nossos escritores não deixaram que isso acontecesse.
Há muito tempo ouvi a alguém que tinha encontrado, na essência, certa similitude na literatura que se fazia no país dos czares. Lembro de que por então ainda nada dela conhecia, mas quando comecei a ler os livros do autor de Crime e Castigo, não me pesou nada concordar


publicado por Cristina Ribeiro às 12:48
 o escritor não se cansa de zurzir os que à língua pátria dão tratos de polé, a quem, muito justamente, chama ingratos, e não foge João de Araújo Correia de dizer que " uma das causas da degeneração da nossa língua é o descaso que toda a gente faz dos escritores portugueses "; ainda se tal ingratidão " recaísse apenas em escritores maus "...
Mais diz: " O culto dos nossos livros, dignamente escritos, desapareceu. A prosa dum Herculano, dum Garrett, dum Camilo, dum Eça ou dum Ramalho jaz arrumada em prateleiras como corpos mortos em gavetões de jazigo. "

É mesmo de Ingratidão que se trata, esse aleijão que veio para ensombrar a vida em Portugal, e não apenas no que à língua se refere.


publicado por Cristina Ribeiro às 12:37
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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