Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

 

Não pretendendo sequer chegar aos calcanhares dos irmãos Castelo-Branco ( levados da breca! ), declaro-me uma " quietinha ", que, o máximo até onde ia era o roubo de uns ovos da capoeira materna, para fazer gemadas à socapa. Nem por isso me livrei do epíteto de Maria-rapaz, só porque, tendo como únicos parceiros de brincadeira, antes de ir para a escola, quatro irmãos, pedi à minha mãe um pião e respectiva fieira, quando era suposto brincar às casinhas. Tive de esperar a vinda de uma irmã, pois.



publicado por Cristina Ribeiro às 18:28

 

Era o Natal dos meus seis, sete anos- e penso-o assim porque havia já algum tempo que me tinham caído os dentes de leite- ; na véspera colocáramos, como sempre, cada um de nós, um sapato no fogão de lenha, e só íamos ver os presentes na manhã seguinte, assim que os pais autorizassem. Dessa vez fui a primeira a chegar, e vi que no meu sapato estava um fantoche de uma velha desdentada, enquanto no de uma irmã mais nova estava uma princesa de vestido azul e coroa- trocá-los foi uma questão de segundos. Quando a minha irmã chegou e viu o que lhe coubera em sorte, lamentou-se:

-" O Menino Jesus enganou-se; eu não sou a mais velha. "

 

E, claro está, que os meus pais nada puderam dizer.



publicado por Cristina Ribeiro às 18:17
Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

 

 

 

Que fazíamos os nossos serões. Lembro-me deles no fim dos dias frios de Outono e de Inverno. Nessas noites, e após o jantar, sentávamo-nos ao redor da lareira de granito, onde crepitava a fogueira, sempre de chamas bem altas. Um pouco afastadas, bem no meio do borralho, duas chocolateiras de barro, mantinham sempre quentes o chá e a cevada, prontos a bebericar. Começava então aquilo que, algum tempo depois, veria, como numa " reprise", no ecrã do cinema: a sessão à Von Trapp, com o meu pai a dirigir aquelas vozes infantis desafinadas Foi o tempo de aprendermos " Eu Vou Comprar um Chevrolet" ou "Alecrim, Alecrim,aos Molhos , que Nasces no Monte sem ser Semeado".

 

Novembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 20:00

 

Quando, ontem à noite, vi, e comentei, este post de João Távora, não contive um sorriso: lembrei a tarde, teria, talvez, sete anos, em que, no Teatro Circo de Braga fomos todos vê-lo -seria a primeira de muitas vezes, agora na televisão, até que me cansei -. Como é costume enraizado cá em casa ( tinha de me calhar uma família assim, logo a mim que muito prezo a pontualidade :) ), chegámos tarde; no momento em que a preceptora se sentava em cima da pinha, colocada na sua cadeira pelos diabretes, o que me divertiu muito. Relembro as cenas todas, e o facto de, nos dias seguintes, comentarmos, eu e as minhas irmãs, as peripécias que nos tinham encantado - recordo com particular pormenor o termos retido a cena em que a mais pequenina dos Von Trapp queria, porque queria, mostrar o dedo magoado à Fraulein que regressara ao convento...; o quão bonito acháramos o capitão, nós que nos pensávamos com direito a encontrar um homem tão charmoso...; o termos confessado que ficáramos com um nó na garganta, com muita pena dele, quando vimos que, com a emoção, lhe falhou a voz ao cantar Edelweiss... Ficámos com inveja quando, na casa de uns amigos, vimos o disco de vinil. Não admira, pois, que quando, muitos anos depois fui a Salsburgo lá tenha comprado o CD. Nunca o ouvi, mas talvez um dia destes queira voltar a ouvir o capitão a cantar Edelweiss.



publicado por Cristina Ribeiro às 19:41
Sábado, 17 de Outubro de 2009

 daquela menina que até tinha o nome da mãe e de uma das irmãs, e de se rir com as maluqueiras do coelho, do chapeleiro louco e, mais do que todos,da Rainha de Copas.

 

Só anos mais tarde iria conhecer os desenhos e as histórias de Beatrix Potter,

 

mas já os animais se perfilavam no seu imaginário como os protagonistas das histórias que um dia havia de escrever.

 

Outubro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 22:25
Sábado, 10 de Outubro de 2009

 

Uma amiga oferece-me «O Mundo Encantado de Beatrix Potter». Sabe do meu fascínio pela escritora e ilustradora inglesa, desde que há oito anos estive na sua casa do Norte de Inglaterra, em Lake District. Identifiquei-me com o muito que gostava daquelas paragens, palpável nos seus escritos e ilustrações. Lá comprei aquele que foi a sua grande criação, o coelho Pedro, para a sobrinha que iria nascer daí a poucos meses, e, há dois anos, quando aprendeu a ler ofereci-lhe vários daqueles livrinhos, profusamente ilustrados, que relatam as aventuras de Peter Rabbit e seus amigos; mas antes de lhos dar, não resisti, e comprazi-me com a sua leitura encantatória. É bom sentirmos que ainda temos capacidade para sermos crianças nestas alturas.

 

Maio de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 17:26
Sexta-feira, 09 de Outubro de 2009

 

Hoje, na Feira do Livro, de Braga, encontrei, num alfarrabista, um Livro de Leitura da 3ª Classe, igual ao que um dos meus irmãos tinha. Foi com alegria que nele encontrei uma lengalenga que, fiquei agora a saber, é a adaptação de um Romance popular, e que o ouvi declamar muitas vezes: - À guerra, à guerra, mourinhos! Quero uma cristã cativa! Uns vão pelo mar abaixo Outros pela terra acima. - Venha uma cristã cativa Que é para a nossa rainha. Uns vão pelo mar abaixo, Outros pela terra acima. Os que foram mar abaixo Não encontraram cativa; Tiveram melhor fortuna Os que foram terra acima: Deram com o conde Flores Que vinha da romaria Vinha lá de Santiago, Santiago da Galiza Mataram o conde Flores, A condessa foi cativa A rainha mal que o soube, Ao caminho lhe saía: -Em boa hora venha a escrava, Boa seja a sua vinda! Aqui lhe entrego estas chaves Da despensa e da cozinha, Que me não fio de mouras Não me dêem feitiçaria. -Aceito suas chaves, senhora Por grande desdita minha... Ontem condessa jurada, Hoje moça de cozinha Duas irmãs que nós éramos. Ambas de mouros cativas! -Dize-me tu, minha escrava. Tua irmã que nome tinha? -Chamava-se Branca Rosa Branca Flor de Alexandria Foi cativada de mouros Dia de Páscoa Florida Andava apanhando rosas Num rosal que meu pai tinha -Ai triste de mim, coitada Ai triste de mim, mofina Mandei buscar uma escrava, E trazem-me uma irmã minha! Deram beijos e abraços, E uma à outra dizia: Quem se vira em Portugal Terra que Deus bendizia! Juntaram muita riqueza De ouro e pedraria; Uma noite abençoada Fugiram da Mouraria Foram ter à sua terra Terra de Santa Maria Meteram-se num mosteiro, Ambas professaram num dia.

 

 

 Abril de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 20:23
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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