Domingo, 24 de Outubro de 2010

Como Sá de Miranda, espanto-me como é que durante anos a fio os escolhidos
pelos timoneiros ( péssimos timoneiros em terra de grandes e imortais navegadores ) para cuidar das finanças deixaram isto ir ao charco, e agora vêm, quais carpideiras dizer que " isto vai dar recessão e séria "

 Sou daquelas que pensam que Salazar falhou em questões essenciais, mas é muito convictamente que digo que todos estes, agora às aranhas, não valem um dos seus dedos mindinhos: razão primeira - não puseram, como ele, o interesse nacional acima de todas as coisas.


publicado por Cristina Ribeiro às 18:28
Quarta-feira, 24 de Março de 2010

A comparação é inevitável. O governo português encomenda, com o nosso dinheiro, relatórios sobre o estado da economia - a Porter mas também a Medina Carreira - ambos lhe falam na doença estrutural,  e prescrevem as medidas a tomar. O governo trata-os como Cassandras ou Velhos do Restelo, porque essas medidas não lhe trarão os votos de que necessita para voltar à cadeira dourada do poder; logo se verá, quando o futuro chegar... . O futuro chegou e agora estamos a ver e a sentir - primeiro veio o pântano, depois a tanga, sempre, sempre até ao abismo.



publicado por Cristina Ribeiro às 12:23
Sábado, 07 de Novembro de 2009

 

 e, numa deslocação à vila vizinha vi, a passar ao longe, um deficiente mal vestido e descalço- indignação imediata, dizendo a mim mesma que esse homem tem as mesmas capacidades de sofrer que esses políticos que se empanturram de benesses à custa dos filhos de deuses menores que, não obstante as promessas feitas há 34 anos já, continuam a proliferar.

 

Fins dos anos sessenta, inícios dos setenta, nesta mesma terra, tantas vezes calcorreada, nunca vi nada igual- não havia luxos, mas não assisti a miséria igual. Conta a minha mãe que viu disso durante a 2ª Guerra Mundial e ainda nos anos cinquenta. Concluo que estamos a regredir.

 

Janeiro de 2009



publicado por Cristina Ribeiro às 22:38
Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

 

 e de toda a região circundante, rumaram, nos anos sessenta, a França e à Alemanha em busca de " uma vida melhor"- era pequena e ouvia, todos os dias, os adultos comentarem: "- Fulano foi ontem a monte para França; - E sicrano foi anteontem", acrescentava alguém - ; era gente sem qualificações profissionais. Hoje esta vaga de emigração repete-se; só que, além dessas mesmas pessoas desprovidas de qualificações- tem sido enorme a sangria com destino ao Mónaco, mormente- vou ouvindo de muita gente preparada, com cursos superiores, nomeadamente, que segue caminhos idênticos.

 



publicado por Cristina Ribeiro às 19:05
Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

 

 de uma grande maioria que o considerou o maior português de sempre", disse-lhe eu, no auge da irritação. "Somos muitos os que acreditamos que os valores da Segurança e da Ordem são possíveis numa Democracia em Portugal, mas também são muitos os que se esforçam por demonstrar que eles só são possíveis numa Ditadura, e para isso contam com a conivência das autoridades". Nesse dia tinha havido, numa outra zona da cidade, perto dali, dois assaltos à mão armada, e havia mais de meia hora que ligara para a PSP pedindo-lhes que viessem acabar com a arruaça de altos berros. A escumalha deu-se ainda ao luxo de continuar a gritaria por mais um bom bocado, depois de lhe chamarmos a atenção, porque sabe que mesmo que chamemos a polícia, esta lhe dará ainda muito tempo...; e não se enganou: quando o agente chegou, limitou-se a perguntar se queríamos participar o ocorrido ao Comando Geral; que sim, pelo que preencheu um formulário completíssimo, com nome dos pais, profissão, etc. etc., ao fim do que disse - "vou pôr no relatório que encontrei tudo normal" Fiquei indignada. Depois de lhe ter dito que o colega que atendera o telefone confirmara, porque ouvira, a barulheira, ainda lhe perguntei porque é que nos fizera perder tempo com o tal formulário.Eram quatro horas da madrugada.

 

Setembro de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 22:14

 

 interrompida há tempos, e detenho-me no trecho: " Nunca se viu uma crise económica gerar uma crise moral ou espiritual. O contrário é que é verdadeiro. É sempre a falta de " tónus" moral, a falta de espírito de iniciativa, a falta de confiança em si próprio, a falta de entusiasmo que geram o fracasso(...). Na nossa história, aliás, temos o exemplo disto. Nunca a situação económica de Portugal foi tão catastrófica como na época de D. João I. O País estava em guerra de sobrevivência: os fidalgos que possuíam parte da riqueza tinham emigrado em grande número para Castela; o comércio estava interrompido pela guerra. Todavia, nessa época manifestou-se um Fernão Lopes, construiu-se o mosteiro da Batalha, ganhavam-se duas das batalhas mais importantes da nossa história, Aljubarrota e Ceuta, existiu a Corte mais culta que houve em Portugal. Se a teoria da " crise económica que gera a crise moral" fosse verdadeira, Portugal não seria independente desde o século XIV". E interrogo-me: nesta nossa época, em que estamos a passar uma crise económica, seremos nós capazes de emular os nossos avós, "passando ainda além da Taprobana", teremos nós o valor suficiente, seremos merecedores do seu testemunho, ou a crise moral , que já vai grassando, levará a melhor?

 



publicado por Cristina Ribeiro às 13:28
Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

 

Nunca falho os Jogos Olímpicos; claro que há provas que prezo mais do que outras... . Mas ainda não vi , e acho que não verei, um bocadinho sequer dos que decorrem em Pequim.Porque acho que, por mais que se preze o fenómeno desportivo, lhe temos de antepor a dignidade humana, ou estar-se-á a violentar o alto ideal do Barão de Coubertin, que a teve sempre em mente, quando relançou os Jogos da Grécia Antiga.

 

Agosto de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:10
Domingo, 11 de Outubro de 2009

 

Num artigo datado de 1890, na «Revista de Portugal», Eça de Queirós escrevia: - "As lamentáveis desordens parlamentares, as violentíssimas e desmandadas polémicas, as mútuas e terríveis recriminações com que, obcecados pela paixão, os partidos se feriam uns aos outros na sua honra, deixaram no País que assistia espantado a uma tal lavagem pública de roupa suja, o sentimento desalentado que ele exprimia por esta fórmula- tão bons uns como os outros!" E ainda dizem que a mesma água nunca passa outra vez por debaixo da mesma ponte.

 

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:15
Sexta-feira, 09 de Outubro de 2009

 

A ler o primeiro romance de Camilo, «Anátema», que escreveu na verdura dos vinte e cinco anos (ou terá sido na dos vinte e dois, como diz no prefácio da segunda edição  ? ), deparo, a dado passo, com a frase " Não pulsa,  debaixo do céu, um coração que não sofra "; e dou comigo a sair do universo da ficção para o da realidade crua que nos cabe viver: será que o mesmo se pode dizer - e para não irmos mais longe - com a mãe e o tio da pequena Joana, ou do pai e da avó da pequena Vanessa?

Ninguém me convence de que em certos indivíduos, no lado esquerdo do peito existe mais do que um músculo que apenas bombeia o sangue.Não; debaixo deste nosso céu há corações que não sentem nada

.

 

 Março de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 14:40
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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