Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

 

 

 

 

 e com as sementes do milho na terra já - ao lado, os lavradores foram mais expeditos, e já se vêem as plantas verdes, numa corrida desenfreada, para que nelas surja e cresça a espiga que o sol há-de dourar -, mais uma vez o lamento de quem vê, quase de ano para ano, esta paisagem tão nossa a ficar aceleradamente com menor espaço, e a ser substituída pela aridez do betão, que, até há não muito tempo, lhe era estranha. E a minha irmã, que ouve este queixume, lembra o tempo, não distante, em que estes pedaços eram continuados, em extensões de terra cultivada, onde os olhos descansavam, naquele que era o resultado de um trabalho gostoso - via-se no olhar dos camponeses, adivinhava-se nas suas palavras felizes - .

Pedaços que persistem, apesar dos pesares, por teimosia de alguns que lutam para que este Minho não desapareça na uniformidade a que muitos querem ver Portugal reduzido...



publicado por Cristina Ribeiro às 23:48
Segunda-feira, 22 de Março de 2010

 

 

 Na Sexta-feira, ia eu carregada com vários sacos, quando um daqueles velhos lavradores de quem tenho falado, que do campo me vira pousar os ditos com frequência, a fim de recobrar forças, largou a enxada com que preparava a terra para o plantio do batatal, como me disse depois, quando inquiri,e veio perguntar-me:-" a comadre precisa de ajuda? " Comecei por ficar perplexa com tal tratamento, vindo de alguém que não conhecia, mas logo vi da bondade do mesmo. Depois de lhe agradecer, e dizer da não necessidade de ajuda, falei-lhe no quão bonito se achava o campo, todo aos talhões, e ele divagou sobre o tempo em que toda a aldeia era assim: " um brinco! ; agora...agora a gente moça não quer trabalho, mas emprego ".

Despedi-me e vim a matutar na sabedoria deste nosso povo simples.



publicado por Cristina Ribeiro às 11:47
Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

 

Encostado à enxada, o velho, magro, de pele tisnada pelo sol, sorria;  os olhos sorriam também: o orgulho naqueles talhões cultivados com alface, tomate, ervilhas...

No céu, a lua começava a  surgir, timidamente ainda, horas, portanto, de ir para casa, onde a sua Lucinda o esperava com uma sopa feita com hortaliça que as suas mãos haviam plantado e cuidado...

Pôs a enxada aos ombros e pôs-se a caminho, cantarolando...



publicado por Cristina Ribeiro às 22:38
Sábado, 07 de Novembro de 2009

 

 

 

               

 

 

No céu algumas nuvens ainda, mas agora com muitas abertas, por onde o sol começava a aparecer, a medo primeiro, com mais força depois. No campo " cor de limão ", que, uma semana atrás, tinha visto branco, alguns dos poucos lavradores que por cá ainda " fazem " a terra. As galochas que trazem calçadas denunciam o encharcado do terreno.. Pergunto ao António: - Estão a preparar alguma sementeira? ; ri-se da minha ignorância. - Como é que pode semear o que quer que seja, com a terra assim empapada? Não, estão só a ver se não houve estragos na erva, por mor de alimentar o gado.

Só lá para Março, depois de se meterem as batatas à terra, começam as sementeiras do milho e do centeio. Nessa altura a chuva aparece sempre, mas já terá passado o perigo das geadas... Com a chuva que agora cai, que Deus a dá, certamente eles estarão amanhã outra vez, a ver o estado da erva; " por mor de alimentar o gado".

 

Janeiro de 2009



publicado por Cristina Ribeiro às 23:11
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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