Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

" Tenho uma imagem do Câvado guardada para sempre no olhar, que não se cansa de recordá-la. Agosto no fim, já não era dia e ainda não chegara a noite. Vínhamos de Braga, era tarde. (...) Entrava já na estreita ponte sobre o rio e logo o espectáculo me obrigou a esquecer qualquer veleidade de pressa e a deixar o carro adormecer suavemente, aos poucos, até parar entre os muros roídos do tempo e dos abalos. O verde da outra margem diluía-se nas águas azuis sobre as quais o sol despedia uma luminosidade fugitiva " Luís Forjaz Trigueiros, in « Paisagens Portuguesas- Uma Viagem Literária » E no fim da ponte, velhinha no seu granito por onde o verde das ervas espreita, encontrou o escritor, quero imaginar, na manhã seguinte, se aí pernoitou, uma simpática Vila de Prado, de onde saíam em alegre algaraviada, coloridos ranchos de lavadeiras, com trouxas de roupa à cabeça, em direcção ao rio. A minha avó ainda me falou delas, e a ponte está lá, testemunha desta azáfama toda. As águas é que serão outras...



publicado por Cristina Ribeiro às 17:14
Cara Cristina:

Novamente lhe escrevo porque posso enfim, passado que está um momento muito difícil para mim, deleitar-me com os testemunhos que gentilmente nos oferece, ora na primeira pessoa, ora pela pena ou olhares de outrem. Estava em falta para com as suas publicações. Fui porém, por fim, atacado pela infâmia. Veio a vil punhalada por mão que por largo tempo segurei entre as minhas. E no meio da perfídia inominável, não caí justamente porque me amparavam a queda as penedias de Torga; o verde minhoto me impelia à vida. O sal do mar oceano, que nosso é e há-de ser porque só nos o domamos e só a nos respeita a autoridade, batia-me no rosto. E esta Portugalidade lembrou-me, nas acres horas de desespero, gritando-me solene, que sou Português. Ceder à baixeza ou a ela sucumbir seria traição à memória dos nossos maiores, cujos sacrifícios são monumentos imperecíveis. E como Português, não baixei a cerviz. De nada me acusava a consciência e tudo suportei calado. Perdendo todas as batalhas, ganhei a guerra, porque do sujo arsenal de que dispunha, não fiz uso pela podridão que dele emanaria.
Antecipadamente me desculpo pelo relato de sobra pessoal. Não duvide contudo, caríssima, que estas publicações e outras deste jaez, me resgataram a uma letargia que pronuncia a morte da alma. Não morreu, porque ser Português acarreta uma responsabilidade velha de séculos. Na desventura, soube honrar o sangue que novamente me ferve nas veias. Assim saiba honrar o sacro nome de Portugal nas bem-aventuranças.

Cumprimentos respeitosos

Paulo
Paulo Sousa a 13 de Março de 2016 às 03:50

Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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