Domingo, 11 de Outubro de 2009

 

Era por esta altura do ano, quando o linho tinha sido já "arrincado" e ripado, que, com as amigas, fugia à minha avó, e às tarefas de casa, para se juntar ao cortejo festivo que levava as plantas de flor azul ao rio, a "enterrar". Leio n«Os Mesteres de Guimarães»: " Quando o carrego é a preceito, vai o jugo dos bois enfeitado, e a carrada tem seu ar de festa. No alto, por sobre os molhos de linho, ergue-se um ramo de oliveira, com flores, que é obra da moçarada de saias. Sim, porque as raparigas também vão á "enterra". À dianteira vai a tocada, com tamboril, ferrinhos viola e armónica" (e cavaquinho, acrescenta a minha mãe)." É de ver que havendo viola e mulheres há cantadoria e dança. Feita com as enxadas a cama ao linho, na areia lavada do rio, aí o enterram". Mas a festa continuava quinze dias depois, quando se "erguia" o linho, para que ele secasse "à torreira do sol".

 

 

Junho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 15:49
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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