Terça-feira, 03 de Março de 2015

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" Ao cabo de um trecho relativamente plano e arborizado, surge, no cimo de um cabeço, a vetusta povoação, ainda cingida por alguns dos antigos cubelos e panos de muralha medieva. A vila tem todo o ar de uma terra morta, esquecida do resto do mundo. As ruelas, toscamente empedradas, têm um estranho ar sonolento. Aqui e além, um velhote que aquece os pés ao sol, ou duas mulheres que conversam, com voz anasalada e sotaque antigo. Subindo por uma dessas quelhas, depressa se encontra o alto onde outrora assentava o castelo. No local, todo escalavrado, apontam-se os restos do tal palácio do malfadado Cristovão de Moura. " Sant'Anna Dionísio

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N

Feriado

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Já, há alguns anos, passara o fim-de-semana prolongado do feriado do 1º de Dezembro naquela região de Castelo Rodrigo. E como é especial comemorar aí a Restauração da nossa independência! Desta vez o céu estava mais azul, as pessoas que por lá vimos continuavam a poder contar-se pelos dedos duma mão, mas o entusiasmo por estarmos em terra quase sagrada, esse também era o mesmo que naquele dia já longínquo. Agora na serra da Marofa pudemos ver, por entre um mar de oliveiras, algumas amendoeiras em flor. Uma saudade, porém: já não estava lá o Pai, para o Zé Miguel, um sobrinho ainda criança por então, lhe perguntar: "- Avô, que castelo vamos ver hoje? "; na véspera tínhamos visitado já Castelo Mendo e Castelo Melhor.



publicado por Cristina Ribeiro às 17:57
Terça-feira, 03 de Março de 2015

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" Longe do bulício do mundo, num isolamento profundo e silencioso, a aldeia parece adormecida no aconchego de um vale da formosa serra da Mourela, entre os penhascosos relevos do Gerês e do Barroso. Modesta e recatada, não há decerto povoação mais castiça, onde tudo é expressão de uma vida simples. Na intimidade do seu viver, duma fraterna comunidade, não ganhou raízes por estes sítios a erva ruim da Inveja, ou a raça daninha do Egoismo. Todos os seus vizinhos convivem em suave harmonia, como se constituíssem uma única família. ( ... ) Terra de humildes agricultorers e de robustos pegureiros, repartem seu labor entre os prados e a serra. ( ... ) A pouca distância da povoação, num impressivo recanto, subsistem as ruínas de um modesto Convento Beneditino, cuja fundação parece datar do séc. XII. " Esta a « Impressão » que, estava-se nos inicios dos anos sessenta do século passado, a aldeia de Pitões das Júnias, e as suas gentes, deixaram em Marques da Cunha. Não era a primeira vez que visitava a aldeia, ou o mosteiro, e nessa descrição do jornalista pude ver que por lá o demónio do " progresso " - como actualmente é por quase todos entendido - se tem mantido afastado: de uma das vezes, era fim de Abril e a serra estava coberta de grossa camada de neve, foi ocasião de conviver de perto com a população, quando, numa fuga ao frio, entrei numa casa onde me tinham dito podia comer queijo e presunto. Foi à roda de uma fogueira que eu e os meus amigos travámos deliciosa e aconchegante convera com os « vizinhos » de que fala aquele companheiro de andanças de Sant'Anna Dionísio.



publicado por Cristina Ribeiro às 17:36
Terça-feira, 03 de Março de 2015

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" Emendadas umas nas outras ", as memórias...

Estar a caminho da comunitária aldeia de Pitões das Júnias, num caminho rodeado de cores- o sempre presente verde da serra, o amarelo das maias e do tojo, o roxo da urze , o azul das florinhas que não soube identificar, e, claro, aquele céu, muito azul também. Um cavalo castanho, e a lembrança daquele poema de Reinaldo Ferreira, que li pela primeira vez na escola: Quero um cavalo de várias cores/Quero-o depressa, que vou partir./ Esperam-me prados com tantas flores, / Que só cavalos de várias cores / Podem servir. Quero uma sela feita de restos / Dalguma nuvem que ande no céu./ Quero-a evasiva - nimbos e cerros - / Sobre os valados, sobre os aterros, / Que o mundo é meu. Quero que as rédeas façam prodígios: / Voa, cavalo, galopa mais, Trepa às camadas do céu sem fundo,/Rumo àquele ponto, exterior ao mundo, / Para onde tendem as catedrais. / Deixem que eu parta, agora, já, / Antes que murchem todas as flores. / Tenho a loucura, sei o caminho, / Mas como posso partir sozinho / Sem um cavalo de várias cores? .



publicado por Cristina Ribeiro às 17:12
Terça-feira, 03 de Março de 2015

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Era mais uma incursão pelo deslumbrante concelho de Montalegre, onde, ao virar de cada curva - literalmente! - salta mais uma surpresa, que nos faz suspirar de admiração. Estávamos em Abril, e o frio a recomendar mais um agasalho; durante toda a semana chovera, e o resultado da " rega de Deus " via-se bem nos campos, onde a erva crescia a olhos vistos; o gado estava satisfeito, saltava à vista. O sol começava a dar sinais de querer esconder-se: era chegada a hora de encetarmos o caminho de regresso, depois de um dia muito cheio. Para trás ficara já Paradela do Rio, e com ela o rio Cávado. À esquerda um desvio e uma placa: Sirvozelo. Um caminho pedregoso e logo em frente uma capela, uma linda capela, como é de uso naquelas bandas - S. Mamede o seu patrono. Encravada na rocha, é uma aldeia feita de granito e silêncio. Seres vivos, por ali, só os animais: ovelhas a pastar, o burro preso ao poste ou o pónei junto da mãe égua. Já de saída um muito característico espigueiro - canastro, como é mais conhecido na região - bem à sombra de um grande conjunto de penedos sobrepostos, de onde um cão olha com curiosidade, senão suspeita, os forasteiros solitários.



publicado por Cristina Ribeiro às 16:57
Terça-feira, 03 de Março de 2015

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" Gostava muito que viessem à minha casinha. Bebiam um copinho de vinho, pão que a padeira me traz, e arranjava-se mais alguma coisinha ". Quem assim falava era a senhora Idalina, a quem perguntáramos o nome da capela ali ao lado. Vi, pelas duas alianças que trazia no dedo, que a senhora Idalina - já por essa altura lhe tinha perguntado como se chamava - era viúva, e, soube depois, muito solitária. Que vivia com um filho, respondeu quando lhe perguntei se vivia sozinha: um filho que nunca quisera casar, e se encontrava naquela altura a trabalhar no campo que o marido lhe deixara. Preocupada porque " não sabia falar muito bem, apesar de ter feito a 4ª classe, saber ler e escrever ": - Não, Dona Idalina, está a falar muito bem, não se preocupe. - Olhe, posso tirar-lhe uma fotografia? - Oh! estou toda despenteada... - Não está nada. Vai ficar frente a essas rosas, e vai ver que vai ficar muito bem! ................................................................................................................................. - Não quero demorá-los mais, mas gostava tanto que fossem à minha casinha!... - Hoje não, Dona Idalina, mas voltamos cá em breve. - Venham, venham! e gostava tanto que ficassem hospedados na minha casinha!... ; e apontava para uma casa feita de granito, de razoáveis dimensões, casa de gente remediada - Está combinado, lá para Setembro voltamos. Estávamos numa das vertentes da serra de Montemuro, concelho de Cinfães, na aldeia de Marcelim, freguesia de Tendais, onde " por entre construções modernas teimam em persistir casas de antigamente, de pedra sobreposta, com telhados de duas águas por onde se escapava o fumo denso da lareira que era a fonte de aquecimento no interior das habitações. "



publicado por Cristina Ribeiro às 16:42
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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