Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
                                                                                           Casa do Arturinho


cedo me habituei a conviver com toda a gente;  todos nos conhecíamos, e foi nessa altura que conheci pessoas boas, almas simples e amigas; refiro-me concretamente a pessoas que já não estão entre nós, e que eram família, não pelo sangue, mas no  carinho e amizade com que sempre nos brindaram . Hoje pensei muito em três dessas pessoas, e  falei delas com a minha mãe, que acrescentou pormenores comoventes dessas vidas.- por exemplo fiquei a saber que o Luizinho, uma pessoa de quem  todos gostavam, que vivia do que lhe davam - roupa, comida...- , e cujo sorriso tão sincero e inocente- sempre a dizer " É vida! É vida! ", era nele o espelho de uma alma pura, com o dinheiro que lhe iam dando juntou o necessário para mandar dizer uma missa quando morreu outra pessoa filha de um deus ainda menor- Está no céu! -  concluiu a minha mãe.

 

Outra pessoa boa, de quem já falei aqui, era o Sr'Armindo ( que vivia no tal poço, a fazer lembrar a toca do Peter Rabbit; como gostava de descer aquelas escadas de madeira tosca para falar com o Sr'Armindo! )

 

A terceira pessoa era o Arturinho: a viver com uma irmã também já idosa, numa casinha muito perto da minha avó materna, todas as crianças que frequentavam a , muito próxima, Escola Primária o adoravam. Presenteava-nos muitas vezes com sacholinhas ( pequeninas enxadas ) que fazia com bocados de aço que usava para fazer os garfos que vendia na feira.


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publicado por Cristina Ribeiro às 16:51
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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