Segunda-feira, 31 de Maio de 2010

 

 

 

 

 e com as sementes do milho na terra já - ao lado, os lavradores foram mais expeditos, e já se vêem as plantas verdes, numa corrida desenfreada, para que nelas surja e cresça a espiga que o sol há-de dourar -, mais uma vez o lamento de quem vê, quase de ano para ano, esta paisagem tão nossa a ficar aceleradamente com menor espaço, e a ser substituída pela aridez do betão, que, até há não muito tempo, lhe era estranha. E a minha irmã, que ouve este queixume, lembra o tempo, não distante, em que estes pedaços eram continuados, em extensões de terra cultivada, onde os olhos descansavam, naquele que era o resultado de um trabalho gostoso - via-se no olhar dos camponeses, adivinhava-se nas suas palavras felizes - .

Pedaços que persistem, apesar dos pesares, por teimosia de alguns que lutam para que este Minho não desapareça na uniformidade a que muitos querem ver Portugal reduzido...



publicado por Cristina Ribeiro às 23:48
Domingo, 30 de Maio de 2010

 

Acabo de ver um vídeo de Glenn Gould, n'0 Jansenista, e não podia estar mais de acordo quando o diz " O homem que respirava Bach ". Ouvi e vi o músico canadiano.
Já o ouvira em gravações de CD inúmeras vezes, mormente nas « Variações de Goldberg », e senti o seu virtuosismo, mas vê-lo é uma experiência que nos transporta a uma orbita de transcendência inimaginável por mim até agora.Quase um encontro de 3º grau. Se existem.

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publicado por Cristina Ribeiro às 14:25
Domingo, 30 de Maio de 2010

                                                                                 

e flores que atapetam o lindíssimo miradouro, que, na costa norte da ilha de S. Miguel, concelho do Nordeste, permite abarcar aquela imensidão de mar que nos separa do continente; com medo, talvez, que fizéssemos mal às suas crias, mostrava-se anormalmente arredia, sempre a fugir da objectiva que, tão teimosamente como ela, a perseguia...; até que o Paulo conseguiu captar a sua confiança, e até lhe arrancou esta pose de felina " formosa e segura "...



publicado por Cristina Ribeiro às 01:01
Sábado, 29 de Maio de 2010

 

Quando estava na escola primária, aproveitava para, durante o recreio, matar a sede na casa dessa avó, que morava mesmo ao lado da Escola; sempre que lhe pedia um copo de água, ela dizia: -" não bebas água que faz mal; vai antes ao pipo...", e quando eu lhe respondia que lá em casa já me tinham alertado para os perigos de beber vinho em tão tenra idade, ela dava meia-volta e murmurava: -"modernices! "...


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publicado por Cristina Ribeiro às 02:57
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

 

                                                                                               

 

Se fosse viva, a minha avó materna teria mais do que 120 anos: tinha a idade suficiente para ter passado por todos aqueles tumultos que marcaram os primeiros anos do século XX em Portugal. Tenho tanta pena de, na minha inconsciência da quase adolescente que era nos seus últimos anos, a sair de uma infância a que já chamei dourada, apesar dos pesares, longe ainda de me fixar naquilo que, alguns anos mais tarde, iria evidenciar-se na pessoa em que me estava a tornar - o gosto supremo de remexer no passado -, não ter conversado com ela sobre as muitas histórias que viveu. Tantas, avó, tantas, certamente. Quantas saudades.


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publicado por Cristina Ribeiro às 21:30
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

 

Sabiam os dois que chegaria, ansiavam por ele, mas queriam que acontecesse num momento de dávida mútua, em  que a sintonia fosse palpável.

Um lírio cheio de orvalho, de poesia molhada e colorida, surgindo da margem do rio, e souberam...


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publicado por Cristina Ribeiro às 20:33
Terça-feira, 25 de Maio de 2010

 

 

(Colheita- Ceifeiras   Silva Porto )

 

um quadro. Sempre me fascinara aquele quadro, pelas cores, que mais tarde associei ao Alentejo, em tempo de colheita do centeio, mas também pelo que nele via: um carro de bois, cheio daquele cereal, certamente acabado de ser ceifado pelo homem que puxava o carro, e pela mulher que ia sentada no alto do mesmo. Fascinavam-me as cores dos fatos do casal, coloridos.

Tudo isto se passava debaixo de um céu onde o sol começava a pôr-se, o que tornava tudo ainda mais dourado. Nunca tratei de saber quem fora o pintor - era ainda demasiado pequena para fazer tais perguntas, mas quando mais tarde, muito mais tarde, conheci a pintura de Silva Porto, convenci-me de que se se não tinha sidoo ele o autor, fora alguém que nele se inspirara. Com êxito, pensei.


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:19
Terça-feira, 25 de Maio de 2010

                       

 

 

 ( na margem da lagoa das furnas )

 

 

e leio este artigo. Reforça a ideia, que já tinha, de que a felicidade se vem tornando cada vez mais inalcançável, ou pelo menos mais trabalhosa, coisa  de que me fui convencendo gradualmente, ao ouvir os relatos dos tempos mais sãos, simples e solidários, vividos na juventude dos meus pais.


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publicado por Cristina Ribeiro às 19:37
Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

uma outra ilha, tão diversa é a paisagem, de montanha, com cascatas em cada um desses pontos mais altos, e miradouros que permitem alcançar visualmente lugares que julgamos inacessíveis, quase a fazer lembrar o sertão a desbravar, como é o caso do Salto da Farinha, na freguesia de Salga, de onde avistamos grande parte da costa norte da ilha, além de muitas das regiões montanhosas do nordeste.

Isto numa região onde o feto é a planta rainha, por se dar tão bem num habitat húmido, onde as quedas d'água surgem em cada monte.

 

 

 

 

 

 

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 18:18
Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

 

 

onde respiraram, sofreram, e viveram, portanto, em épocas diferentes das respectivas existências, três grandes nomes da literatura portuguesa do século XIX: Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco e Antero de Quental;

atravessando a rua perpendicular àquela onde Eça viveu, em frente do antigo edifício da Roda, há outro largo, no qual se equilibram edifícios de pequenas moradias. À esquerda, uma casa térrea, setecentista,miniatura de solar fidalgo, guardou durante oito anos - de1882 a 1890 -a inquietação de Antero de Quental, que ali residiu até regressar a Ponta Delgada, de onde não voltaria mais.

Do outro lado da praça sossegada, onde são raros os automóveis, uma branca moradia, um pouco mais antiga, lembra-nos, na lápide sóbria que ostenta, ter residido ali Camilo Castelo Branco »

( Luís Forjaz Trigueiros- « Paisagens Portuguesas, Uma Viagem Literária »

 

 

Terras propícias ao florir das letras fechadas no intímo de autores mais ou menos consagrados, inspiradoras de obras maiores da literatura portuguesa: Vila do Conde é uma delas, como já testemunháramos aqui.



publicado por Cristina Ribeiro às 03:08
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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