Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

 

pouco diz, Miguel. Sinto que é mau, porque afinal é este o meu tempo, mas, à parte o que me é próximo, seja em termos humanos ou não, não consigo vislumbrar a mais pequena réstia de algo que faça por ele interessar-me. Nem sempre foi assim, e tempos houve que vivi o presente com interesse; tempos houve em que esperei muito dos meus contemporâneos.E envolvi-me .Muito. Vencida pelo cansaço, na actualidade vejo só motivos de desencanto e indiferença. Refugiar-me no passado, esperando nele ver reflectido o futuro, é o que me anima, enquanto, a par desse refúgio,vou driblando o malfadado presente, ao embrenhar-me nas palavras escritas, muito no papel, um bom bocado neste suporte que foi criando afinidades mais ou menos virtuais.

 

 



publicado por Cristina Ribeiro às 23:39

 

Vem à baila o nevão de Sexta-Feira. Os mais velhos contamos aos mais novos que esse era um cenário de todos os Invernos, frequentávamos nós a Escola Primária, fins de anos sessenta, inícios dos setenta. Manhãs muito frias, oitocentos a novecentos metros de caminho de terra batida, atapetado de gelo, em que se transformara a neve, com a chuva que entretanto caíra; charcos onde, contrariando as instruções maternas, molhávamos as nossas botas de cabedal com sola de pau - as chancas- em delícias clandestinas. Sabíamos que na Escola teríamos uma braseira onde as secar.


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:36

 

 

sempre sublinhadas com risos, os vários posts que lhe tenho dedicado, levam-me a rever o que disse do " depois " dela: verdadeiramente os " anos dourados " foram os da infância: nunca voltei a ser feliz como era naqueles anos- o tempo das brincadeiras semi-proibidas, mas inocentes.E os recursos materiais eram muito menores. Livros, por exemplo, só os da Biblioteca Itinerante da Gulbenkian...

Nostalgia? Não! Consciencializar-me de que tenho de seguir a receita de Proust: ir em busca do tempo perdido.

 

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:26

 

percorri há tempos este caminho " emparedado de verde", nas palavras da Patti. Havia muito tempo já que me andava a prometer este passeio, este regresso. Palmilhei-o, pelo menos duas vezes por dia, durante anos. Era o caminho até à Escola. Mas como a avó morava paredes meias com aquela, era frequente pisá-lo várias vezes no mesmo dia. Por trás do muro está uma quinta. De uns senhores de Lisboa, agora quase abandonada, na altura era de uma exuberância frondosa, um atractivo tão grande, que nos levava a tentar trepar as velhas pedras, com ervas a sair das gretas, intento conseguido se acaso ia a passar um adulto, que nos pegava ao colo- então, o felizardo que espreitara contava aos outros as maravilhas que vira: a casa com azulejos muito antigos, as pessoas- a grande parte das vezes, só o caseiro e família- , as muitas flores. Encontrei algumas diferenças, que o tempo não passa sem deixar marcas Antes do mais, a terra batida dera lugar a um chão coberto de paralelepípedos, pelo que já não se viam as covas, tão familiares, onde chapinhávamos sempre que chovia. Apesar de ser Primavera, no muro não se viam as flores roxas,e nas bermas não vi as leitugas que, regularmente, alguém cortava com a foicinha para saciar os coelhos.Apenas ervas daninhas, que cresciam desordenadas. Mas nem a falta destes pequenos encantos escamoteava.a beleza do " Caminho da Escola "

 

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:20

 

João de Araújo Correia fez-se também apologista da ' pátria pequena '- o Douro que lhe foi berço (...) Mestre da língua pela clareza, a pureza, a correcção, reconhece-se na prosa de João Araújo Correia, a herança clássica de Bernardes e de Camilo, a que veio juntar-se o património da linguagem popular » ( « O Escritor na Cidade », de João Bigotte Chorão )

 

Ela tem razão: há leituras que nos despertam; há livros que nos fazem vencer o sono

 

 



publicado por Cristina Ribeiro às 23:16

- Leio umas páginas antes de adormecer; é o meu melhor indutor do sono. Quando tenho de ler uma frase mais do que uma vez, sei que é hora de desligar a luz.

- Mas há leitura que nos desperta totalmente.

- Pois há...; está a suceder-me com « O Escritor na Cidade », de João Bigotte Chorão.

 

 



publicado por Cristina Ribeiro às 23:06

 

Domingo foram, com os pais, a uma matiné musical. Na Casa da Música iam ouvir, pela primeira vez, música clássica ao vivo. E vieram encantados. A orquestra residente ia tocar uma sinfonia; a Nona de Dvorak, conhecida como Sinfonia do Novo Mundo. Uma boa iniciação, porque melodiosa e de fácil audição. Acredito que o facto de se juntarem os sons de vários instrumentos terá contribuído para este começo auspicioso. Talvez daqui a uns tempos saibam já apreciar um recital de piano. Foi um bom começo.

 

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 23:05
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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