Domingo, 01 de Novembro de 2009

 

não me resisto a aqui dela trasladar um niquinho, por tão delicioso o topar.

 

« Deste contar do tio Cosme, singelamente lavado, fora tirando o lorde quanto é o povo fiel guardador da portuguesa linguagem, logo nisso encontrando a razão de o seu amigo Camilo tão asseadamente escrever ».

 

E, noutro passo, quando Camilo se suicidara já, « Não hesito em afirmar que, na falta do amigo bem pudera substituir-se-lhe. Grande pena que o não fizesse, pois me tiraria de lhe aguar o chorume da prosa, por certo bem castigada na leitura dos clássicos, tanto que uma só balda lhe encontro: o excesso de adjectivos. Tenho para mim e meu governo que no substantivo e no verbo se encontra a espinha vertebral da expressão ».

 

A tornar notório que esse assear não iria cair em saco roto, pois que nele encontraria herdeiro, no seio de uma escola mais vasta começada pelo homem de Seide.



publicado por Cristina Ribeiro às 20:26

 

St. Thomas More, designado padroeiro dos políticos ( que os ilumine! ), uma muita rápida passagem de olhos pela biografia que dele escreveu Peter Ackroyd, e a grande pena de não poder rever um filme que passou na televisão, numa daquelas saudosas noites de cinema, na RTP, do qual , além da qualidade da fita, em si mesma, retive a sempre magnífica interpretação de Orson Welles: uma época conturbada da história do País, em que More, pela força dos princípios que revelou, e corajosamente sustentou, até à machadada que lhe faria rolar a cabeça, por contrariar a prepotência, que achava desajustada e imoral, até, do seu rei, Henrique VIII, mereceu o epíteto de « Um Homem para a Eternidade ».



publicado por Cristina Ribeiro às 16:06

 

e a professora de desenho, que era também a directora de turma, animou-nos a fazermos um " jornal " intitulado " 28 Num Balão". Para início do dito, sugeriu que cada um de nós procurasse em sua casa um texto, um poema ou um desenho de autores consagrados. Esqueci o assunto, e só me lembrei da incumbência na noite anterior à manhã da entrega do material seleccionado. Apanhei o primeiro livro à mão, que calhou ser a Selecta Literária que no Domingo fui reencontrar na Feira de Velharias e Antiguidades de Vila Verde, e copiei o primeiro poema que encontrei - na secção dedicada a Fernando Pessoa; « Todas as Cartas de Amor são Ridículas ». É provável que tivesse já ouvido falar no poeta, mas nunca me tinha passado pela cabeça que uma pessoa escrevesse com vários nomes, e nem sequer atentei na informação adicional de que o poema fora escrito pelo heterónimo Álvaro de Campos ( hoje estou convencida de que se o tivesse feito ficaria muito confusa ). Mais tarde, porém, soube que não era só eu a ignorar tal facto, porquanto, quando o entreguei à professora, ela atirou com " engraçado, não sabia que Fernando Pessoa tinha escrito este poema ".


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publicado por Cristina Ribeiro às 16:01

 

viera passar à província. Uma descoberta! nunca pensara, quando aceitou o convite, que iria encontrar tamanha beleza. Estava-se na região do Alto Tâmega e Barroso, e agora que chegava ao fim, sentia que se tornara curta a estadia que, quando a amiga lhe falou em lá ir passar as férias, pensou ir tornar-se demasiado longa. Mas antes do regresso havia uma coisa que queria fazer: no dia anterior, numa pequena loja de Chaves, comprara tela e tintas, e, nessa manhã, mal o sol se erguera por detrás daqueles montes, propôs-se pôr na tela, ela que até tinha tido lições de pintura, o que os seus olhos de tão belo viam. Começou a subir o monte, e foi atraída por uma voz infantil, que, àquela hora, estaria já, talvez, a guardar o gado, que, sabia, encontraria ali bons pastos. Andou mais uns metros, e observou, deitado, com o cão ao lado, mas de olho nas vacas à sua guarda, um pastor que cantava " Toda a vida fui pastor / toda a vida guardei gado / trago uma cova no peito / de me encostar ao cajado "; não poderia almejar melhor quadro do que aquele.


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publicado por Cristina Ribeiro às 15:56
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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