Segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

 

Este fim-de-semana,e ao contrário do que é normal, não trouxe o meu gato, o Klaus, comigo para Braga. Sabia que ficaria bem com a minha mãe, a quem já conhece , e teria a liberdade que não tem num apartamento, sem ter de sofrer o calor que tanto pêlo agudiza. Nunca ele comeu outra coisa que não Whiskas, comida própria para animais. Limitava-se a cheirar o que punha no meu prato, sem mostrar qualquer apetência por outro alimento. Hoje de manhã recebi um telefonema da minha mãe "-Sabes uma coisa?" Pensei que me queria contar algo de muito inusitado, dado o tom de quem vai contar uma novidade extraordinária. "-Então o que é que foi?" "-Ontem à noite o Klaus sentou-se a meu lado, enquanto eu comia; dei-lhe um bocadinho de peixe, e ele comeu! "

 

Agosto de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 23:33

volto-me para Camilo, que é sempre rei mesmo em terra de ciclopes»

 

Vou a meio do livro de Agustina, sugerido por João Marchante, mas, a cada passo, volto ao princípio, para reler esta frase que tenho como emblemática

 

Agosto de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 23:21

As primeiras fotografias do álbum mostram um bebé no meio de quatro rapazes mais velhos, nos penedos da praia da Póvoa de Varzim. Mais tarde viriam as irmãs. Foi aí que passei todos os meses de Setembro, até aos dezasseis anos. Junho era o mês em que a mãe tratava de arrendar a casa. Quando encontrámos a ideal, passou a ficar reservada para o ano seguinte, o que faciltou muito as coisas. Era um mês inteirinho de brincadeiras com os amigos que se encontravam todos os anos, no sítio do costume. É com um grande sorriso que relembro aqueles dias, sempre tão cheios, em que até os banhos na água gelada eram motivo de alegria e algazarra saudável. Ao banho de mar seguia-se o ritual, ansiosamente esperado, do "pãozinho de leite ó pastéis fresquinhos", anunciados pelas mulheres de branco e de cesto de vime, logo rodeadas pela criançada toda. Mais fundo na memória, só o gemido da ronca, que, nas manhãs de nevoeiro, guiavam os barcos, e nos anunciava que naquele dia tudo começaria mais tarde. Saíamos da praia já com o sol quase a tocar no mar, mas sempre com a sensação de que era ainda pouco

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 21:39

 

A partir dos dezassete, e durante alguns anos, passei todos os meses de Agosto numa quinta em Valença do Minho. As manhãs, por vezes, eram passadas na praia de Moledo, reservando as tardes para passeios pelos arredores, leituras e banhos na piscina. Fim de tarde, começo da noite, rumávamos a Tui, onde, naquelas noites de temperaturas bem agradáveis, jantávamos ao ar livre num restaurante/tasca bem aprazível. Mas ocasiões houve, em que, juntamente com as irmãs e alguma amiga, saíamos da pequena mas muito acolhedora estação de comboio da vila, de manhã bem cedo, com o farnel preparado na véspera, e íamos até Caminha, Monção ou Ponte da Barca. Foi a altura de conhecermos o Alto Minho com o vagar e a atenção que ele merece.

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 21:29

 

Garret entrou num vapor com destino a Santarém, estava a escrever as primeiras páginas de um livro que, muitos e muitos anos depois, me iria atrair a atenção, não tanto pelas digressões várias que aí se narram, mas porque queria saber da história da menina dos rouxinóis. Com efeito, da primeira vez que contactei com «Viagens na Minha Terra», teria, talvez, doze anos, apenas me cativou o romance de Carlos e Joaninha; só mais tarde, com o livro a integrar as leituras previstas no programa da disciplina de português, me debruçaria interessadamente sobre tudo o mais que o escritor tinha para dizer, e foi muito fácil, então, perder-me entre aquelas divagações.

 



publicado por Cristina Ribeiro às 21:20

 

Hoje Santa Cristina de Longos (concelho de Guimarães) celebra o Dia da Padroeira. É o ponto de partida para uma longa série de festejos populares, que só terminam em finais de Agosto, quando os emigrantes, que já cá estão todos a passar férias, regressarem aos países onde trabalham. Amanhã festeja-se Santiago, na Terça-Feira, Santa Marta...; mas será fácil arranjar pretextos para,nos intervalos, pôr o Rancho Folclórico a dançar, os homens a cantar ao desafio, as sardinhas a assar, os ajuntamentos na Falperra.

 

Julho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 21:15

 

Organizou a Sociedade Martins Sarmento uma exposição sobre a comemoração dos duzentos anos da aclamação do então ainda Príncipe Regente D. João, futuro D. João VI, pelos vimaranenses, realçando o seu espírito combativo na hora de unir forças contra o invasor .

No catálogo da exposição, e sob a gravura que alude à retirada do Príncipe D. João para o Brasil, leio: "A transferência da Corte de Portugal para o Brasil, em caso de perigo para a soberania nacional, fazia parte de um plano de contingência delineado em meados do século XVII, e que, por mais de uma vez , esteve em vias de ser colocado em prática. Com os avanços de Napoleão na Europa, volta à ordem do dia, já no ano de 1801" . E quando, em 1807, este, "com o apoio de Espanha, avança para a invasão de Portugal já estava tomada a decisão da partida .No dia 29 de Novembro, com os franceses às portas da cidade, zarpava de Lisboa a esquadra(...) Foi assim que "no dia seguinte (...)Junot viu gorado o seu primeiro objectivo: prender e depor a Rainha e o Príncipe Regente" Nascia assim "a expressão ficar a ver navios"

 

Julho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 13:00

 

Os nossos pais conheciam-se desde os tempos da JOC. Também eram muitos irmãos, de idades idênticas às nossas. Ao domingo a mãe levantava-se muito cedo para fazer o arroz de vitela que haveria de chegar para todos. Tudo pronto para a partida, só faltava embrulhar o tacho em jornais, para lhe manter o calor. Rumávamos ao Gerês, onde o senhor Marques iniciava os meus irmãos na arte da pesca, em que ele era mestre... Foi por essa altura que nos ensinou a cantar

 

Portugal é nosso,

E nós temos obrigação

De o conhecer,

Pois de Norte a Sul Muito tem que ver.

( ... )

As nossas Taipas têm umas termas

Muito formosas,

E com virtude,

Pois a muita gente elas dão saúde

 

 

Julho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:13

 

este antigo mosteiro começou por pertencer, ainda no século XII à Ordem de Santo Agostinho, para, só no século XVI, e por intervenção do então Duque de Bragança, D. Jaime, passar a ser pertença dos monges Jerónimos. Já no século XIX, foi arrendado pelos proprietários, visto os bens da Igreja terem sido entretanto confiscados , aos Jesuítas, até ser largamente destruído por um incêndio, e vendido ao Estado Quando, no último ano do Liceu, fazíamos aí, nos numerosos espaços, invadidos por todo o tipo de vegetação, piqueniques, o convento encontrava-se ainda em ruínas, e só mais tarde iriam começar as obras de restauro, até surgir a actual Pousada de Santa Marinha.

 

Julho de 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 12:07

 

 

 

Águas turbulentas, mostrengo com a manápula pronta a estrangular, e nem vestígios do "Homem do Leme"

 

Julho 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 11:30

 

li, num livro infantil, duma sobrinha, da lenda que lhe originou o nome, bem como o da serra onde nasce. Ao passar pela serra de Agra, nas cercanias de Vieira do Minho, um cavaleiro apaixonou-se por uma pastora, que aí pastoreava cabras. Mas, depois de viverem dias de intenso romance, o cavaleiro teve de se ausentar. As lágrimas que a enamorada começou nesse dia a verter depressa formaram um caudal imenso, tanto mais que o cavaleiro tardava. Desejou a pastora ser ave, para ir ao seu encontro, e Ave passou a ser o rio causado pelo seu pranto; da Cabreira, a Serra que assistira ao enlevo e ao desencanto...

 

Julho de 2088



publicado por Cristina Ribeiro às 02:52

 

Tenho para mim que o rio é a maior das muitas maravilhas em que a Natureza é tão pródiga: ver a água correr para o mar, por vezes numa lentidão feita calmaria, doutras numa urgência tal que o seu curso é semeado de remoinhos vorazes. As margens sempre luxuriantes e convidativas... Não, não encontro cenário mais aprazível! Assim é o Rio Ave, tão vário ao longo de um leito que o leva desde a nascente na Serra da Cabreira, até que encontra o mar,junto de Vila do Conde. É este rio que conheço desde pequena, por fazer da terra onde nasci um dos seus lugares de passagem. Habituei-me, pois, a vê-lo transbordar no Inverno, de maneira a cobrir totalmente a ponte romana que liga as duas margens, e a surgir aos nossos olhos pouco mais do que um riacho no Verão, quando aquela é avistada em todo o esplendor de pedra antiga.

 

Julho 2008



publicado por Cristina Ribeiro às 02:45

 

« Se sonhar um pouco é perigoso, a solução não é sonhar menos, e sim sonhar mais»

(Marcel Proust)



publicado por Cristina Ribeiro às 02:31

 

O meu pai levou-me a Braga, ao cinema S. Geraldo, e disse ao porteiro, velho conhecido, que fazia doze anos. Era a idade indicada para ver o filme, diziam os classificadores... Penso que o porteiro não acreditou, mas também terá achado que da diferença de idades não me viria qualquer mal. Já tinha ido um par de vezes ao cinema, mas «Oliver Twist» terá sido o primeiro filme que vi "para adultos". Pelo menos, o primeiro que me fez ver que a vida podia ter outras cores para além do rosa.

 

Julho de 2008


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publicado por Cristina Ribeiro às 02:14

 

foi o meu «Cinema Paraíso». Foi no Carnaval dos sete anos; íamos, todos os irmãos, pela primeira vez ao cinema, ver «Cinderela», de Walt Disney. Lá chegados, claro que o primeiro fascínio foi o próprio edifício, tão grande e tão bonito. Veio depois, ainda antes de começar o filme, o deslumbramento ao vermos todas aquelas serpentinas , que nunca tínhamos visto, inundarem a plateia, lançadas dos camarotes. Mas a magia ia continuar na grande tela, quando começamos a ver aqueles desenhos: guardo muito nítida a imagem dos passarinhos e dos ratinhos a costurarem o vestido que a Cinderela levaria ao baile, e lembro de como essa e outras peripécias foram o assunto de conversa entre nós, nos dias que se seguiram... Quando o filme acabou, cada um de nós carregou um bom bocado de serpentinas, que jaziam no chão, e, quando chegámos a casa, cobrimos de papéis coloridos o diospireiro, que, naquele mês de Fevereiro, tinha ainda os ramos nus.

 

Julho 2008


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publicado por Cristina Ribeiro às 02:01
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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