Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012
Em conversa com uma amiga do facebook, disse que o amor pela História me está nos genes porque herdado do meu pai, um apaixonado pelos feitos e desventuras pátrios, que faz com uma grande parte da sua enorme Biblioteca seja ao tema dedicada. Autodidacta, pois não pôde ir além da Quarta Classe ( " mas bem feita ", como diz ), quando se trata dessa parte da historiografia sente-se como peixe dentro d'água.
E, desde a nossa mais tenra idade, tratou de inculcar esse amor na não pequena prole, o que, muitos anos depois, voltaria a fazer, agora com os muitos netos.
Era, assim, frequente a visita a museus, igrejas, e outros locais onde podíamos apalpar o pulso da vida dos que nesta terra nos antecederam. A lembrança mais remota que destas incursões guardo é a de uma visita, barulhenta e  agitada, à citânia de Sanfins, no concelho de Paços de Ferreira.


publicado por Cristina Ribeiro às 17:21
Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

                                                            

Deus está atento.

É a frase que me vem à cabeça sempre que penso nela: uma mulher jovem, do meu círculo de amizades, engravidou. Até aqui tudo bem.

Acontece que era uma fumadora inveterada, a quem o médico, tinha ela 12 anos, disse para colocar à frente da cama a radiografia dos pulmões para que, todos os dias, se desse conta do mal que estava a fazer-lhes, e que, quando o dentista a pôs perante uma escolha- o cigarro ou os dentes-, não hesitou em optar pelo tabaco, acrescendo ainda o facto de um exagerado apego ao álcool ser causa de vários alertas hepáticos, sempre ignorados.

" Era ", escrevi, porque, e nisso maravilhou toda a gente, pois que  todos disseram " mais nada, nem ninguém, no mundo a faria mudar de comportamento ", logo que soube da gravidez deixou de fumar e de beber, porque se consciencializou de que o filho, com quem passou a falar regularmente, enquanto acaricia a barriga, lho pedia.

 Só " aquela coisinha humana ".


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publicado por Cristina Ribeiro às 15:50
Domingo, 27 de Novembro de 2011
Mesmo preferindo que « Gaivota » fosse cantada por Amália.


publicado por Cristina Ribeiro às 17:41
Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

cortando a serra ladeada de vinhedos em socalcos que quase tocavam o céu, azul que ele estava naquele dia de Primavera. Saira da estação de Campanhã, aonde o pai a levara ainda a lua não dera lugar ao sol, e agora o sono que, por vezes, a mantinha de olhos fechados, apesar do sol bem alto já. Que não se deixasse dormir a pontos de passar pela estação onde o tio a esperava!, recomendara a mãe, quando dela se foi despedir. Pedira, por isso, ao revisor que a acordasse quando chegasse a Tormes, não fosse Morfeu, ou o pai deste,  pregar-lhe a partida.

E nesses momentos em que o filho de Hipno a fazia cair nos seus braços era com Jacinto e José Fernandes que sonhava, eles que muito antes tinham feito aquela mesma viagem.

Desejou então que lá em casa dos tios houvesse um arroz de favas à sua espera...



publicado por Cristina Ribeiro às 14:54
Quarta-feira, 09 de Fevereiro de 2011

Já o escuro da noite, que durante horas a acompanhara naquele estado de vigília, dava lugar à claridade da manhã que agora rompia pela janela semi-aberta, e a lua cedia o lugar ao sol, que prometia iluminar mais um dia frio. Diálogos que guardara de tempos passados misturavam-se com outros imaginários, tão imaginários quanto os seus interlocutores. No corredor o silêncio apenas era cortado a cada meia hora por mais uma badalada do pêndulo do velho relógio de parede.

Não demoraria a ouvir a chilreada dos pássaros que, enganados na Estação, se tinham antecipado à Primavera, e se haviam recolhido no beiral da casa.Nessa altura talvez o sono vencesse, como já tantas e tantas vezes acontecera, e então deixar-se-ia embalar no aconchego, onde continuaria aqueles diálogos antes encetados, agora no mundo, imaginário também ele, do sonho.


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publicado por Cristina Ribeiro às 00:27
Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

Fialho de Almeida ( que viria a " reconciliar-se com o regime tradicional, depois de um encontro com o ministro de D. Carlos " ) : - " Superior, inteligente, culto, bravo e generoso...enjoado da torpitude dos partidos, e tendo da ideia de pátria um culto inverosívelmente alto e absorvente "

 

Homem Cristo : -" Tinha defeitos, mas, no meio dos seus defeitos, foi o político mais inteligente do seu tempo "

 

João Chagas, a propósito das cartas a João Franco : - " Aliviam a memória de D.Carlos de um grande peso "

 

 

 

 

 

Foi este " homem forte de vontade, enérgico e decidido nas atitudes, largo nas ideias e profundo no saber " ( « D.Carlos »- Casimiro Gomes da Silva ), que um bando de conspiradores que tinham escapado à prisão a 28 de Janeiro do mesmo ano assassinaram faz amanhã 103 anos.

 

" À noite, nas  Necessidades, o Conselho de Estado reunido persuade o novo Rei, infante D. Manuel, a afastar João Franco e a formar ministério novo. Faz-se a vontade ao inimigo, abatem-se bandeiras perante o crime. « Os regimens sucubem e desaparecem, menos pela força do ataque que pela frouxidão da defesa » - dirá o próprio João Franco. Resume, muito exactamente, um jornal, meses depois: - ' O Rei morreu na tarde de 1 de Fevereiro, no Terreiro do Paço. A Monarquia morreu nessa noite, no Paço das Necessidades ', precisamente quando a Realeza se erguia unida a um governo sério e forte. Eliminado da cena e lançado para o exílio o único homem de pulso, não há em torno de D.Manuel senão os velhos homens dos partidos, sempre envolvidos em querelas de vaidades, sempre obcecados pelo fito de conquistar o mando para si e para os seus amigos  " ( João Ameal )

 

Os partidos que aquele chamara de " rotativos ", aproveitam-se assim da inexperiência bem intencionada do Infante adolescente para voltarem ao mesmo regabofe, depois dos esforços do rei e do seu 1º Ministro para fazerem de Portugal um país decente.

 

 

 

* E aos que o acusam de ter chamado « Piolheira » ao país pelo qual tanto sofreu, melhor fora que lessem este texto.



publicado por Cristina Ribeiro às 19:28
Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

através das cartas que escreve, o encanto imorredouro dos clássicos, desta feita na forma de uma chamada de atenção a Lucílio, que acusa de volúvel na amizade, no passo em que o diz desconhecedor do que, verdadeiramente, é esse sentimento.

" Dizes-me que entregaste a carta a um amigo teu, para me trazer, mas em seguida aconselhas-me a não trocar impressões com ele sobre quanto te diz respeito, pois nem tu próprio o costumas fazer. Quer dizer, na mesma carta deste-lhe e recusaste-lhe o título de ' amigo '. Ora bem, se tu usaste esta palavra não no seu verdadeiro sentido mas antes em sentido genérico, e lhe chamaste " amigo " tal como a todos os candidatos chamamos " respeitáveis cidadãos ", ainda é aceitável; se consideras, porém, amigo alguém em quem não confias tanto como em ti próprio, então cometes um erro grave e mostras não conhecer o significado da verdadeira amizade . "

 

É bem o  « filósofo da condição humana », como lhe chamou o Padre Manuel Antunes, que nos fala de valores inerentes ao ser moral que habita em cada um de nós.


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publicado por Cristina Ribeiro às 00:14

 

 

 

muito fruto da total inaptidão de um " professor ", daqueles que a confusão que se instalou no ensino no seguimento do 25 de Abril encarregou de leccionar uma disciplina em que, claramente, se sentia como peixe fora d'água, o interesse que mais tarde essa matéria me suscitou foi sempre sendo objecto de um " mais tarde ", até porque consciente da dificuldade do autodidactismo em tal sede. É assim que, nomeadamente do estoicismo apenas retenho, de leituras avulsas e muito superficiais, noções muito vagas, excessivamente vagas. Vem este mal-amanhado arrazoado a talho de foice, pois que entre os livros que ontem me calharam em sorte, um título me atiçou a curiosidade a pontos de com ele iniciar a leitura que uns dias de férias permite; « Cartas a Lucílio », de Séneca, de quem sei apenas ter sido um dos maiores expoentes dessa escola filosófica, de onde retiro este saboroso excerto: " Tanto aquilo que me escreves como o que oiço dizer de ti fazem-me ter boas esperanças a teu respeito: não viajas continuamente nem te deixas agitar por constantes deslocações. Um semelhante deambular é indício de uma alma doente.: eu, de facto, entendo que o primeiro sinal de um espírito bem formado consiste em ser capaz de parar e de coabitar consigo mesmo. " E convenço-me de que esta " amostra " promete belas viagens.

 


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publicado por Cristina Ribeiro às 00:10

Muita gente  pergunta por que motivo os governos ocidentais autorizam representantes de minorias a manifestarem um ódio e uma agressividade,que, noutros tempos teria levado à prisão qualquer britânico ou francês ", escreve Roger Scruton em « O Ocidente e o Resto », numa alusão aos mullahs que, aproveitando a liberdade de expressão que não existe nos seus países de origem, incitam, com o sucesso que se tem visto, nomeadamente nessa Inglaterra que os acolheu, " à violência e à guerra santa " contra um Ocidente manietado pelo politicamente correcto.

E ele mesmo responde: " perda de identidade nacional, e do velho sentido de pertença que a acompanha.



publicado por Cristina Ribeiro às 00:06

 


 

 

Continua o labor de colocar os livros na estante, mas, uma vez limpo, é mais um livro que não via " há séculos ", de que  tenho boas recordações, e lá me sento a folheá-lo, a reler bocados de uma escrita bem conhecida, pois que nele aparece já o Proust que encontrei, e nele me espelhei, mais tarde no « Em Busca do Tempo Perdido »; a melancolia introspectiva que despontava já, as memórias de infância a que então voltaria.

E, como a manta  que tecia aquela que nunca deixou de acreditar no regresso de Ulisses, nunca mais a tarefa a que deitei mãos chega ao fim.



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publicado por Cristina Ribeiro às 00:00
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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