Terça-feira, 15 de Novembro de 2016

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( No Gerês) Uma boa parte da tarde dedicada a identificar fotografias antigas, que tirei nos passeios que vou fazendo cá dentro, acatando o avisado critério de Almeida Garrett quando nos assevera que " com este clima, com este ar que Deus nos deu ( ...) o próprio Xavier de Maistre ao menos ia até ao quintal "... ; como quem arquiva as memórias em pequenas gavetas...E lembro um livro de António Manuel Couto Viana: < Coração Arquivista >.... Como escreveu Tomaz de Figueiredo: ' Ah! mundo esmagador das recordações, emendadas umas nas outras, aboiando como de mar sem fundo '... E digo-me: isto está tudo ligado...

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. * título roubado a saudoso confrade da blogosfera



publicado por Cristina Ribeiro às 19:46
Segunda-feira, 07 de Novembro de 2016

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Que azáfama que ali vai! É tempo de podar as árvores que nos acolheram no Verão à sombra das suas folhagens. E um sentimento de tristeza: a catalpa amiga que vejo do meu quarto, onde me refugiava nesse tempo de canícula agora totalmente nua, agora despojada das folhas largas, magnânimos verdes leques ... No chão a roupagem outonal que trajou até há bem pouco tempo, amarela aqui e ali, mas verde ainda, num verde desbotado talvez... Uma certeza porém, a consolar a visão castanha, de tronco ferido: mal o Inverno comece a despedir-se elas, as folhas verdes, muito tenrinhas no começo, muito delicadas ainda, voltarão e com elas a alegria da paisagem verde...



publicado por Cristina Ribeiro às 20:21
Quinta-feira, 12 de Maio de 2016

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bem ao contrário do vosso natural..

. - Tendes razão, meu amigo; estou aqui a perguntar-me se devo ou não levar ao prelo as minhas andanças pelo Oriente, como quer minha pena...

- Bem vos entendo, porquanto mui fantasiosas parecerão, a quem as ler, essas estórias que animam os serões de vossa casa, apesar de as saber eu verdadeiras.

- Vedes, pois, porque duvido do acerto da empresa...; mas, adiante, que delas quero deixar notícia...

 

 

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publicado por Cristina Ribeiro às 16:39
Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

" Tenho uma imagem do Câvado guardada para sempre no olhar, que não se cansa de recordá-la. Agosto no fim, já não era dia e ainda não chegara a noite. Vínhamos de Braga, era tarde. (...) Entrava já na estreita ponte sobre o rio e logo o espectáculo me obrigou a esquecer qualquer veleidade de pressa e a deixar o carro adormecer suavemente, aos poucos, até parar entre os muros roídos do tempo e dos abalos. O verde da outra margem diluía-se nas águas azuis sobre as quais o sol despedia uma luminosidade fugitiva " Luís Forjaz Trigueiros, in « Paisagens Portuguesas- Uma Viagem Literária » E no fim da ponte, velhinha no seu granito por onde o verde das ervas espreita, encontrou o escritor, quero imaginar, na manhã seguinte, se aí pernoitou, uma simpática Vila de Prado, de onde saíam em alegre algaraviada, coloridos ranchos de lavadeiras, com trouxas de roupa à cabeça, em direcção ao rio. A minha avó ainda me falou delas, e a ponte está lá, testemunha desta azáfama toda. As águas é que serão outras...



publicado por Cristina Ribeiro às 17:14

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" No cumprimento de uma promessa há anos feita ao meu dilecto amigo Júlio de Lemos, botei-me uma tarde de Verão, há três anos, por aí acima, no rápido do Porto, até S. Pedro da Torre. Uma vez no largo da pequena estação, espero pacientemente que se atrelem as pilecas dos três carros da carreira, enquanto se carregam nos tejadilhos e nas boleias, as pesadas caixas, os sacos e as trouxas de um magote de forasteiros que vêm das festas da Agonia, de Viana, e regressam a penates depois dos banhos que a prescrição médica lhes impôs. ( ... ) Num deslado, abre-se a boca da estrada poeirenta, cortando a direito pelo meio dos campos de lavradio, até à base da primeira serrania que limita o horizonte, fechando as planuras numa bacia ardente donde a vegetação dos milharais vaporiza as ténues lenturas de um estio rigoroso. A esbeiçar com o largo fica a recolha do gado da carreira, com sua taberna anexa, sobre a entrada da qual uma parreira espreguiça, em pernadas vigorosas, tufos de folhagem opulenta.................................................................................................................................................................... Seguimos por uma garganta de barrancos ensilveirados ( ... ) Depois... o deslumbramento que volta, o sol que triunfa, e aí torna o sonho inefável da paisagem aberta numa concha imensa de encantos em que o olhar doidamente mergulha, arrastando na aventura sonhadora o espírito maravilhado, a alma ansiosa! ........................ Paredes de Coura! Paredes de Coura! É isto realmente um sonho, ou juntou aqui a Natureza os encantos e as graças nunca vistas de um paraíso terreal? " Oscarr de Pratt, « Limiana » Dizia o escritor de Arcos de Valdevez que morria de amor pelo seu pátrio Minho; além de por ele morrer de amor, morro de saudade pelo Minho que vislumbrei nos anos sessenta, inícios dos setenta, do século passado. Claro que não me refiro já a esse Minho de que nos fala Oscar Pratt, quase contemporâneo do « Minho Pitoresco » de José Augusto Vieira, aonde fui buscar a imagem acima, mas era ainda um Minho cheio dele, desse pitoresco bucólico e feito sem pressas, em que tudo era saboreado ao ritmo do lento crescer da árvore ou da erva, onde pachorrentamente pastava o gado, e, ao lado, o lavrador ia semeando as batatas, enquanto os filhos bebiam o leite a fumegar directamente das tetas da vaca, de olhar sonhador e barriga satisfeita. Saudades dele!



publicado por Cristina Ribeiro às 17:05

Vendo-os assim tão pertinho / a Galiza mail’ o Minho / são como dois namorados / que o rio traz separados / quasi desde o nascimento.// Deixal-os, pois, namorar / já que os paes para casar / lhes não dão consentimento ( João Verde ).

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( O rio Minho em Valença - Illustração Portugueza )

" Em João Verde é nos ' Ares da Raya ' que o seu espírito regional se demonstra mais evidentemente. ( ... ) Os seus versos são todos de lisonja sincera para as belezas rústicas da sua terra. No agrado com que canta os pinheirais, o toque das trindades, o rio Minho, o campo-santo, as raparigas minhotas, a viola e a flor-de-linho, vê-se a doce e alegre paisagem do nosso Minho, a Galiza vizinha, namorados eternos que o rio constantemente separa, segundo ele... ( ... ) Só João Verde, à semelhança dos cantares de Rosalia de Castro, nos deixou a alma raiana, às escâncaras, no seu pitoresco impressionante. ( ... ) Joao Verde, pelo perfume nacional e regional que deixou nas suas poesias pela facilidade da sua inspiração fecunda, pelos seus próprios considerandos líricos, ficará na nossa literatura como um dos maiores, senão o maior, dos líricos regionais. Porque o regionalismo em poesia é mais uma prova da natureza lírica, superiormente lírica, dos seus cultivadores " . Manuel Anselmo in Arquivo de Viana do Castelo



publicado por Cristina Ribeiro às 16:20
Quinta-feira, 07 de Janeiro de 2016

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Que procurasse pelo antigo Couto Misto de Rubiás, dissera-me o Duarte. E, de todas as vezes que voltei àquelas terras de Montalegre, este conselho não me largava. A oportunidade surgiu nesse fim-de-semana: era um daqueles dias soalheiros de Outono, o último do ano, que o Inverno já aí estava, com os dias cinzentos e chuvosos. Entrados em Espanha, foi coisa de poucos quilómetros até vermos a placa; então era ali que, até 1864 - data da sua extinção, por assinatura do Tratado de Lisboa ( sempre esse nome de má memória, a lembrar o que, muitos anos depois, em 2007, confirmava a cedência das soberanias nacionais, a pretexto de " intensificar a união da Europa ") - existiu esse Couto, onde qualquer documento se escrevia " em português e em castelhano "... Mas logo nos demos conta de que, porque tínhamos saído tarde de casa, teríamos de aí voltar, para melhor conhecermos as terras que, desde tempos medievais, haviam integrado um Estado Autónomo encravado entre Montalegre, do lado português, e a Galiza, do lado espanhol, que, por isso, era governado por leis próprias. É que o tempo fizera-se pouco, e o que entretanto aprendera sobre esse território privilegiado justificava maior demora. E o pouco que vimos prometia: em terras Galegas, era como se continuássemos o nosso périplo pelo Barroso.



publicado por Cristina Ribeiro às 13:38
Terça-feira, 08 de Dezembro de 2015

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Nascido lá atrás, na mesma serra da Peneda, o rio que lhe tomou o nome irá juntar-se ao Laboreiro, antes de mergulhar nas águas do Lima, perto do Lindoso.Aqui, a dois passos do santuário de Nossa Senhora da Peneda, junto à aldeia de Tibo, também na freguesia da Gavieira, vêmo-lo ainda acanhado, a balançar-se entre abundante fraguedo.



publicado por Cristina Ribeiro às 16:54
Segunda-feira, 09 de Novembro de 2015

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Estávamos, mais uma vez, no Marão! A serra que hipnotizou Pascoaes, a serra que, repetidamente, me chama, sem que, a cada vez que aí vou, deixe de me surpreender... Logo ali, na beira do caminho íngreme, uma placa: Aldeias Preservadas; e já era outra a montanha, mas quase a mesma- nos confins da Aboboreira, a generosidade da natureza permanecia, e foi na Aboboreira que deparámos com aquelas aldeias que, por certo, porque tão vizinhas da sua Serra, estiveram tão presentes no espírito do Poeta na hora de escrever o Marânus... Aldeia Nova, Aldeia Velha, Travanca do Monte... o feitiço, que vinha, agora da mão do homem, a continuar o encanto...



publicado por Cristina Ribeiro às 18:13
Terça-feira, 04 de Agosto de 2015

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" A 3 kms, pela estrada de Moimenta, a vetusta igreja sueva de S. Pedro, à beira do Balsemão, é visita imprescindível ". Como não aproveitar a primeira oportunidade para seguir a sempre bem-vinda sugestão de viagem pelas nossas sempre apelativas terras? Logo no sábado a seguir, " ala, que se faz tarde! ". E todo o pretexto é bom para voltar a Lamego, ainda mais quando o dia amanhece assim, tão luminoso...; com efeito, a manhã, por essas bandas convidava a um passeio sem pressas pelas ruas e jardins da cidade... E a pouco usual calmaria no recinto do santuário da Senhora dos Remédios... Quase hora do almoço, mas antes procurar a capela de S. Pedro... Os referidos 3 kms e ela aí estava, numa das margens do rio Balsemão, antes de este desaguar no Varosa... Mas, não fora uma placa informativa, passaria a capela desapercebida, integrada que foi em setecentista solar, pertença dos viscondes de Balsemão. Entrámos e logo vimos que à nossa frente tínhamos uma jóia rara... A presença romana na região é assinalada pelas muitas epígrafes escavadas nas pedras que formam as paredes e as aras dos altares. No centro, um sarcófago, ricamente decorado - do século XIV, diz-nos a guia, pertence ao Bispo do Porto D. Afonso Pires, sepultado numa das lápides do chão. Ladeiam-no vários arcos assentes em colunas com capitéis coríntios. De época posterior é o barroco altar-mor dedicado a S. Pedro. Também o tecto, em caixotões de madeira, ricamente decorados, é de épocas diversas. Horas de prosseguir viagem. Lá fora, entretanto o tempo aquecera, desaconselhando as visitas que programáramos. " Havemos de voltar ", pensámos.



publicado por Cristina Ribeiro às 12:07
Um arquivo dos postais que vou deixando no Estado Sentido, mas também um sítio onde escrever outras coisas minhas..Sem Sitemeter, porque pretende ser apenas um Diário, um registo de pequenas memórias...
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